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21/08/2019
Imagem retirada de https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/economia/2019/08/animais-domesticos-quanto-impactam-no-orcamento-domestico.html Imagem retirada de https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/economia/2019/08/animais-domesticos-quanto-impactam-no-orcamento-domestico.html

Ração, acessórios, vacinas, medicamentos, tosa. Quem cuidou de algum animal de estimação sabe o quanto os gastos para mantê-lo podem representar um percentual bem alto das despesas familiares. Prova disso é o resultado de estudo realizado recentemente pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) para a Comissão de Animais de Companhia do SINDAN - Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (COMAC) apontando que os gastos das famílias brasileiras com tratamento de animais domésticos, em 2018, somaram R$ 11,9 bilhões. Sudeste e Centro-Oeste foram as regiões detectadas onde as famílias comprometem maior percentual da renda com tratamento de animais de estimação: cerca de 4,5% em média.

Com 11 gatos, cinco cães e cinco peixes em casa, a arquiteta Silvana Farias é um exemplo do quanto este comprometimento do orçamento doméstico é real. Mesmo comprando rações no Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco (Ceasa), com preços mais acessíveis, apenas com este item ela desembolsa, em média, algo em torno de R$ 350 por mês. Os gatos ainda recebem alimento úmido (patê) por serem mais propensos a desenvolverem problemas renais. Para um deles, inclusive, com problema urinário, a ração é especial e mais onerosa: R$ 90 um pacote de 2kg que dura o período de um mês. Além disso, trimestralmente, são utilizados ainda R$ 80 para tosa. Anualmente, entram também nas despesas os custos com as vacinas (R$ 150 para os cães e R$ 350 pros gatos). “Isto porque temos uma veterinária que as aplica a preço de custo” relata. Apesar disso, entretanto, a dedicação aos pets vai além dos muros da sua casa. Junto com outras vizinhas, ela alimenta mais quatro gatos abandonados – embora castrados – que vivem em sua rua. O motivo? Amor desmedido pelos animais. “Tanto eu quanto meu marido, Carlos, já gostávamos deles antes de nos casarmos. Depois disso, à medida que foram aparecendo em nosso caminho, resgatamos e não conseguimos doar. Nossa filha Ísis, de oito anos, já nasceu no meio deles e os ama ainda mais do que nós. Mesmo que tenhamos que fazer algumas economias, como deixar de viajar, por exemplo, o amor que existe entre nós - bichos e pessoas - é imenso, compensa qualquer gasto e elimina todo tipo de stress”, afirma a arquiteta que ainda tem, na parede da sala, uma espécie de árvore genealógica familiar, um porta-retratos dos entes felinos e caninos.

Se a família de Silvana já é numerosa, a de Márcia Silva, nome fictício, faz com que ela tenha motivos para não se identificar. “Mãe” de 60 animais, dentre gatos e cachorros, ama cada um dos devidamente nomeados bichanos. Teme, entretanto, que seu gesto de adoção acabe acarretando a chegada de mais animais dos quais não poderia cuidar. Afinal, a família composta por ela e por integrantes como os cães Zezinho, Margarida, Lua, Janes, Tikira, Teka, Layla, Yuri, Penélope, Paçoca e os gatos Coquinha, Gal, Tigrinha, Mayo e Fly - para citar alguns – já acarreta em um gasto médio, apenas com ração, de R$ 1.300 por mês. “Isto porque compro diretamente da fábrica, o que me traz uma economia de cerca de 30%. São aproximadamente 120 kg de ração de cachorro e 70 de gato (por causa dos filhotes e mães que estão para adoção, se não seriam 60kg)”, explica. A cada quatro meses, ela ainda gasta R$ 600 de vermifugação. As vacinas anuais são obtidas a preço de custo e respondem por mais R$ 1800 no orçamento anual. “Cuidar de muitos animais é um trabalho infinito, a gente passa o tempo todo limpando, cuidando, alimentando, mas a alegria que nos trazem é inexplicável! O amor incondicional, a dependência emocional e os laços que criamos com eles, não há dinheiro que pague”, afirma.

Márcia, que lida com a causa animal há alguns anos, afirma que as taxas médias que se costuma pagar pelos serviços destinados aos animais variam, considerando extremos, da seguinte forma: consultas (R$ 60 a R$ 150); internação (R$ 40 a R$ 260 a diária) castração (R$ 80 a R$ 1500) e vacina importada (R$ 50 a R$ 150) e banho (R$ 40 a R$ 100).

Serviços estes que representam a modificação do comportamento do mercado veterinário de pequenos animais no Brasil nos últimos anos. A pesquisa Radar Vet 2018, também realizada pela COMAC por meio de entrevistas com veterinários, gestores de clínicas, consultórios e hospitais traz um dado interessante sobre este segmento: 73% dos estabelecimentos veterinários do Brasil são microempresas e 68% possuem atividade mista. Isto significa que são espaços onde também funcionam pet shops. Esta configuração proporciona uma oferta de serviço ampliada que inclui a comercialização de medicamentos e ração. “Desta forma, o proprietário consegue ganhos efetivos e essa sinergia ainda favorece a profissionalização do negócio e a experiência de compra do consumidor”, afirma Cristiano Sá, coordenador da COMAC. Atualmente, 74% das clínicas veterinárias já realizam exames de diagnóstico e 70% têm serviço de banho e tosa. Além disso, 83% delas atendem especialidades, 79% emergências e 53% fazem atendimento domiciliar.

A veterinária Alessandra Melo, 47, da Clínica Animania, no bairro da Torre, segue esta tendência de mercado em seu estabelecimento oferecendo serviços de consulta, cirurgia, tosa, banho, internamento, coleta de exames e venda de produtos. “Desde o início, há 15 anos, sempre percebi que este seria o formato. Isto porque os clientes preferem fazer tudo – exames, compras, consultas - em um só lugar já que transportar animais é mais difícil, principalmente se estiverem doentes”, afirma. Em sua clínica, 70% do movimento é para o setor de serviços enquanto 30% do vendas. Com três sócios e uma veterinária terceirizada, o espaço atende clientes não apenas da região, mas de localidades como Porto de Galinhas, Itamaracá ou Caxangá. Por isso, é ainda maior a necessidade de uma experiência integrada. Apesar de ter, nos últimos quatro anos, enfrentado a retração do mercado, o momento atual é de lento e gradual aquecimento. “Com a crise, muita gente optou por fazer procedimentos como banho e tosa em sua própria residência. Além disso, a ração com preço mais acessível do que a “top” passou a ter uma procura muito maior. De maneira geral, o consumidor está mais cauteloso. Agora, nosso investimento será na ampliação do internamento e dos horários de atendimento”, detalha. A clínica passou, recentemente, a abrir também aos domingos. O horário de funcionamento é das 8h às 17h30 de segunda a sexta, e das 8h às 18h aos sábados e domingos.

Ainda de acordo com a pesquisa COMAC, o mercado de saúde animal pet fechou o ano de 2018 com um crescimento de 21%, fortemente impulsionado pelas categorias: ectoparasiticidas (31%), biológicos (18%), e terapêuticos (12%), lembrando que o crescimento do ano anterior foi de 14%.

Sobre a COMAC – A Comissão de Animais de Companhia do SINDAN - Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal, criada em 2007, tem por objetivo tratar dos assuntos ligados ao mercado de animais de companhia (cães e gatos).

fonte: Diário de Pernambuco

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