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17/08/2020
Imagem: BrianAJackson, de envatoelements Imagem: BrianAJackson, de envatoelements

Sobras de alimento espalhadas pelo chão da granja? É sinônimo de prejuízo, é claro, mas existe outro tipo de desperdício que impacta diretamente na rentabilidade do produtor e, pior que isso, na conversão alimentar dos animais. Estamos falando de eficiência alimentar. Será que os frangos ou suínos da sua granja estão absorvendo todos os nutrientes presentes na ração?

Custos de produção, metabolização dos alimentos e sustentabilidade
Aumentar a eficiência alimentar dos suínos ajuda a diminuir os custos de produção de forma direta e indireta.  A pecuária brasileira vive o desafio de melhorar a metabolização da dieta dos animais, reduzindo o impacto ambiental dos sistemas de produção e facilitando a absorção dos nutrientes. Os trabalhos nesse sentido têm como objetivo diminuir os fatores antinutricionais.

Suínos: desperdício de milho, soja e nutrientes
Uma pesquisa desenvolvida pela  Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo avaliou os o custos e o impacto ambiental da ineficiência alimentar de suínos. A partir de coletas semanais de amostras dos efluentes de 80 animais, observou-se que 28,11% da proteína bruta e 41,32% do extrato etéreo consumidos foram excretados por animal durante o período de avaliação.  Um suíno consome, em média, 185 kg de ração dos 63 aos 147 dias de vida, o que significa um consumo de proteína bruta de 28,7 kg por animal no período.  Portanto, a excreção de proteína seria de 8,08 kg por animal. Um suíno, nesta fase, desperdiça o equivalente a 11,30 kg de farelo de soja e 38,54 kg de milho do montante consumido, além de outros nutrientes, como cálcio e fósforo.

Prejuízo financeiro
Segundo informações da Embrapa Suínos e Aves, a nutrição corresponde a 80% do custo de produção do suíno. No Brasil,  os prejuízos associados à produção de suínos em 2019 atingem a ordem de 1,8 milhão de toneladas de milho e mais de 523 mil toneladas de farelo de soja excretados nos efluentes. E entre janeiro e maio de 2020, foram perdidos mais de US$ 178,5 milhões em farelo de soja e US$ 267 milhões em milho.

Quantidade não é sinônimo de qualidade
Em relação à as aves, as necessidades nutricionais têm como base os níveis energéticos dos regimes e dependem muito do patrimônio genético. O manejo da ambiência interfere diretamente no consumo de ração. Além disso, o consumo de ração é influenciado pelo teor de proteínas. Quando o teor proteico está ligeiramente abaixo do ideal, o consumo de ração tende a aumentar.

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Palavra do especialista: manejo da alimentação
De acordo com o médico veterinário Otávio Conde, as aves precisam se alimentar bem por uma questão de saúde intestinal. Ele explica que é comum haver desperdício de ração dentro dos aviários na forma de alimentos esparramados pela cama, e que isso compromete o desenvolvimento dos animais. “O alimento deve estar no papo das aves ou dentro dos comedouros. Muitas vezes observamos a disponibilidade de equipamentos inadequados. Os pratos devem estar bem distribuídos e em quantidade satisfatória dentro dos aviários”, diz o especialista. Os comedouros devem estar localizados na área de recepção das aves e preenchidos por 90% de alimentos, para que, chegando aos aviários, os animais tenham fácil acesso ao alimento. “Sabemos que quanto maior o peso da ave aos sete dias de vida, maior será seu intestino o ao longo da vida produtiva e melhor será a absorção dos nutrientes”, diz Otávio.

Mudanças de acordo com a idade do lote
É importante cuidar da quantidade e da altura dos pratos de ração nos aviários. “Na primeira semana o prato deve estar enterrado com 90% de ração, na segunda semana, enterrado com 70% de ração e, na terceira semana, o prato deve estar na altura do pescoço das aves para que não precisem esticar o pescoço. A quantidade de ração não deve ultrapassar os 30% para que as aves não desperdicem alimento”, orienta Otávio.

fonte: Canal Rural