| |
ARTIGOS TÉCNICOS |
NÍVEIS
DIÁRIOS DE ARRAÇOAMENTO PARA ALEVINOS
DE
TILÁPIA DO NILO (OREOCHROMIS NILOTICUS,
L.) CULTIVADOS
EM BAIXAS TEMPERATURAS
|
Daily Ration Levels for Nile Tilapia
(Oreochromis Niloticus, L.)
Fingerlings Cultivated in Low Temperatures
Nandeyara Ribeiro Marques1, Carmino Hayashi2,
Claudemir Martins Soares3, Telma Soares4
|
| |
| Resumo |
O experimento
foi realizado no Laboratório de Aqüicultura
da Universidade Estadual de Maringá, com
o objetivo de avaliar o nível ideal de
arraçoamento para alevinos de tilápia
do Nilo (Oreochromis niloticus).
Foram utilizados oitenta alevinos com peso médio
inicial de 0,88 ± 0,12 g e comprimento
inicial médio de 3,76 ± 0,20 cm,
distribuídos em 16 tanques-rede situados
em quatro caixas de 1000 L. Cada tanque-rede com
cinco peixes foi considerado como unidade experimental.
O delineamento foi inteiramente casualizado, com
quatro tratamentos e quatro repetições
(4, 7, 10 e 13% do peso vivo). Os animais foram
alimentados com ração contendo 30%
de proteína bruta. As variáveis
avaliadas foram peso final médio (PF),
ganho de peso (GP), conversão alimentar
(CA), comprimento final médio (CF) uniformidade
do lote (UNI) e sobrevivência (S). O PF,
CF e CA apresentaram relação linear
positiva (P<0,05). O GP apresentou relação
quadrática (P<0,04), com ponto de máximo
em 11,55%. A UNI e a S não apresentaram
diferenças significativas (P>0,05) entre
os tratamentos. Os parâmetros físico-químicos
permaneceram dentro da faixa recomendada para
os peixes. Concluiu-se que o nível ideal
de arraçoamento para alevinos de tilápia
do Nilo em uma temperatura média de 23ºC
é 11,55% do peso vivo dos mesmos.
Palavras-chave: Alimentação.
Arraçoamento. Desempenho. Nutrição.
Oreochromis niloticus. Tilápia do Nilo.
|
Abstract |
The
experiment was carried out in the Aquaculture
Laboratory from the State University of Maringá,
with the purpose of evaluating the Nile tilapia
fingerlings ideal ration levels. Eighty fingerlings
were used, with initial average weight of 0.88
± 0.12 g and initial average length of
3.76 ± 0.20 cm, divided in 16 net cages
distributed in four water tanks (1000L), with
five fish each. The design was completely randomized
with four treatments and four replications (4,
7, 10 and 13% of the fish biomass). They were
fed with a diet of 30% gross protein. The evaluated
variables were, final average weight (FW), weight
gain (WG), food conversion (FC), final average
length (FL), size variation weight (SW) and survival
(S). The FW, FL and FC presented positive linear
relation (P<0,05). The WG presented quadratic
relation (p<0,04) reaching its highest level
at 11.55%. The SW and S did not show significant
differences (P<0,05) between the treatments.
Physical and chemical parameters remained within
the appropriate limits for the fish. It may be
concluded that the ideal ration level for fingerlings
at an average temperature of 23°C is 11.55%
of the fish biomass.
Key words: feeding; Nile tilapia;
nutrition; Oreochromis niloticus; performance.
|
|
1 Programa
de Pós-Graduação em Ecologia
de Ambientes Aquáticos Continentais, Universidade
Estadual de Maringá. Av. Colombo, 5790;
CEP:87020-900. Laboratório de Aqüicultura,
Bloco H-78, sala 03. F: 261-4667 E-mail: nandi.bio@bol.com.br.
2 Professor Titular do Departamento de Biologia,
Laboratório de Aqüicultura, Universidade
Estadual de Maringá.
3 Biólogo do Departamento de Biologia,
Laboratório de Aqüicultura, Universidade
Estadual de Maringá.
4 Graduada em Ciências Biológicas,
Laboratório de Aqüicultura, Universidade
Estadual de Maringá.
Semina: Ciências Biológicas e da
Saúde, Londrina, v. 24, p. 97-104, jan./dez.
2003
98
|
|
| Introdução |
Tilápia
é a denominação comum de
uma grande gama de espécies de peixes ciclídeos,
que conforme Popma e Phelps (1998) distribuem-se
originalmente do centro-sul da África até
o norte da Síria. Cerca de 22 espécies
de tilápia são cultivadas no mundo,
e delas a tilápia do Nilo (Oreochromis
niloticus), é uma das mais criadas comercialmente
(EL-SAYED, 1999).
De acordo com Lovshin (1997), a distribuição
das tilápias pelo mundo começou
com o intuito da criação de peixes
para a subsistência em países em
desenvolvimento. No final dos anos setenta, a
espécie O. niloticus demonstrou um alto
potencial para a
aquicultura, em vários sistemas de criação
(LAZARD; ROGNON, 1997).
No Brasil, a tilápia do Nilo, proveniente
da Costa do Marfim (África Ocidental),
foi introduzida no Nordeste em 1971 e a partir
de então distribuída pelo país.
A tilápia do Nilo e algumas tilápias
vermelhas híbridas são as espécies
mais cultivadas no Brasil. A tilápia do
Nilo é cultivada desde a bacia do rio Amazonas
até o Rio Grande de Sul. O interesse pelo
cultivo desta espécie, no Sul e Sudoeste
do País, cresceu rapidamente nos últimos
oito anos, pela introdução da tecnologia
da reversão sexual e a pesca esportiva,
representado pelos pesque-pagues. A tilápia
é criada em diversos sistemas, desde a
cultura semi-intensiva em tanques que recebem
dejetos animais, como em cultivo intensivos em
“raceways” e tanques-rede. Acredita-se
que, no Brasil, metade da produção
anual de peixes cultivados sejam de tilápia
(LOVSHIN; CIRYNO, 1998).
Segundo Popma e Phelps (1998) a tilápia
é, dentro das espécies de peixes
mais cultivadas, a que melhor resiste à
alta temperatura, à baixa concentração
de oxigênio dissolvido e à alta concentração
de amônia na água. Já Lahav
e Ra’nam (1997) citam que a principal vantagem
da tilápia do Nilo é o seu baixo
custo relativo, principalmente quanto ao alevino,
alimentação e a qualidade da sua
carne. A espécie
de tilápia preferida para o cultivo é
a O. niloticus devido ao seu rápido crescimento
(LOVSHIN, 1997).
O conhecimento básico da biologia e do
manejo dos peixes é importante para os
estudos que relacionam nutrição.
Na aqüicultura intensiva, mais de 50% dos
custos de produção são com
rações (El- SAYED, 1999). Por esse
motivo, tornam-se necessário estudos sobre
a quantidade (porcentagem do peso vivo) de ração
que deve ser fornecida aos peixes, a fim de se
evitar perdas e aumento nos custos com a produção.
O nível de arraçoamento a ser fornecido
a uma dada espécie varia, principalmente,
em função da temperatura da água
e da idade do peixe, e o nível de oxigênio
dissolvido e de amônia também vão
influenciar na quantidade de ração
consumida (SANTIAGO; ALDABA; REYES, 1987; KUBITZA,
1997).
Para Castagnolli (1979), o excesso de alimento
além de provocar alterações
metabólico–digestivas, implica a
deterioração da qualidade da água.
Existem muitos fatores que influenciam o índice
de ingestão alimentar e, conseqüentemente,
as taxas de arraçoamento devem ser ajustadas
segundo as condições individuais
de cada unidade de cultivo (ELLIOT, 1975).
Otubusin (1987), em trabalho realizado com alevinos
de Oreochromis niloticus, em condições
experimentais, testou três níveis
de arraçoamento (3, 5 e 10% do peso vivo),
visando a avaliar qual o nível ideal para
melhor desempenho dos peixes. Ele
observou que o nível de 10% a partir dos
resultados obtidos foi considerado o mais eficiente
para variáveis como ganho de peso e peso
final. Fontaine et al. (1997), em experimento
com Perca fluviatilis, utilizaram níveis
menores (1, 2 e 3% do peso vivo) e concluíram
que os três níveis afetaram significativamente
o crescimento dos animais, embora a sobrevivência
não tivesse sido afetada.
Em trabalho com Scophthalmus maximus, com o fornecimento
de 0,25, 0,38 e 1,0% do peso vivo dos animais
em ração, Saether e Jobling (1999)
observaram um incremento no peso para os três
99.
Semina: Ciências Biológicas e da
Saúde, Londrina, v. 24, p. 97-104, jan./dez.
2003
níveis, porém com uma redução
no crescimento. No entanto, Storebakken e Austreng
(1987), em trabalho com salmão do Atlântico
Salmo salar, utilizaram 12
níveis de arraçoamento (0,5 a 3,25%,
em intervalos de 0,25%) e verificaram melhor desempenho
dos peixes no tratamento em que foi fornecido
menor porcentagem do peso vivo em ração.
No trabalho de Santiago, Aldaba e Reyes (1987),
com larvas de tilápia do Nilo, foram fornecidos
altos níveis de arraçoamento (15,
30, 45 e 60% do peso vivo), tendo sido obtido
maior biomassa para os níveis intermediários
(30 e 45% do peso vivo).
Quinton e Blake (1990), realizando experimento
com truta arco-íris Oncorhynchus mykiss
utilizando três níveis alimentares
(3, 5 e 7% do peso vivo), chegou a conclusão
que o nível de 3% foi o mais eficiente
sem afetar o desempenho dos animais.
Com o objetivo de avaliar o nível alimentar
ideal para juvenis de esturjão branco (Acipenser
transmontanus) a uma temperatura de 20 ºC,
Hung e Lutes (1987) verificaram que, dentre os
níveis avaliados (0,5 a 4,0% em intervalos
de 0,5%), o nível de 2,0% foi o melhor,
levando em consideração variáveis
como peso final e conversão alimentar.
O objetivo do presente experimento foi avaliar
o nível ideal de arraçoamento para
alevinos de tilápia do Nilo, com base nos
parâmetros desempenho e sobrevivência.
|
| |
| Material e Métodos |
O
presente experimento foi realizado no Laboratório
de Aqüicultura do Departamento de Biologia
da Universidade Estadual de Maringá, durante
30 dias. Foram utilizados 80 alevinos de tilápia
do Nilo (Oreochromis niloticus) com peso inicial
de 0,82± 0,10 g e comprimento inicial médio
de 3,76 ±0,20 cm. Os alevinos foram distribuídos
em 16 tanquesrede de 48 litros cada, situados
em quatro tanques com capacidade para 1000 litros,
abastecidos com água de torneira, à
qual foram adicionados 17 mL de
tiossulfeto de sódio, para inativar o cloro.
O delineamento experimental foi o inteiramente
casualizado com quatro tratamentos e quatro repetições,
sendo cada tanque-rede com cinco alevinos considerado
como unidade experimental. Os tratamentos constituíram
na variação do cálculo da
quantidade do arraçoamento dos alevinos
de tilápia do Nilo, sendo essa quantidade
correspondente a 4, 7, 10 e 13% do peso vivo dos
mesmos. A quantidade de ração foi
verificada a cada dez dias, com a pesagem de cada
unidade experimental.
Para a alimentação, foi utilizado
o manejo alimentar com o uso de uma ração
contendo 30 % de proteína bruta e 3000
Kcal de energia digestível (Tabela 1),
formulada de acordo com as exigências do
NATIONAL RESEARCH COUNCIL (1993)
para tilápia do Nilo. Para a preparação
das rações, os ingredientes foram
moídos individualmente em moinho tipo faca
com peneira 0,5 mm, posteriormente pesados, misturados
e umedecidos em água a apenas 50 ºC
( e não mais do que isso), para evitar
a desnaturação das proteínas.
A ração foi peletizada em moinho
de carne e seca em estufa de ventilação
forçada a 55ºC, e, posteriormente,
desintegrada e peneirada para que fosse fornecida
em tamanho adequado a idade dos peixes. O arraçoamento
foi realizado quatro vezes ao dia (8:00, 11:00,
14:00 e 17:00) e, no período da manhã,
as sobras de ração eram retiradas
dos tanque-rede por meio de
sifonagem.
Semina: Ciências Biológicas e da
Saúde, Londrina, v. 24, p. 97-104, jan./dez.
2003
100.
|
| |
Tabela
1 - Composição em ingredientes e
bromatológicas da ração fornecida
aos alevinos de tilápia do Nilo a De acordo
com os dados de análise bromatológica
e digestibilidade de Meurer, Hayashi e Boscolo
(2000), b de acordo com os dados de Rostagno,
Silva e Costa, (1994). c Níveis de garantia
por kg do produto: Vit. A - 2.000.000 UI; Vit.
D3: 30.000; Vit. E: 5.000 mg; Vit. K 300,56 mg;
Vit. B1: 1.199.52 mg; Vit B2: 2.000 mg; Vit B6:
1.000,316 mg; Vit. B12: 5 mg; Vit. C: 15.999,48;
Ácido fólico: 199,9984 mg; Ácido
nicotínico: 10.000 mg; Pantetonato de cálcio:
6.550,2 mg; Biotina: 50 mg; Cloreto de colina:
339.996 mg; Ferro: 4.000,2 mg; Cobre: 500 mg;
Manganês: 4.998.8 mg; Cobalto: 101,1012
mg; Zinco: 3.599,36 mg; Iodo: 199,64 mg; Antioxidante:
20.000 mg.
Ingredientes (%) Composição
Farelo de soja a 49,92 Proteína bruta (%)
30,0
Milho moídoa 35,96 Energia digestível
(kcal/kg) 3000
Proteinoso de milhoa 9,06 Amido (%) 29,03
Óleo de sojaa 0,63 Gordura (%) 4,00
Fosfato bicálcicob 2,41 Fibra bruta (%)
3,22
Calcáreob 0,89 Lisina (%) 1,60
Sal 0,50 Metionina + Cistina (%) 0,90
Premix vit-mineral c 0,50 Fósforo Total
(%) 0,80
DL-metionina 99 0,10 Cálcio (%) 1,00
BHT 0,02 Linoléico (%) 1,51
Os parâmetros físico-químicos
da água (pH, condutividade elétrica
e oxigênio dissolvido) foram monitorados
semanalmente as 9:00 horas e a temperatura duas
vezes ao dia (manhã e tarde), durante todo
o período experimental.
As variáveis avaliadas foram peso médio
final, comprimento médio final, ganho de
peso, conversão alimentar, uniformidade
em peso do lote e sobrevivência. Para o
cálculo do ganho de peso e da conversão
alimentar foram utilizadas as fórmulas:
GP= (Peso médio final - Peso médio
inicial) e
CA = (Ração consumida / ganho de
peso). O fator de
condição foi
calculado com base na equação:
FC = (Peso/Comp3) x 100.
Para avaliar a uniformidade dos lotes de peixes
em cada, tanque realizou-se a
adaptação de uma equação
proposta por Furuya et al. (1998), para determinar
a uniformidade em peso de peixes. Utilizando-se
as medidas de peso total dos peixes com base nos
dados de cada unidade experimental, calculou-se
a média, sendo então quantificados
o número de indivíduos que se apresentavam
com o peso dentro do intervalo correspondente
a 20% acima e abaixo da média de cada unidade
experimental.
onde:
U = Uniformidade do lote: variação
no peso total (%);
Nt = número total de peixes em cada unidade
experimental;
N±20 = nº de animais com peso total
± 20% em torno da média da unidade
experimental
Ao final do experimento, os peixes de cada unidade
experimental foram pesados em balança analítica
e medidos individualmente para avaliação
das variáveis. De posse desses dados, eles
foram submetidos à análise de variância
ao nível de 5% de probabilidade e, em caso
de diferenças estatísticas, foi
aplicado análise de regressão polinomial,
ambos pelo programa computacional SAEG-Sistema
de Análises Estatísticas e Genéticas
(UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA, 1983).
|
| |
100
Nt
N
U % 20
101
|
| Semina: Ciências Biológicas
e da Saúde, Londrina, v. 24, p. 97-104, jan./dez.
2003 |
| |
| Resultados e discussão |
Os resultados
médios das variáveis físico-químicas
da água foram 22,0 ± 2,10 0C, 24,0
± 2,18 0C, 6.43 ± 0,48 mg/L, 7,41
± 0,41 e 0,92 ± 0,041 mS/cm, respectivamente
para temperatura matutina, temperatura vespertina,
oxigênio dissolvido, pH e condutividade
elétrica. Não houve diferenças
estatísticas da qualidade da água
e temperatura entre os tratamentos, e, de acordo
com Egna e Boyd (1997), estes valores estão
dentro dos recomendados para a piscicultura.
Os valores médios de desempenho produtivo
dos alevinos de tilápia do Nilo O. niloticus,
submetidos aos diferentes níveis de arraçoamento
estão apresentados na Tabela 2.
|
Tabela 2 - – Valores médios
de desempenho produtivo dos alevinos de tilápia
do Nilo em função dos diferentes níveis
de arraçoamento.
Níveis de Arraçoamento (% peso vivo)
PARÂMETROS 4 7 10 13
CV
Peso médio Inicial 0,88 0,88 0,89 0,87 1,59
Peso médio Final 1 2,77 3,54 4,97 4,72 14,22
Ganho médio de peso 2 1,88 2,66 4,09 3,85
18,15
Conversão alimentar3 1,07 1,41 1,28 1,93
19,74
Comprimento médio final 4 5,43 5,78 6,54
6,35 10,48
Fator de Condição ns 7,13 7,99 8,86
8,21 15,80
Uniformidade do lote (%)ns 83,75 71,50 60,00 7,50
20,69
Sobrevivência (%)ns 90,00 90,00 100,00 90,00
16,44
1 Efeito linear (p<0,05) Y = 1,9366 + 0,2430
X, r2 = 0,83; 2 Efeito quadrático (p<0,04)
Y= -9,9947 + 4,8850 X – 0,2115 X2, r2
= 0,84; 3 Efeito linear (p<0,05) Y = 51,1445
+ 0,3570 X, r2 = 0,78; 4 Efeito linear (p<0,05)
Y = 0,7314 + 0,0811 X, r2 = 0,74; ns
não houve diferenças estatísticas
(p>0,05). |
O
ganho de peso apresentou uma relação
quadrática (p<0,04) com o aumento do
nível de arraçoamento com ponto
máximo de 11,55% em percentagem do peso
vivo em ração para alevinos de tilápia
do Nilo. Santiago, Aldaba e Reyes (1987) trabalharam
com larvas de tilápia do Nilo e concluíram
que níveis de 30 a 40% de ração
são os mais indicados para o desempenho
dos animais. Storebakken e Austreng (1987), realizaram
experimento com alevinos de salmão do Atlântico
“Salmo salar” utilizando os níveis
0,5 a 3,25% em intervalos de 0,25%, e observaram
que houve um menor ganho de peso no menor nível
fornecido. Otubusin (1987) relata que o nível
de 10% foi o mais eficiente para alevinos de tilápia
do Nilo, estando este valor próximo ao
do obtido neste trabalho.
A conversão alimentar dos alevinos apresentou
uma relação linear positiva (P<0,05)
em função do aumento dos níveis
alimentares testados. Esse resultado demonstra
que houve redução no aproveitamento
da ração com o aumento do nível
de arraçoamento, fato este confirmado pelas
sobras de ração no tratamento onde
foi testado o maior nível.
Discordando deste trabalho, Fontaine et al.(1997),
utilizando alevinos de Perca fluvialis, observaram
uma melhora na conversão alimentar à
medida que os níveis de arraçoamento
foram aumentados.
Santiago, Aldaba e Reyes (1987) observou, para
larvas de tilápia do Nilo, que a conversão
alimentar foi mais eficiente quando era fornecido
30 a 40% do peso vivo dos animais em ração.
Storebakken e Austreng (1987), testando os níveis
de 0,5 a 3,25% em intervalos de 0,25%, observaram
que a conversão alimentar foi mais eficiente
nos menores níveis. Tabata et al. (1988),
em trabalho realizado com truta arcoíris
(Salmo irideus) com níveis de arraçoamento
de 2, 3, 4, 5 e 6% do peso vivo, concluíram
que a conversão foi mais eficiente no nível
de 3%, resultados que diferem do obtido neste
experimento.
|
| |
| Semina: Ciências Biológicas
e da Saúde, Londrina, v. 24, p. 97-104, jan./dez.
2003 102 |
| |
Os
valores de peso e comprimento médios finais
apresentaram uma relação linear
positiva (p<0,05).
Resultados similares foram obtidos por Otubusin
(1987), com alevinos de tilápia do Nilo,
e por Storebakken e Austreng (1987),como salmão
do atlântico Salmo salar, e em ambos os
casos verificouse que níveis acima de 1%
do peso vivo não afetaram
de forma significativa o peso e o comprimento
dos animais. Os resultados obtidos por Fontaine
et al.(1997) descrevem que o crescimento dos alevinos
de Perca fluvialis foi afetado pelo aumento do
nível de arraçoamento, tendo adquirido
um maior comprimento médio final os animais
submetidos aos menores níveis. Diferindo
desse trabalho, Jobling e Baardivik (1994) observou,
para Salvelinus alpinus, que menores taxas de
arraçoamento promovem maior crescimento.
Com relação ao fator de condição,
este parâmetro não apresentou diferenças
estatísticas (p>0,05).
Discordando deste resultado, Hung e Lutes (1987),
trabalhando com o esturjão branco (Acipenser
transmontanus), observaram que o fator de condição
apresentou diferenças estatísticas
significativas (p<0,05). No entanto, Quinton
e Blake (1990) verificaram que, para a truta arco-íris
(Oncorhynchus mykiss), o fator de condição
não apresentou diferenças estatísticas
significativas (p>0,05). Os trabalhos de Storenbakken
e Austreng (1987) e de Santiago, Aldaba e Reyes
(1987) não relataram sobre o fator de condição.
Tabata et al. (1998), ao estudarem a truta arco-íris
(Salmo iridens) observaram que os valores do fator
de condição apresentaram relação
linear positiva (p<0,05) com o aumento dos
níveis de arraçoamento.
As taxas de sobrevivência e uniformidade
em peso dos alevinos não apresentaram diferenças
estatísticas (p>0,05). Resultado semelhante
foi encontrado por Saether e Jobling (1999), que
trabalharam com Scophthalmus maximus e não
observaram
mortalidade. Ao contrário, Tabata et al.
(1998) observaram que as taxas de mortalidade
foram crescentes com o aumento dos níveis
de arraçoamento. A sobrevivência
não foi afetada pelos tratamentos no trabalho
de Storenbakken e Austreng (1987), dado que foi
confirmado por este estudo, com a diferença
na porcentagem obtida (81%). A uniformidade em
peso dos animais, reflete a variação
entre os indivíduos e o fornecimento de
maiores porcentagens do peso vivo em ração
deve reduzir a concorrência entre os indivíduos.
Isso acarreta uma menor variação
entre eles e, conseqüentemente, uma maior
uniformidade.
No entanto, nos níveis utilizados, esse
efeito não apresentou diferenças
significativas (p>0,05).
O efeito quadrático do parâmetro
relacionado ao peso dos alevinos pode ser explicado
devido ao fato de os menores níveis não
possibilitarem uma ingestão do nível
adequado de nutrientes para o bom crescimento
dos animais. O nível de arraçoamento
acima dos 12% levou a uma diminuição
do ganho de peso. Neste nível havia sobra
de ração no fundo das hapas e essas
sobras devem ter perdido parte de
seus nutrientes (principalmente vitaminas e minerais),
devido à lixiviação destes
para a água. Esses nutrientes podem ter
sido ingeridos em algum momento pelos peixes deste
tratamento e eles, quando eram arraçoados
novamente, não tinham
apetite para se alimentar com a ração
nova (não lixiviada).
|
| |
| Conclusão |
Conclui-se
que o nível ideal de arraçoamento
para alevinos de tilápia do Nilo (O. niloticus),
a uma temperatura média da água
de 23 0C com melhor desempenho produtivo, é
de 11,55% do peso vivo dos mesmos.
|
| |
| Referências |
CASTAGNOLLI,
N. Tecnologia da alimentação de
peixes.
In: ______. Fundamentos de nutrição
de peixes. São Paulo: Livroceres, 1979.
105p.
EGNA, H. S.; BOYD, C. E. Dynamics of pond aquaculture.
Boca Raton: CRC Press, 1997. 342p.
EL-SAYED, A. F. M. Alternative dietary protein
sources for farmed tilapia, reochromis spp. Aquaculture,
Amsterdam, v.179, n.2, p.149-168, 1999. 103
Semina: Ciências Biológicas e da
Saúde, Londrina, v. 24, p. 97-104, jan./dez.
2003
ELLIOT, J. M. Number of meals in a day, maximum
weight of food consumed in a day and maximum rate
of feeding for brown trout, Salvelinus fontinalis
L. Freshwater
biology, Oxford, v.5, n.2, p.287-303, 1975.
FONTAINE, P.; GARDEUR, J. N., KESTEMONT, P.;
GEORGES, A. Influence of feeding level on growth,
intraspecific weight variability and sexual growth
dimorfhism of Eurasian perch Perca fluvialis L.
reared in a recirculation system. Aquaculture,
Amsterdam, v.157, n.2, p.1-8, 1997.
FURUYA , W. M. et al. Dietas peletizada e extrusada
para machos revertidos de ilápia do Nilo
(Oreochromis niloticus) na fase de terminação.
Ciência Rural, Santa Maria, v.28, n.3, p.483-487,
1998.
HUNG, S. S. O.; LUTES, P. B. Optimum feeding rate
of hatchery-produced juvenile white sturgeon Acipenser
transmontanus: at 20 ºC. Aquaculture, Amsterdam,
v.65,
n.2, p.307-317, 1987.
JOBLING, M.; BAARDIVIK, B. M. The influence of
environmental manipulations on inter and intra
- individual varation in food acquisition and
growth performance of
Artic charr Salvelinus alpinus. Journal of Fish
Biology, London, v.41, n.5, p.1067-1087, 1994.
KUBITZA, F. Qualidade do alimento, qualidade da
água e manejo alimentar naprodução
de peixes. In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO E
NUTRIÇÃO DE PEIXES, 1., 1997, Piracicaba.
Anais... Piracicaba: CBNA, 1997. p.63-116.
LAHAV, E.; RA’NAN, Z. Salinity tolerance
of genetically produced tilapia (Oreochromis)
hybrids. Israeli Journal
of Aquaculture-Bamidgeh , Bamidgeh, v.49, n.3,
p.160- 165, 1997.
LAZARD, J; ROGNON, X. Genetic diversity of tilapia
and aquaculture development in Côte D’Ivoire
and Niger.
Israeli Journal of Aquaculture-Bamidgeh, Bamidgeh,
v.49, n.2, p.90-98, 1997.
LOVSHIN, L. L.; CYRINO, J. E. P. Status of commercial
fresh water fish culture in Brazil. In: SIMPÓSIO
SOBRE MANEJO E NUTRIÇÃO DE PEIXES,
2., 1998, Piracicaba.
Anais... Piracicaba: CBNA, 1998. p.1-20.
LOVSHIN, L. L. Tilapia farming: A Growing Worldwide
Aquaculture Industry. In: SIMPÓSIO SOBRE
MANEJO E NUTRIÇÃO DE PEIXES, 1,
Piracicaba, 1997. Anais...
Piracicaba: CBNA, 1997. p.137-164.
MEURER, F.; HAYASHI, C.; BOSCOLO, W. R. Digestibilidade
aparente da proteína bruta, matéria
seca e energia bruta de alguns alimentos protéicos
para tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus,
L). In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE AQÜICULTURA,
11., Florianópolis, 2000. Anais... Florianópolis:
SIMBRAq, 2000. CD-Rom.
NATIONAL RESEARCH COUNCIL. Nutrient requirements
of fish. Washington, D.C. : National Academy,
1993.
POPMA, T. J.; PHELPS, R. P. Status report to commercial
tilápia producers on monosex fingerling
productions techniques. In: AQUICULTURA BRASIL,
1998, Recife.
Anais... Recife: SIMBRAQ, 1998. p.27-145.
OTUBUSIN, S. O. Effects of different levels of
blood meal in pelleted feeds on tilapia, Oreochromis
niloticus, production in floating bamboo net-cages.
Aquaculture,
Amsterdam, v.65, n.3/4, p.263-266, 1987.
QUINTON, J. C.; BLAKE, R. W. The effect of feed
cycling and ration level on the compensatory growth
response in rainbow trout, Oncorhynchus mykiss.
Journal of Fish Biology, London, v.37, n.1, p.33-41,
1990.
ROSTAGNO, H. S.; SILVA, D. J.; COSTA, P. M. A.
Composição de alimentos e exigências
nutricionais de aves e suínos (Tabelas
brasileiras). Viçosa: Imprensa Universitária,
1994.
SAETHER, B. S.; JOBLING, M. The effects of ration
level on feed intake and growth and compensatory
growth after restricted feeding, in turbot Scophthalmus
maximus L.
Aquaculture Research, Oxford , v.30, n.9 p.647-652,
1999.
SANTIAGO, C. B.; ALDABA, M. B.; REYES, O. S. Influence
of feeding rate and diet form on growth and survival
of Nile Tilapia (Oreochromis niloticus) fry.
Aquaculture, Amsterdam, v.64, n.4, p.277-282,
1987.
STORENBAKKEN, T.; AUSTRENG, E. Ration level for
salmonids: growth, survival, body composition
and feed conversion in Atlantic Salmon fry and
fingerlings.
Aquaculture, Amsterdam, v.60, n.3/4, p.189-203,
1987.
TABATA, Y. A.; RIGOLINO, M. G.; NETO, B. C. S.;
PAIVA, P.; ISHIKAWA, C. M. Influência de
diferentes taxas de arraçoamento n crescimento
de truta arco-íris, Salmo irideus Gibbons.
Boletim do Instituto de Pesca, São Paulo,
v.15, n.1, p.31-38, 1998.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA. SAEG Sistema
para análises estatísticas e genéticas.
Versão 7.1. Viçosa, MG., 1983. 150p.
Manual do usuário.
|
|
| |
|
| |
|