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01/04/2019
Imagem retirada de https://pme.estadao.com.br/noticias/geral,donos-de-pet-usam-problemas-pessoais-para-inovar-no-setor,70002769124 Imagem retirada de https://pme.estadao.com.br/noticias/geral,donos-de-pet-usam-problemas-pessoais-para-inovar-no-setor,70002769124

O setor pet no Brasil – país que tem o terceiro maior faturamento do mundo nesse mercado – enfiou o focinho no mundo tecnológico das startups. Além de ser aposta de empresários, o mercado de produtos hi-tech para animais também transformou tutores de cães e gatos em empreendedores.

Ainda são poucas as startups focadas em produtos e serviços pet – segundo a Associação Brasileira de Startups (Abstartups), são apenas 30 entre as 10.821 jovens empresas cadastradas na entidade. Mas os números do setor estimulam novos negócios. Só em 2017, foram movimentados cerca de R$ 20 bilhões no País, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet).

Além disso, a chance de solucionar um problema pessoal tem movido donos de animais a entrar nesse nicho de empreendedorismo. “A frustração como consumidor é um driver natural de geração de insights e ideias”, aponta o cofundador da consultoria de gestão da inovação Innoscience, Maximiliano Carlomagno.

É o caso da engenheira de computação Luana Wandecy e da administradora Natália Dantas, ambas potiguares de 28 anos, que em 2015 começaram a pensar em uma solução para ajudar seus cães cegos a terem mais autonomia e evitar colisões em seus trajetos.

Após três anos de testes, criaram a coleira Blindog, que, acoplada ao pescoço do cachorro, emite vibrações ao identificar obstáculos no caminho por meio de ondas sonoras.

Há cinco meses no mercado online (onde a coleira sai a R$ 299), as sócias já investiram cerca de R$ 50 mil na marca. O próximo passo, dizem, é um projeto de expansão que levará o produto a clínicas veterinárias em São Paulo no segundo semestre, com um aporte de R$ 250 mil de investimento saído dos próprios bolsos.

Para o coordenador de marketing da rede Petz, André Marinho, o crescente aumento na criação de novos produtos, para solucionar problemas muito específicos, pode ser atribuído ao fenômeno da humanização do animal. “O cachorro entrou da porta para dentro da casa e o cliente passa a procurar produtos que melhorem a qualidade de vida dele e do pet.”

Foi isso também o que motivou o engenheiro Georges Ebel, de 32 anos, a criar a PetParker, ao lado do administrador Miguel Campos, de 28 anos. Dono de dois labradores, Georges já teve os seus cachorros soltos quando os deixou amarrados na porta de um supermercado. Foi então que resolveu transformar a necessidade em negócio, ao criar uma casinha para que os donos de cães e gatos possam deixar os seus animais protegidos enquanto fazem compras em supermercados e centros comerciais.

O mecanismo funciona de forma semelhante a um sistema de compartilhamento de bicicleta. O usuário pesquisa pelo aplicativo se o lugar onde vai é equipado com uma casinha PetParker, lê o QR code com o celular, coloca o animal lá dentro e usa o mesmo código para trancar o dispositivo. “Tem um ventilador para refrigerar a casinha. A gente consegue monitorar a temperatura e esse dado aparece no aplicativo para o tutor”, diz Georges.

Criado em 2018, o serviço é cobrado do estabelecimento comercial, o que torna seu uso gratuito para o usuário em 25 pontos de bairros nobres de São Paulo, como Vila Nova Conceição e Moema. A meta dos sócios é expandir neste semestre para 60 casinhas na capital paulista e levar a marca para o Rio de Janeiro no próximo mês.

Alimentação
Motivado pelo cachorro de sua irmã que ficou obeso, o tecnólogo em eletrônica Jefferson Magalhães criou, ao lado do sócio Julio Almeida, a startup mineira ZenPet para evitar a obesidade animal. Um alimentador inteligente é interligado ao smartphone do dono, que informa no aplicativo a raça, o peso e o nível de atividade física do animal. A partir daí o aplicativo define a quantidade de ração e os horários de alimentação, liberando o alimento apenas nesses horários.

Segundo Jefferson, foram investidos R$ 500 mil para realizar os protótipos dos alimentadores, que agora aguardam investimento para entrar na fase de industrialização. A expectativa é que o equipamento, que custará de R$ 750 a R$ 1.000, comece a ser vendido no segundo semestre.

Um problema de saúde também levou à criação da já veterana Cat My Pet, há quatro anos no mercado e com faturamento atualmente em R$ 5 milhões. “Uma das maiores causas de morte entre gatos é a doença renal crônica. Eles costumam se alimentar de ração seca, sem quase nada de umidade, e não gostam de água parada”, diz Agnes Cristina, que se uniu a Diogo Petri para criar o Magicat.

O bebedouro para gatos (R$ 280), que simula água corrente saída da torneira a partir de um motor silencioso, nasceu a partir de um investimento inicial de R$ 16 mil. Após participar do Shark Tank Brasil, programa para empreendedores do canal Sony, os sócios fecharam em 2018 um contrato de US$ 30 milhões com o empresário Kevin Harrington, jurado da versão americana.

Tecnologia de fora
Uma coleira tecnológica que calcula as calorias gastas pelo pet em suas locomoções, combinada a uma tigela que pesa a ração e a uma assinatura de comida sob medida é o que promete a marca de Hong Kong PetBle.

O produto, que já é vendido nos Estados Unidos e no Japão, deve chegar a São Paulo no segundo semestre pelas mãos do administrador Pedro Menezes. Ao assinar o serviço (a partir de R$ 79), o cliente receberá o pacote de ração escolhido, além de coleira, tigela e acesso ao aplicativo, que coordena todos os itens. “Pelo aplicativo, se o tutor tiver uma dúvida, pode solucioná-la com um veterinário online”, diz Pedro, que estima vender 200 mil assinaturas ainda neste ano.

fonte: Estadão