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26/07/2016

 Se você tem um gato em casa, é provável que enfrente vômitos do felino regularmente, diz a doutora Liz Bales, veterinária na Filadélfia e dona de um gato caolho e sem pelos chamado Carlos. Mas não precisa ser assim, afirma ela.

Um culpado é a chamada síndrome de devorar-e-vomitar, em que o gato come demais nas refeições, em um grau calamitoso. Outros comportamentos comuns de gatos que ela observou são de estar sempre vigiando as tigelas de comida para ver se serão reabastecidas, a exigência noturna de comida enquanto os donos tentam dormir e um relacionamento de disputa com a caixa de pipi que resulta em um padrão de uso inconstante.

No entender de Bales, uma questão subjacente a todos esses problemas é que a vida dentro de casa suprime os instintos naturais de caça do gato. Essa dinâmica ficou cada vez mais clara nas conferências profissionais de que ela participa há 16 anos como veterinária. Ela também a discutiu com estudiosos do comportamento e da nutrição animais.

"Eles precisam de controle de porções. Precisam de exercícios regulares. Eles realmente deveriam se encarregar de sua agenda alimentar", foram as conclusões de Bales. "Todos esses fatores se resumem a que gatos não devem comer em tigelas."

Dois anos atrás, depois que não conseguiu encontrar alguém que lhe desse uma solução, Bales decidiu tirar uma própria. No mês que vem, o sistema NoBowl Feeding [alimentação sem tigela], que ela desenvolveu para simular os hábitos alimentares naturais dos gatos, começará a ser entregue a seus primeiros clientes, que já são cerca de 3.500 até agora.

O NoBowl rejeita a tigela tradicional. Em vez dela, os donos de gatos colocam pequenas porções de ração seca em cinco recipientes e os escondem do animal. Os recipientes são feitos de plástico rígido e envoltos em tecido cinza maleável, parecido com um rato. A ideia é que quando o gato sentir fome ele procure a comida e agite o recipiente, espalhando seu conteúdo por pequenos buracos no tecido e no plástico.

 Em seu ambiente natural, os gatos comem cerca de 12 vezes por dia, servindo-se de pequenas presas como camundongos e aves que são adequados a seus estômagos, que têm mais ou menos o tamanho de uma bola de pingue-pongue. Eles também jogam a presa para todo lado, numa espécie de brincadeira que é essencial para seu bem-estar, diz o doutor Carlo Siracusa, da Escola de Medicina Veterinária da Universidade da Pensilvânia.

"Não importa que você alimente seu gato ou não, ele precisa ter essas atividades relacionadas ao comportamento alimentar", diz Siracusa. "O padrão de comportamento está inscrito nos genes do animal, o que significa que essa é uma necessidade comportamental."

Quando colocamos uma colherada de comida em uma tigela e nos afastamos, "não há nada desse comportamento de caça", diz ele. Em comparação, os gatos têm de brincar com o NoBowl.

Segundo pesquisas, cerca de 58% dos gatos estão acima do peso ou obesos. A maioria das soluções se concentraram apenas no controle da quantidade de alimento e em dietas de baixas calorias. Estas incluem alimentadores de alta tecnologia desenhados para regular a ingestão alimentar dos gatos. Os alimentadores automáticos Wireless Whiskers e Pet Feedster liberam a ração aos poucos.

Bales é geralmente cética de produtos tecnológicos para gatos, incluindo os que se destinam a diversão e exercício. "Tenho muitas preocupações", diz ela. "Não acho que seu gato realmente queira brincar com seu iPad."

E apesar de não ser high-tech, segundo Siracusa o conceito do NoBowl é na verdade muito avançado.

"Prestar atenção não apenas na quantidade de comida, mas no comportamento alimentar, é um conceito muito novo na medicina veterinária", diz ele.

O fato de o NoBowl ter sido criado por uma veterinária deve ser vantajoso, diz David Lummis, analista sênior de mercado de pets para o site de notícias e tendências de produtos para animais Packaged Facts. A ração para cães e gatos Science Diet e as guloseimas Greenies tiveram enorme sucesso e se beneficiaram de ligações com veterinários, diz ele. A Science Diet foi desenvolvida por um veterinário, e a Greenies recebeu o apoio do Conselho de Saúde Oral Veterinária.

Tierra Bonaldi, uma consultora de estilo de vida de pets na Associação Americana de Produtos para Pets, espera que o NoBowl prospere no mercado de massa, especialmente diante do recente enfoque para a obesidade animal. "Criar produtos que levam em conta seus instintos naturais e os tornam mais ativos e não comam demais é uma boa coisa", diz ela. Bonaldi usa a fonte para Pets Drinkwell, uma tigela com água corrente que, segundo ela, seu gato prefere porque parece as fontes de água externas.

Mas o NoBowl não tem a mesma conveniência que uma fonte de água para gatos ou um dispensador automático de alimento. "Como uma pessoa que tem muitos gatos, não me vejo abastecendo essas coisas", diz Lummis. "Não é só o tempo que levaria, mas toda a ideia de tentar tirá-los de baixo do sofá e ter de encontrá-los."

Bales diz que os gatos não costumam esconder coisas; por exemplo, quando eles caçam lá fora muitas vezes depositam sua presa na porta da casa, explica. Bales enviou sistemas NoBowl para um grupo de teste de 25 donos de gatos e diz que as pessoas que têm vários animais relataram que se adaptaram bem aos recipientes. A abordagem da alimentação para eles é semelhante à de pessoas que têm gatos e cachorros --situação que se aplica a Bales.

 Por US$ 60 (R$ 197,00) o NoBowl é um artigo caro. Isto pode torná-lo vulnerável a imitações que "podem ser muito mais baratas e oferecer alguns dos mesmos benefícios divertidos", diz Lummis.

Bonaldi, porém, não se abala com o preço. É claro que seria mais fácil comprar uma tigela por US$ 1,99, diz ela. "Mas, para quem realmente quiser dar um passo a mais, é como comprar alimentos integrais. É mais caro comer de forma saudável."