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ARTIGOS TÉCNICOS |
UTILIZAÇÃO
DA AMIRÉIA
(produto da extrusão amido/uréia)
NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL
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JÚLIO
CÉSAR TEIXEIRA1
ROSELI APARECIDA DOS SANTOS2 |
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I – INTRODUÇÃO
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A
utilização de fontes alternativas
de proteína na alimentação
de animais tem se tornado cada vez mais importante,
uma vez que as fontes convencionais são
concorrentes com a alimentação humana
e, conseqüentemente, estão com os
preços cada vez mais elevados. A uréia
destaca-se como uma fonte de nitrogênio
não-protéico, sendo bastante utilizada
na alimentação de ruminantes, ao
passo que para animais não-ruminantes,
o uso ainda é limitado, em conseqüência
da ineficiente conversão em proteína
microbiana, alta toxidez e baixa palatabilidade.
1. Professor Titular do Departamento de Zootecnia
da UNIVERSIDADE FEDERAL
DE LAVRAS(UFLA), Caixa Postal 37, 37.200-000 –
Lavras - MG. Bolsista
do CNPq.
2. Doutoranda em Zootecnia – Universidade
Federal de Lavras-MG. Bolsista do
CNPq.
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O
uso da uréia pelos ruminantes é
limitado em virtude de sua baixa aceitabilidade,
sua segregação, quando misturada
com farelos, e sua toxicidade (Chalupa, 1968),
agravada pela elevada solubilidade no rúmen,
o que a transforma muito rapidamente em amônia
(Owens et al., 1980; Daugherty e Church, 1982),
por causa da ação da enzima urease
produzida pelos microrganismos ruminais.
O produto resultante da extrusão do amido
com a uréia, conhecido como amiréia,
pode acarretar efeitos positivos na sua utilização
para ruminantes.
Sendo assim, objetivou-se com esta revisão
esclarecer possíveis dúvidas quanto
à forma de utilização da
amiréia, suas vantagens e problemas, bem
como fornecer alguns dados de pesquisas já
realizadas nesse contexto. |
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II – URÉIA
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| 1. Definição
e composição química |
A
uréia é um composto quaternário,
constituído por nitrogênio, oxigênio,
carbono e hidrogênio, de cor branca, cristalina,
de sabor amargo, tendo a seguinte fórmula: |
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A
uréia é cristalina e solúvel
em água e álcool. Quimicamente,
é classificada como amida; por isso, é
considerada um composto nitrogenado não-protéico
(NNP). |
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2.
Processo de obtenção da uréia
exógena |
A
síntese industrial da uréia é
feita inicialmente com a utilização
do gás metano (CH4) que, sob alta temperatura,
decompõe-se em hidrogênio (H2), monóxido
de carbono (CO) e dióxido de carbono (CO2).
Por sua vez, o hidrogênio, juntamente com
o nitrogênio do ar, formam a amônia
(NH3). A amônia na presença do gás
carbônico do ar forma o carbamato de amônio
(NH4COONH2). Finalmente, o carbamato de amônio
é decomposto em uréia e água
(Lehninger, Nelson e Cox, 1995). |
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Segundo
Teixeira (1990), a composição química
da uréia produzida, em porcentagem, é
a seguinte: 46,50 de nitrogênio, 0,55 de
biureto, 0,25 de água, 0,008 de amônia
livre, 0,003 de cinza e 0,003 de ferro + chumbo. |
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3.
Uréia endógena |
Nos
organismos ureotélicos, ou seja, aqueles
que excretam o nitrogênio do grupo amino
na forma de uréia, a amônia é
convertida em uréia na mitocôndria
dos hepatócitos, por meio do “ciclo
da uréia” (Figura 1). Esse é
o destino da maior parte da amônia que chega
até o fígado.
Porém, quando não estiver em excesso
no organismo, o nitrogênio reciclado na
forma de uréia pode voltar ao sistema digestivo
pela saliva, ou difusão através
da parede do rúmen (Van Soest, 1994). |
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| Figura
1 - Ciclo da uréia (Lehninger, Nelson
e Cox, 1995). |
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4.
Metabolismo da uréia |
Como
foi descrito, a uréia disponível
ao animal pode ter duas origens: a endógena
e a exógena (Teixeira, 1990).
Os compostos de NNP, tais como uréia e
amidas, são convertidos pelos microrganismos
do rúmen (ruminantes) ou ceco (não-ruminantes)
em amônia, que é, então, utilizada
lá mesmo, ou absorvida através da
parede ruminal. Os níveis de amônia
no sangue geralmente permanecem baixos, pois o
fígado rapidamente converte amônia
em uréia (uma forma de desintoxicação),
conversão essa que custa ao animal aproximadamente
12 kcal/g de nitrogênio (Van Soest, 1994).
O excesso de NNP dietético faz com que
a produção de amônia seja
maior que a capacidade de conversão do
fígado, resultando em aumento na concentração
de amônia no sangue.
Seja qual for a origem da uréia que alcança
o rúmen ou o ceco dos animais, é
inegável a contribuição dessa
na síntese de todos os aminoácidos,
e é considerável seu valor na sobrevivência
de animais que se alimentam de rações
deficientes em aminoácidos não-essenciais
ou em proteína (Correia, 1992).
5- Utilização da
uréia pelos microrganismos do ceco ou rúmen
Tanto a uréia endógena quanto a
exógena, ao atingir o rúmen do animal,
é imediatamente degradada pela ação
da enzima urease, dando ori10 gem a gás
carbônico e amônia. Esse é
o produto final da degradação das
proteínas, da uréia e de outros
compostos nitrogenados não-protéicos. |
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Determinadas
bactérias promovem a combinação
de amônia com os esqueletos de carbono (cetoácidos)
resultantes da degradação de carboidratos,
sintetizando aminoácidos que são
utilizados na constituição de sua
proteína (Teixeira, 1990). O esquema seguinte
mostra essas fases: |
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A
habilidade do ceco em utilizar NNP depende da
presença de carboidrato fermentável.
Esse tipo de fermentação em animais
monogástricos tende a reduzir o nitrogênio
urinário e aumentar as perdas de nitrogênio
nas fezes. Também o “escape”
de carboidrato fermentável para o intestino
determinará aí sua população
microbiana e sua capacidade em metabolizar compostos
nitrogenados. As espécies de bactérias
presentes no intestino são similares àquelas
do rúmen; suas exigências em nutrientes,
respostas ao suprimento de substrato e produção
protéica são provavelmente também
muito similares (Van Soest, 1994). |
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6
- Fatores que afetam a utilização
da uréia |
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Ação da fonte e concentração
da energia – os carboidratos são
utilizados como fonte energética,
sendo o amido superior aos açúcares
solúveis e à celulose, pois
apresenta uma velocidade de liberação
de energia compatível a uma melhor
utilização da uréia
(açúcares apresentam hidrólise
muito rápida e a celulose muito lenta),
compatibilidade essa que pode ser aumentada
pela gelatinização do amido,
obtida por processos de cozimento que, além
de aumentar a velocidade de liberação
da energia, reduz o pH do meio ruminal,
diminuindo a atividade da urease.
-
Concentração de nitrogênio
na dieta – a validade da utilização
da uréia nas rações
é maior quando o nível e a
qualidade da proteína dietética
forem baixos.
-
Urease – por causa do alto nível
de urease no rúmen, estima-se que
a taxa de hidrólise ruminal da uréia
seja quatro vezes superior à capacidade
de utilização da NH3.
-
Enxofre – a síntese de aminoácidos
contendo enxofre (cistina, cisteína
e metionina) determina a exigência
desse mineral, sendo recomendada a relação
N:S entre os limites de 10:1 a 15:1.
-
Animal – a idade, categoria do animal
e o tipo de exploração afetam
a utilização da uréia,
recomendando-se, portanto, a adequação
entre os fatores citados.
-
Adaptação – a evidência
da necessidade de adaptação
a dietas contendo uréia é
dada pelo fato de que a retenção
de nitrogênio apresenta tendência
de aumento após o início do
fornecimento da uréia e, ao fato
de que a quantidade de uréia necessária
para intoxicar o animal aumenta significativamente
com o tempo após o início
do seu fornecimento (Teixeira, 1991).
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III
– AMIRÉIA |
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1-
Histórico |
Com
a finalidade de melhorar a utilização
da uréia na alimentação dos
animais, foi desenvolvido por pesquisadores de
“Kansas State University” (EUA), no
início da década de 70, um produto
extrusado à base de amido do grão
de milho e uréia, com equivalente protéico
de 45% denominado “starea” (Bartley
e Deyoe, 1975), que inicialmente foi traduzida
para o português como amiréia. A
“starea” foi intensamente pesquisada
durante aquele período nos Estados Unidos
e em alguns países da Europa.
Na década de 80, com o mesmo objetivo,
e visando à substituição
parcial e total de fontes convencionais de proteína
dietética, foi desenvolvida na Universidade
Federal de Lavras, então Escola Superior
de Agricultura de Lavras, a amiréia, produto
obtido pela extrusão de uma fonte de amido
com a uréia e enriquecido com enxofre.
Durante esses anos, pelos menos três dezenas
de pesquisas foram publicadas envolvendo a produção
e utilização da amiréia.
A amiréia foi produzida com base em diferentes
fontes de amido (raspa de mandioca, farinha de
mandioca, milho, sorgo) e enxofre (gesso e o enxofre
em pó) em níveis de equivalente
protéico iguais a 29, 45,
100 e 150%. |
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2-
Definição |
A
amiréia é o produto obtido pela
extrusão de uma mistura de amido e uréia,
sob condições de alta temperatura
e pressão, levando à gelatinização
do amido (Bartley e Deyoe, 1975; Teixeira et al.,
1988b). Segundo os autores, nesse tipo de processamento,
o grânulo de amido é gelatinizado
(Figuras 2 e 3) e a uréia é modificada
de uma estrutura cristalina para uma forma não-cristalina,
sendo a maior parte das estruturas não-cristalinas
encontradas dentro da porção gelatinizada,
tornando-a mais palatável que misturas
não processadas de grão e uréia,
melhorando a aceitabilidade do concentrado.
De acordo com Stiles et al. (1970), a extrusão
provoca a incorporação da uréia
na estrutura do amido, o que promove melhora na
aceitabilidade do concentrado.
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Figura
2. Grânulo de amido |
Figura
3. Amido extrudado |
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Nesse
contexto, a amiréia apresenta melhores
características de manuseio, produzindo
excelentes misturas ao ser incorporada na ração,
já que, pelo processo de extrusão,
ocorre redução no alto teor de higroscopicidade
produzida pela uréia (Bartley e Deyoe,
1975). |
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3-
Como funciona a amiréia |
A
amiréia funciona como um complexo de liberação
lenta, podendo reduzir a toxicidade potencial,
e melhorando a aceitabilidade e utilização
de concentrados à base de uréia.
A liberação gradual de amônia
permite aos microrganismos do rúmen uma
síntese contínua de proteína.
Esse fato foi evidenciado por Helmer et al. (1970),
que em experimento in vitro, verificaram concentrações
(mg/100ml) maiores de proteína microbiana
e menores de amônia no fluído ruminal,
o que pode ser conseqüência do aumento
na eficiência dos microrganismos em usar
a amiréia como substrato na produção
de proteínas. O mesmo resultado foi observado
por Maia et al. (1987a), os quais estimaram a
síntese de proteína microbiana in
vitro, tendo como substrato quatro misturas de
raspa de mandioca integral com uréia, processadas
ou não, com quatro níveis de equivalente
protéico (44, 39, 29 e 24%) A síntese
protéica com base na amiréia foi
superior (2,5 a 3 vezes) em relação
à mistura não processada. A síntese
protéica também foi maior na mistura
com maior equivalente protéico.
Além disso, o amido gelatinizado que compõe
a amiréia diminui as perdas de amônia
a partir do rúmen, já que sua taxa
de fermentação é sincronizada
com a taxa de degradação da proteína
(ou uréia). Quando o suprimento de carboidratos
disponíveis no rúmen aumenta, há
mais energia para induzir à síntese
de proteína microbiana e à utilização
de amônia (Russel, 1992). |
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4.
Digestibilidade da amiréia |
Visto
que a amiréia é produzida pela extrusão
do amido mais uréia, esse processo pode
aumentar a digestibilidade do amido, por meio
da gelatinização (Harman e Harper,
1974), aliado a uma liberação mais
lenta da amônia, o que reduz a velocidade
de hidrólise no rúmen, produzindo
mais nitrogênio microbiano (Stiles et al.,
1970).
A degradabilidade da matéria seca e da
proteína bruta da amiréia 45S foi
avaliada em vacas da raça Holandesa, num
experimento feito por Teixeira, Delgado e Corrêa
(1992), em que as fontes de amido utilizadas no
processo foram o milho e a raspa de mandioca,
nas formas moída, quebrada e inteira. A
degradabilidade média da matéria
seca e da proteína bruta das misturas contendo
milho foram inferiores (56,6% e 87,4%) às
das misturas contendo raspa de mandioca (69,7%
e 93,0%). Não foram observadas diferenças
significativas entre as formas físicas
do milho e raspa.
Em outro experimento conduzido por Teixeira et
al. (1991), foram utilizados carneiros fistulados
no rúmen para avaliar a degradabilidade
da proteína e a taxa de degradação
in situ da amiréia 45S (obtida baseando-se
diferentes fontes de amido) e dos farelos de soja
e algodão. Os resultados obtidos para degradabilidade
e taxa de degradação foram, respectivamente:
raspa de mandioca + uréia (85,8%; 49,1%),
sorgo + uréia (81,8%; 24,0%), milho + uréia
(78,6%; 20,9%), farinha de mandioca + uréia
(56,2%; 78,3%), farelo de algodão (2,3%;
63,2%) e farelo de soja (1,6% ; 40,5%). Os autores
concluíram que as amostras contendo uréia
apresentaram valores de degradabilidade mais elevados.
A substituição do farelo de soja
por amiréia até níveis de
30% na dieta de coelhos, segundo Correia et al.
(1995), foi efetiva no aumento dos coeficientes
de digestibilidade aparente da proteína
bruta (PB), energia bruta (EB) e fibra em detergente
neutro (FDN). Foram observados efeitos quadráticos
para os coeficientes de digestibilidade da PB
e EB, os quais apresentaram acréscimos
até níveis de substituição
de 35 e 26% respectivamente, e decréscimos
para os níveis subseqüentes. O aumento
da digestibilidade da FDN possivelmente esteja
associado ao aumento de nitrogênio fornecido
aos microrganismos cecais, aumentando, conseqüentemente,
a digestão da fibra. Resultados diferentes
desses foram encontrados no trabalho de Teixeira
et al. (1987) e Teixeira et al. (1988a), conduzido
com coelhos, em que os coeficientes de digestibilidade
aparente da matéria seca, proteína
bruta e energia bruta de rações
contendo amiréia 45S não foram diferentes
daqueles obtidos para a ração basal
(sem amiréia). |
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5.
Uso da amiréia na alimentação
animal |
No
aspecto nutricional, a amiréia é
classificada como um suplemento nitrogenado, em
que praticamente todo o nitrogênio é
oriundo da uréia, ou seja, de uma fonte
de nitrogênio não-protéico
(NNP). Dessa maneira, o uso da amiréia
está restrito ao nível de nitrogênio
não-protéico na dieta dos animais
ruminantes. As exigências nutricionais diárias
estabelecidas como proteína bruta podem
ser atendidas em torno de 33 a 35% por fontes
de nitrogênio solúvel e mesmo por
NNP, devidamente sincronizados com a disponibilidade
de energia, para uma melhor eficiência na
síntese de proteína no
rúmen.
Assim, por se tratar de um produto com liberação
lenta de amônia, pode-se utilizá-la
na dieta dos ruminantes, visando à maximização
e uso adequado do ecossistema ruminal. É
necessário uma adequada alimentação
dos animais, quanto aos níveis de energia,
minerais e carboidratos solúveis, proporcionando
a maximização do crescimento microbiano
no rúmen, ideal para a manutenção
da saúde do animal, e, conseqüentemente,
um aumento no consumo de matéria seca,
maior crescimento e produção.
O nível de amiréia a ser usado nas
dietas eqüivaleria à quantidade necessária
para atender às exigências de nitrogênio
solúvel ou NNP. A literatura tem mostrado
a viabilidade de se usar amiréia em dietas
de bezerros (as), novilhas, vacas secas, vacas
em lactação, bovinos de corte em
pastejo, nas fases de cria, recria e terminação,
cavalos e coelhos.
A amiréia pode ser utilizada em rações
concentradas, como componente dessas dietas, em
sal mineral e misturas múltiplas. |
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5.1
Amiréia para coelhos |
Diversos experimentos foram realizados no Brasil
utilizando coelhos em crescimento para verificar
a viabilidade de substituição
do farelo de soja pela amiréia 45S. Embora
os coelhos sejam dotados de um ceco funcional
e pratiquem o consumo subseqüente dos conteúdos
cecais pela cecotrofagia, a utilização
da uréia exógena pura por esses
animais é inadequada, por causa dos seguintes
aspectos: a capacidade da uréia em atingir
a parte inferior do trato gastrointestinal é
mínima, uma vez que ela é hidrolisada
e absorvida na forma de amônia no intestino
delgado, sem, entretanto, atingir o ceco, tornando-se
tóxica (Cheeke, 1987 citado por Correia
et al., 1994); a sensibilidade dos coelhos à
qualidade protéica (carência de
aminoácidos essenciais), e a baixa palatabilidade,
que diminui o consumo, provocando, conseqüentemente,
um baixo desempenho.
Além disso, Robinson et al. (1987), citados
por Correia (1992), compararam a habilidade
de coelhos jovens com coelhos adultos em utilizar
a uréia e sua respectiva influência
sobre a fermentação cecal, concluíram
que coelhos em crescimento parecem utilizar
a uréia mais eficientemente que os animais
adultos, pois aquela categoria apresentou um
ganho de peso ligeiramente superior a esta,
quando alimentados com uréia, se comparada
à dieta com farelo de soja.
Em um estudo conduzido com coelhos da raça
Nova Zelândia Branca, Correia et al. (1994)
avaliaram os efeitos da substituição
do farelo de soja por 0, 15, 30, 45 e 60% de
amiréia (45S) sobre o desempenho e características
de carcaça. A amiréia propiciou
reduções lineares no consumo e
ganho de peso. Com exceção do
peso ao abate, as demais características
de carcaça (rendimentos de corte e carcaça)
não foram influenciadas pela substituição,
resultados esses já observados anteriormente
por Teixeira et al. (1988c) e Maia et al. (1987b).
No entanto, Maia et al. (1987c) e Teixeira et
al. (1988d) encontraram resultados de desempenho
que demonstram a viabilidade da substituição
do farelo de soja por amiréia 45S até
o nível de 50%, em rações
de coelhos mestiços (Nova Zelândia
x California) em crescimento.
Trabalhando com coelhos em crescimento, Teixeira,
Falco e Santos (1990) substituíram o
farelo de soja pela amiréia 45S suplementada
com lisina + metionina, em níveis de
50 e 100%. Os autores concluíram que
o ganho de peso e o consumo de ração
foram diminuídos, tanto para o nível
de 50% (315 e 245,1g respectivamente), quanto
para o nível de 100% (516 e 976,6g respectivamente).
Com as mesmas condições experimentais,
Teixeira, Falco e Vilela (1990) encontraram
rendimentos de carcaça iguais a 56, 53
e 54%, para as dietas basal, 50% e 100% de substituição
do farelo de soja por amiréia, respectivamente.
A importância central do ceco em coelhos
reside na cecotrofagia, indispensável
ao equilíbrio nutricional do animal,
que permite não só a utilização
de proteína de baixa qualidade e de nitrogênio
não-protéico, como também
o aproveitamento de celulose, por meio da presença
de atividade celulolítica nos conteúdos
cecais. Segundo Teixeira, Falco e Soares (1990),
ao utilizarem a amiréia 45S em substituição
(50 e 100%) ao farelo de soja, em dietas de
coelhos em crescimento, foram encontrados comprimento
de ceco para animais com 72 dias igual a 42,7
cm (50% de substituição) e 41,4
cm (100% de substituição), contra
43,6 cm (dieta-controle). No entanto, as diferenças
não foram significativas. O pH do conteúdo
cecal para as dietas basal, 50% e 100% foi 6,5;
6,6 e 6,8, respectivamente. Teixeira et al.
(1988a) também não encontraram
diferenças significativas para o comprimento
e peso do ceco de coelhos alimentados com dietas
contendo amiréia em níveis de
0, 15, 30 e 45% de substituição
ao farelo de soja.
À medida que se aumentam as quantidades
de amiréia na dieta de coelhos, é
aumentada também a excreção
de nitrogênio na urina; fato esse que
foi confirmado por Teixeira et al. (1988a) e
Teixeira et al. (1987), inferindo- se que grande
parte do nitrogênio absorvido foi excretado
na forma de uréia na urina.
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5.2
Amiréia para eqüinos |
A
habilidade dos eqüinos para utilizar uréia
foi estabelecida por Slade, Robinson e Casey (1970),
que observaram um aumento na retenção
de nitrogênio em pôneis e cavalos
adultos alimentados com dietas deficientes em
proteína suplementadas com uréia.
No Brasil, Furtado (1991) comparou níveis
de adição de uréia (0, 1
e 2%) no concentrado, utilizando potros entre
12 e 18 meses de idade. A adição
de uréia aos concentrados não afetou
os coeficientes de digestibilidade da matéria
seca, matéria orgânica, energia bruta,
proteína bruta e consumo de matéria
seca; portanto, não foi detectado redução
na palatabilidade da dieta. Foi verificado também
um aumento na digestibilidade da fibra em detergente
neutro, da fibra em detergente ácido e
da hemicelulose para os concentrados com adição
de uréia.
Por meio de algumas pesquisas realizadas com pôneis
e cavalos adultos, alimentados com dietas de baixo
teor protéico com adição
de uréia, demonstra-se uma retenção
de nitrogênio negativa, inferindo-se que
os eqüinos adultos não conseguem utilizar
com eficiência o nitrogênio nãoprotéico
(Martin et al., 1996). Recentemente, Martin et
al. (1996) avaliaram dietas com baixo teor protéico
suplementadas com uréia ou com farelo de
soja, utilizando cavalos adultos, concluíram
que a adição de uréia poderá
ter
algum benefício nutricional para cavalos
alimentados com dietas sem proteína ou
em dietas que contenham alta proporção
de aminoácidos essenciais, mas deficientes
em aminoácidos não-essenciais.
Apesar de os resultados das pesquisas que utilizaram
uréia para eqüinos serem contraditórios,
a amiréia 45S poderá apresentar
resultados satisfatórios, em razão
de algumas de suas vantagens, já citadas
anteriormente, em relação à
uréia.
Assim, Araújo et al. (1999) estudaram a
substituição da proteína
do farelo de soja pela amiréia 45S no desempenho
de potras em crescimento. O consumo de matéria
seca total foi linearmente reduzido com o aumento
da substituição do farelo de soja
pela amiréia 45S (5,80; 5,71; 5,62; 5,32
e 5,13 kg/dia), para os níveis de substituição
de 0, 25, 50, 75 e 100%, respectivamente.
Essa redução pode ser explicada
pela diminuição na palatabilidade
da dieta, uma vez que o processo de extrusão
da uréia com o amido não melhorou
a palatabilidade da uréia.
O ganho de peso médio diário também
foi reduzido de forma linear, à medida
que aumentou a porcentagem de amiréia 45S
no concentrado (478,6; 578,4; 486,0; 397,4 e 359,6
g/dia), para os níveis de substituição
de 0, 25, 50, 75 e 100%, respectivamente. Por
esses resultados, deduz-se que potras em fase
de crescimento não conseguem utilizar eficientemente
o nitrogênio não-protéico,
mesmo na forma de amiréia 45S e com as
exigências de lisina sendo supridas.
Para animais ruminantes adultos, a amiréia
fornece energia mais prontamente disponível
aos microrganismos do rúmen, e permite
converter mais amônia em proteína
microbiana, quando comparada com a simples mistura
da uréia ao concentrado (Bartley e Deyoe,
1975). Nos eqüinos, esperava- se que a uréia
presente na amiréia fosse liberada mais
lentamente no intestino delgado, para que a absorção
ocorresse também de forma mais lenta, favorecendo,
assim, sua chegada ao fígado para síntese
de aminoácidos não-essenciais, ou
seu retorno ao ceco e cólon, contribuindo
para síntese de proteína microbiana.
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5.3
Amiréia para bovinos de corte |
A
suplementação protéica é
muito importante para a bovinocultura de corte,
em que os animais são criados em regime
de pastejo, necessitando de nutrientes que a pastagem
não fornece em quantidades suficientes
para uma boa conversão alimentar e ganho
de peso, o que resulta em lucros para o criador.
Com o objetivo de avaliar a utilização
da amiréia 150S como suplemento protéico
para bovinos em pastejo de Brachiaria decumbens,
Teixeira et al. (1998) utilizaram 125 animais
mestiços e castrados, distribuídos
em cinco tratamentos, que se baseavam na suplementação
com sal mineral e sal mineral com uréia,
uréia + raspa de mandioca, amiréia
150S (1:1) e amiréia 150S (1:2). O ganho
de peso dos animais foi 227,7; 275,9; 264,9; 244,1
e 412,2 g/dia/animal para os tratamentos 1, 2,
3, 4 e 5, respectivamente, concluindo os autores
que a amiréia 150S é eficiente na
suplementação de bovinos de corte
em pastejo.
Por outro lado, para animais em regime de confinamento,
as rações fornecidas são
oriundas da combinação de diferentes
alimentos, mas o custo dos concentrados dificulta
a prática; portanto, esse fato implica
na procura de ingredientes que proporcionem combinação
adequada com maior economia.
Os farelos protéicos naturais, como os
de algodão, soja, amendoim e girassol,
são eficientes na suplementação
protéica, mas possuem a desvantagem de
ter custo mais elevado por unidade de nitrogênio
que as fontes de nitrogênio não-protéico,
como a uréia e amiréia. Também
com objetivo de avaliar o desempenho de bovinos,
porém, em confinamento, Seixas et al. (1999)
utilizaram rações suplementadas
com concentrados protéicos à base
de farelo de algodão, uréia ou amiréia,
tendo como volumoso a silagem de milho. O confinamento
teve duração de 80 dias, e não
foram observadas diferenças no ganho em
peso vivo diário, conversão alimentar,
ingestão de matéria seca, ingestão
de proteína bruta e conversão protéica,
no período total. O uso de amiréia
em confinamento de bovinos pode ser uma alternativa
para a melhoria no desempenho animal, em especial
nos primeiros 40 dias de confinamento. |
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5.4 Amiréia para bezerros(as)
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No
Brasil, a maioria dos bezerros de origem leiteira
ainda não é utilizada para o corte,
sendo sacrificada ao nascer, desperdiçando-se
uma fonte de renda. O grande potencial do bezerro
proveniente do rebanho leiteiro, para produção
de carne, deixa de ser explorado pelos produtores,
com a finalidade de poupar o leite produzido na
propriedade, destinando-o à venda.
Os bezerros, ao nascimento, são considerados
pré-ruminantes e permanecem nessa condição
até a desmama. Algumas técnicas
de manejo têm antecipado a idade de transformação
dos animais em ruminantes, e isso tem permitido
a utilização de alimentos que normalmente
são usados para animais adultos, especialmente
a uréia, como pode ser comprovado em vários
trabalhos de pesquisas realizadas (Nelson, 1970;
Veira e Macleod, 1980).
Nas condições brasileiras, a criação
de bezerros de rebanhos leiteiros baseia-se, principalmente,
na alimentação com concentrados,
cuja fração protéica tem
um alto custo. Torna-se, pois, importante dispor
de alternativas viáveis com vistas a minimizar
o custo, promovendo o aproveitamento de bezerros
oriundos de rebanhos leiteiros para produção
de carne.
Teixeira et al. (2000) avaliaram o desempenho
de bezerros machos leiteiros, com idade inicial
de 21 dias, alimentados com dietas à base
de amiréia 45S. Os tratamentos testados
visavam à substituição (50%
e 100%) do farelo de soja no concentrado, por
amiréia 45S ou raspa de mandioca + uréia.
O ganho de peso diário, o consumo de concentrado,
o consumo de volumoso e a conversão alimentar
dos bezerros foram semelhantes entre as diferentes
fontes de proteína (nitrogênio).
Os autores concluíram que a utilização
de amiréia 45S, em níveis de até
17,4% do concentrado, não afeta as características
de desempenho, demonstrando ser uma fonte protéica
viável, quando comparada ao farelo de soja,
no aproveitamento do macho leiteiro para produção
de carne. Não se encontram na literatura,
ainda, dados de experimentos realizados com bezerras
criadas para leite. |
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5.5
Amiréia para bovinos de leite |
As
demandas mais altas de proteína no leite,
em relação aos outros constituintes,
têm aumentado a importância da proteína
dietética e do suprimento energético
para o animal e para a população
microbiana ruminal.
A proteína microbiana supre de 59 a 81%
do total de proteína verdadeira que chega
ao duodeno de vacas leiteiras. Ela contém
uma média de 66% de nitrogênio total
e, é rica na maioria dos aminoácidos
essenciais para síntese da proteína
do leite. Os aminoácidos lisina e metionina
são considerados, em muitas rações,
os mais limitantes para a produção
de leite. As concentrações de lisina
e metionina na proteína microbiana são
6,9 e 4,12% respectivamente. Esses valores são
mais altos que aqueles de alguns suplementos protéicos
ricos em lisina, e são duas vezes mais
altos que os suplementos protéicos considerados
ricos em metionina (Mabjeesh et al., 1997).
Assim, a alimentação de bovinos
leiteiros deve ser manejada de forma a aumentar
a eficiência de utilização
do nitrogênio ou amônia pelos microrganismos
do rúmen. Fundamentando-se nisso, Teixeira,
Oliveira e Barcelos (1991) avaliaram o desempenho
de vacas leiteiras em lactação,
alimentadas com dietas contendo diferentes fontes
protéicas: farelo de algodão, farelo
de soja, amiréia 29S e amiréia 44S.
Os autores concluíram que a ingestão
de matéria seca e proteína, produção
de leite corrigida ou não para 4% de gordura
e o teor de gordura no leite não diferiram
entre os tratamentos, sugerindo-se, com base nesses
resultados, a possibilidade da utilização
de amiréia 44S ou 29S na dieta de vacas
leiteiras, sem problemas de desempenho e aceitabilidade
das dietas. |
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IV
– CONCLUSÕES |
Novos
estudos devem ser realizados, tanto com ruminantes
quanto com monogástricos, utilizando-se
outras fontes energéticas e principalmente
de volumosos, assim como a avaliação
de amiréia quanto ao nitrogênio reciclado
e à taxa de absorção de amônia
no rúmen, produção de microrganismos,
proteína no leite, uréia no leite,
características de carcaça em bovinos,
entre outras variáveis de igual importância. |
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V
– REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS |
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