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28/09/2018
Imagem retirada de http://atarde.uol.com.br/muito/noticias/1996879-trabalho-amoroso-babas-de-pet-ganham-espaco-em-salvador-como-uma-alternativa-aos-hoteis-para-animais Imagem retirada de http://atarde.uol.com.br/muito/noticias/1996879-trabalho-amoroso-babas-de-pet-ganham-espaco-em-salvador-como-uma-alternativa-aos-hoteis-para-animais

Maristela Pereira precisava viajar, mas um detalhe a angustiava: não tinha com quem deixar o casal de chihuahuas Eddy e Prince. É que, para ela, assim como para dezenas de outras pessoas, deixar os bichinhos seguramente amparados não é um detalhe, mas um definidor. Com essa pendência, negócio desfeito, viagem cancelada.

Foi num desses feriados que ela conheceu Vitória Oliveira e Thalita Perrone, hoteleiras e babás de gato e cachorro – os termos ‘cat e dog sitter’, assim, em inglês mesmo, nomeiam a atividade. “Já deixei até de fazer um cruzeiro porque não tinha com quem deixar meu cachorrinho”, lembra Thalita.

Por R$ 40 ao dia, Vitória e Thalita visitavam os animais na casa de Maristela. E mais do que isso: limpavam o espaço, davam comida e, entre os itens mais caros, carinho e atenção. “Depois que acabou, eles sentiram tanta saudade que ficaram meio deprimidos, sem querer comer... Ficam apegados. Tivemos que ir lá fazer uma visita para que eles parassem com a birra”, brinca Vitória.

Para Maristela, a experiência foi melhor do que a que teve com hotéis de cachorros, que não davam a atenção que ela julgava necessária. “Elas me mandavam fotos deles todos os dias, sempre davam notícias, tomavam o cuidado de me manter informada”.

Para quem não tem tempo de passear com os cachorros, elas também trabalham como ‘dog walkers’ – em inglês, de novo. Por R$ 15 ao dia ou R$ 50 por semana, perambulam com os caninos por 50 minutos, sempre em locais seguros. “Já fizemos na praia, parques, mas cachorros de raça são muito visados para sequestro, então, preferimos fazer em condomínios ou outros locais com segurança”, diz Thalita.

Além de evitar que os animais fiquem na solitária, ter alguém para acarinhá-los no meio do expediente evita até aquelas surpresinhas já conhecidas por quem cria bichos domésticos: sapatos mastigados, almofadas rasgadas e sofás arranhados. “Aqui no prédio tem um cachorro que passa o dia sozinho, ele late, chora. Eles ficam entediados e, até para se distrair, acabam destruindo móveis”, conclui Thalita.

A dupla conta que, no início, o trabalho era mais um hoppy-terapia. A pedido de amigos, visitavam e hospedavam os bichinhos em casa de graça – e, garantem, se alegravam com os encontros tanto quanto eles. Novos pedidos foram chegando na divulgação boca a boca, tantos que já estava difícil conciliar com o emprego. A solução apareceu com o tempo: Vitória deixou o antigo trabalho para, finalmente, abraçar a profissão – tão querida.

Atrás de consolidar a clientela, entrou no DogHero, uma plataforma que funciona como um site de buscas de hospedagem. O anfitrião se cadastra, faz um curso online obrigatório e já está apto a receber cães. Seguindo o mesmo princípio, o site Pet Anjo oferece um serviço parecido, aberto para cães e gatos. “É bom porque mais pessoas conhecem o trabalho. Também criamos laços fora do aplicativo, clientes que nos conheceram por meio de indicações”, diz Vitória.

Hospedagem de luxo
Pelo mesmo aplicativo, a economista Ana Rosa Rizzuto transformou a paixão pelos animais em negócio. Acabou conquistando clientes tão fiéis que decidiu seguir sozinha, sem a mediação – e custos – do site. “Hoje eu vivo disso”. Quando o trabalho é na casa dos clientes, faz questão de instalar uma câmera de segurança, tanto para se preservar de possíveis problemas quanto para que o dono sempre consiga vigiar o bichinho, mesmo de longe. “Me sinto mais segura porque também posso ver o animal quando não estou lá, e a pessoa  fica com a certeza de que a residência está protegida”.

Ao entrar na casa de Ana Rosa, o visitante é recebido por um animal. No caso, foi um buldogue-francês. Cada detalhe do espaço parece a materialização do paraíso canino. A residência é telada e a área destinada aos bichos é dividida em cômodos: tem quarto com caminhas e brinquedos, um vão com uma piscina de bolinhas e um ofurô para eventuais banhos, quando necessário, e uma área verde.

Lá Ana Rosa e o adestrador Magno Santos coordenam uma creche para cachorros, onde aprendem desde pequenos truques como fazer xixi no lugar certo a  socialização com outros cães. “Todos os cachorros que chegam têm que passar por um teste de adaptação para sabermos se é agressivo ou não, e se está apto a vir para a creche. A gente também faz exames com uma veterinária parceira que avalia a arcada dentária, ouvido, olhos, genitais, pele e faz um hemograma”.

Outra preocupação é se há alergias, histórico de cirurgias e se as vacinas já foram tomadas. “Funciona como uma segunda casa, a gente precisa saber de tudo para replicar a rotina deles aqui. Se houver qualquer alteração de comportamento, a gente avisa ao proprietário”. As diárias vão de R$ 70 a R$ 90.

Confiança
Clarissa Pires mostra a quantidade de mensagens trocadas diariamente com os clientes via WhatsApp. Em cada visita, que dura 1h30 e custa R$ 40, mostra como estão seus filhos felinos. “Normalmente, com gato a gente prefere ir visitar. Eles não gostam de ser mudados de território, ficam perdidos, assustados. É uma relação de muita confiança, a pessoa me dá a chave da casa dela”.

Anexo à residência de Clarissa, a clínica veterinária da irmã dela  dá uma segurança a mais a quem decide hospedar o animal ali. “Até banho a gente dá se o dono quiser, mas cobra um valor à parte”, lembra. Também atua como protetora independente e, sempre que pode, resgata animais abandonados. “Cuidamos, castramos e depois levamos para adoção”.

Adriana Andrade, autointitulada ‘a menina dos gatos’, descobriu a profissão de ‘cat sitter’ no tempo em que morou nos Estados Unidos. “Lá isso é muito comum. Na casa onde eu vivia tinha uma ‘cat sitter’, foi assim que eu conheci. Quando voltei para cá, já sabia que era isso o que eu queria fazer”. Desde então, clama ser a primeira ‘cat sitter’ do Norte-Nordeste. “Quando comecei, só tinha um no Brasil, em São Paulo. Resolvi trazer isso para cá porque vi que há uma real necessidade em ter alguém  quando a gente viaja”.

E o negócio tem feito sucesso. De 2012 para cá, juntou 39,1 mil seguidores no Instagram e, além de cuidar dos bichanos, tem uma loja com produtos com motivos felinos como camisetas, relógios, carteiras e bonés. Sem hesitar, conta que já atendeu mais de 200 gatos. “Meus finais de semana e feriados são dedicados a cuidar deles, que é quando os donos viajam. Eu só consigo viajar no meio da semana”, brinca.

E para dizer que não falamos de hotéis, o gatil e canil AuauMiau Confort, em Lauro de Freitas, leva a sério o ‘confort’ do nome. Por R$ 45 ao dia ou R$ 150 ao mês – mais o valor da ração – os gatinhos experimentam vida de reis. Escadinhas, camas, ratos de plástico e suportes pendurados nas paredes são só alguns dos luxos do gatil. Para os cães, a hospedagem sai por, no mínimo, R$ 160, variando com o porte.

O que mancha esse espaço paradisíaco é uma realidade comum às cidades brasileiras: maus-tratos e abandono. Na maternidade do gatil, Fátima Almeida, uma das proprietárias, nos apresenta a uma gata e dois filhotes recém-nascidos jogados da janela do primeiro andar. “Eram quatro, mas só sobreviveram estes. O dono jogou porque a gata pariu no guarda-roupa”. Lá há 16 felinos adotados por ela com histórias parecidas. “Um deles tinha dona, mas estava hospedado aqui. Até que ela não quis mais pagar e me mandou deixá-lo na rua. Enquanto há gente que trata o animalzinho com amor, tem quem veja como um detalhe descartável”.

fonte: A Tarde