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06/09/2016
Imagem retirada de https://www.youtube.com/watch?v=SBAAjq5pV4k Imagem retirada de https://www.youtube.com/watch?v=SBAAjq5pV4k

Osvaldo e Mirtes têm filhos adultos – e, para cada um que saiu de casa, eles adotaram um bichinho para afastar a síndrome do ninho vazio. Com isso, Apolo, um boxer de 7 anos, foi ganhando companheiros. Primeiro chegou a Melissa, uma gatinha madura e carinhosa (hoje com 9 anos), depois Sofia, uma cachorrinha sem raça, bastante sapeca, que acaba de completar 3 anos. Por último, o dengoso Tito, cãozinho também sem raça de 5 anos de idade. A casa continua cheia e ficou ainda mais no dia da festa de abertura da Olimpíada. A família e muitos amigos se reuniram e prepararam um grande churrasco na casa do casal, com direito a picanha, linguiça, queijos, farofa e tudo mais.

No dia seguinte, para surpresa de Osvaldo, o quintal tinha algumas poças de vômito com conteúdo alimentar que não parecia ração. Pensou que, provavelmente, algum dos cães havia comido o que não devia durante a festa. Mas ele não sabia identificar quem havia sido. Resolveu esperar e observar. Na hora da comida, como de costume, todos vieram correndo até a lavanderia à espera da refeição. Tito, o último a entrar para a família, apenas cheirou o alimento e desistiu de comer. A cena se repetiu no almoço e no jantar também, o que deixou o casal preocupado. No domingo de manhã havia mais vômito no quintal, e Tito, normalmente carinhoso, estava arredio. Não permitia nenhuma carícia. O casal decidiu rumar para um hospital veterinário.

Tito já apresentava desidratação e o comportamento arredio se devia à dor que sentia na região do abdome. Após o atendimento emergencial e os exames, o cão ficou internado para a devida monitorização e tratamento por causa de uma pancreatite aguda. O diagnóstico assustou Mirtes – que, até então, não via problema em agraciar seus pets com alguns petiscos extras nos dias de festa. Ela não sabia que a pancreatite é uma doença comum em cães e gatos e que, em casos extremos, pode matar.

A doença se caracteriza pela inflamação do pâncreas, órgão que produz insulina e enzimas digestivas. Pode causar vômito, diarreia e dor abdominal em cães e gatos, além de sintomas menos específicos, como falta de apetite, apatia, perda de peso, o que dificulta um pouco o diagnóstico final nos bichanos. Esses casos exigem histórico de saúde, exame físico completo, exames laboratoriais e ultrassonografia abdominal. O teste rápido de lipase pancreática específica para a espécie também tem grande importância diagnóstica. A forma aguda da doença é uma emergência médica – se não tratada a tempo, pode levar à morte em poucos dias. A forma crônica é mais branda e muitas vezes passa despercebida, sem ser tratada. No longo prazo, pode causar diabetes ou insuficiência pancreática exócrina, que interfere na produção das enzimas digestivas.

A pancreatite aguda tem maior frequência em cães de raças pequenas, como terriers, enquanto a forma crônica em cães de raça cocker spaniel, collie, boxer e cavalier king charles. Nos gatos, os mestiços e os siameses são os mais afetados. O tratamento é sintomático e exige cuidado médico intensivo e adequado com fluidoterapia, analgésicos, antibiótico, medicações de suporte e manejo nutricional. Exames que avaliem os sinais vitais e aspectos laboratoriais devem ser repetidos com frequência até a completa estabilização do quadro. O envolvimento de outros órgãos está associado a formas mais graves de pancreatite, o que piora o prognóstico.

Felizmente, Tito respondeu bem ao tratamento e logo ganhou perspectiva de alta. Assim como Mirtes, muitos donos de pets oferecem alimentos diferentes a seus animais e não percebem que podem prejudicar a saúde deles. Um alimento rico em gordura ou apimentado, entre outros inadequados a cães e gatos, pode causar lesões no estômago, intestino e pâncreas, com sintomas brandos, perigosamente fáceis de ignorar. Com o passar do tempo, o acúmulo de lesões pode comprometer um ou vários órgãos, levando a quadros agudos com muito sofrimento. Por isso, é importante seguir as recomendações dos veterinários quando o assunto é alimentação.

Algumas substâncias químicas e até medicamentos também podem causar danos, por isso mantenha produtos de limpeza e remédios fora do alcance dos animais e nunca medique seu pet sem a orientação e o acompanhamento de um médico veterinário.

Após receber alta da internação, Tito terá de se comportar e comer somente os alimentos indicados para cães, com baixo teor de gordura, e, sempre que for necessário tomar remédios, deverá ser acompanhado de perto pelo veterinário. Os check-ups deverão ser mais frequentes para que qualquer alteração nos parâmetros normais possam ser detectados precocemente. Seus donos deverão ter cuidado redobrado em casa, não permitindo acesso a lixo, petiscos inadequados e restos de alimentos, porque qualquer episódio de pancreatite pode ser grave e fatal. O restante da família – Apolo, Melissa e Sofia – passa bem. Mas, partir de agora, em dia de festa, está proibido oferecer a qualquer dos pets qualquer tipo de alimento.