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16/08/2016

Luma Bonvino, da redação

luma@ciasullieditores.com.br

“Toda vez que você nutre melhor o animal e faz isso de uma maneira mais uniforme, com matérias-primas de alta propriedade, tem uma ação melhor em resposta frente aos agentes patogênicos, seja de maneira direta, no animal, ou indireta, na mesa do consumidor”. Assim afirma o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária de Suínos e Aves (Embrapa Suínos e Aves, Concórida/SC), Everton Krabbe, confirmando a importância entre os dois elos para a qualidade e quantidade de proteína animal tida hoje no Brasil.

A discussão vem em dia certo: 31 de março. O Dia da Saúde e Nutrição, estabelecido no calendário do Ministério da Saúde, chama a atenção para o desenvolvimento humano. Na outra ponta da cadeia, a preocupação é a mesma. Como o chavão orienta: “não somos o que comemos, somos o que os animais comem”, centros de estudos, empresas privadas e associações dão continuidade ao progresso de anos que a nutrição e a sanidade exercem nos animais de produção.

Programas de manejo, aperfeiçoamento genético, melhoria nos sistema de equipamentos, amplo conceito de biosseguridade, disseminação de informações, em conjunto, foram somadas às melhorias em meio aos marcos significativos na alimentação e no cuidado. “O uso de enzimas, por exemplo, foi um divisor de águas. Sua aplicação surgiu como opção para redução de custo, o que depois veio a agregar ao animal até na saúde, em questão de contaminação de carcaças”, diz Krabbe. O doutor em nutrição animal também adiciona o uso de ingredientes mais biodisponíveis, minerais orgânicos e quelatados com melhor absorção e controle de matéria-prima, frente às micotoxinas.

 

Segundo Everton Krabbe, a produção brasileira passa para um a nova realidade na área da saúde e nutrição, com elevados padrões de qualidade

 

Essas temáticas viraram máximas depois da intervenção do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA, Brasília/DF), conforme acredita o pesquisador: “Muitos produtores acharam isso um revés, no entanto, o ministério contribuiu fortemente em controle de processos, o que permitiu hoje uma minimização de riscos significativa no produto final”. As atribuições ele delega às Boas Práticas de Fabricação, conhecidas BPF, uma vez que a definição das normas para fabricação e comercialização, registro e fiscalização dos produtos destinados à alimentação animal é realizada pela Coordenação de Produtos de Alimentação Animal (CPAA), do Departamento de Fiscalização de Insumos Pecuários, da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA). Os estabelecimentos devem cumprir o que determina a Instrução Normativa nº 04/2007, no que se refere às BPF e condições higiênico-sanitárias das fábricas.

“Determinados processos foram adotados no Brasil essencialmente porque foi uma ação dos importadores, caso contrário, estaríamos atrasados em duas décadas”, acredita Everton Krabbe

Com parte da lição de casa feita, o mundo também contribuiu para alcançarmos níveis nutricionais e sanitários de excelência. Como potencial exportador, que hoje alcança com seus produtos mais de 150 países, o Brasil recebeu as missões. Uma visão externa de diversos ângulos produtivos que puderam trazer, de fora para dentro, crescimento e investimentos locais no setor. “Não tenho dúvida de que quem define o que quer comer é o cliente. Foi exatamente isso que aconteceu com o Brasil. Ao mesmo tempo que exportamos para países que necessitam de alimento, embarcamos também para mercados rigorosos, que exigem mercadoria de qualidade. Esse fato é bom para todos: para os que compram, o que eleva os níveis como um todo, independente do destino, e para o mercado interno, que passa a consumir alimentos embasados no mesmo processo de qualidade”, analisa Everton.

Para cumprir o check list, a rastreabilidade foi outro nome forte que apareceu no dicionário da indústria produtora. De acordo com o MAPA, ela representa a possibilidade de o consumidor conhecer “a vida pregressa” dos produtos e identificar os possíveis perigos à saúde coletiva a que foram expostos durante a sua produção e distribuição. Esses registros permitem identificar até mesmo a origem das matérias-primas e insumos utilizados na produção. É com esse conceito que corrobora o pesquisador: “validação da qualidade”. Os requisitos básicos à rastreabilidade, como documentação e registros, estão previstos no item 7.7 do Regulamento Técnico sobre as Condições Higiênico-sanitárias e de Boas Práticas de Elaboração para Estabelecimentos Elaboradores/Industrializadores de Alimentos.

Com tópicos como esses, na história da saúde e nutrição dos animais, foi que o Brasil tornou-se sinônimo de competividade. “Se não formos os melhores, estamos próximos do primeiro colocado. Se formos líderes do ranking, o segundo colocado está colado em nós”, simplifica Krabbe.

O que o futuro nos reserva. “Os próximos desafios nutricionais são relativos, pautados em cima de custo. Nesse momento é disponibilidade limitada de milho, por exemplo, que é a plataforma de produção na América. Mas há outros temas mais aprofundados. Um deles é o contínuo aproveitamento de nutrientes presentes nas dietas, e devemos conseguir isso por meio de biotecnologia, processamento de alimentos e equipamentos rápidos de análise para antever a variabilidade das matérias-primas”, comenta adicionando, sobre o último elemento, o tempo de perda. Se não identificada esse variabilidade é possível perder em aproveitamento do material ou em potencial de crescimento dos animais, caso ele não corresponda às expectativas. “Por isso a chamada nutrição de precisão. Esse é o desafio”, pondera.

A sanidade, por outro lado, é bem mais incerta. Os impasses podem acontecer hoje, amanhã, semana que vem ou nem acontecer. “Nunca teremos tranquilidade. O problema pode surgir a qualquer momento”, reforça Krabbe, com isso, a necessidade de estar na vanguarda do problema.

“O Brasil tem que reconhecer seu papel de protagonista no mercado internacional de carne. Não pode ver tendências e agir de forma reativa, temos que atuar antevendo os desafios”, conclui.