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12/07/2016
Imagem retirada de http://site.amigonaosecompra.com.br/saiba-tudo-sobre-intoxicacao-alimentar-e-embriaguez-nos-animais/ Imagem retirada de http://site.amigonaosecompra.com.br/saiba-tudo-sobre-intoxicacao-alimentar-e-embriaguez-nos-animais/

    Recomendações

 

 

• As fibras dietéticas são ingredientes importantes nos setores Premium e Superpremium, mecardos que exigem benefícios à saúde. 

• O segredo na alimentação pet está em reconhecer o potencial de complementar as fibras solúveis e insolúveis tradicionais já disponíveis no mercado com novas fontes.   

•A combinação de adequada fonte de fibra insolúvel com solúvel juntamente com uma prebiótica é ideal para saciedade, especialmente em combinação com fontes proteicas de alta qualidade.  

 •Dietas com alta fibra (24-30% na MS) são efetivas em promover perda de peso. Nestes casos, fibras insolúveis funcionam melhor.  

Fibra de frutas para petfood: funcionalidade e novas alternativas 

 

Apesar da recente cobrança pela inserção das empresas DE PETDFOOD em políticas ecológicas industriais e do tradicional "mercado para frutas" no Brasil, atualmente, esses co-produtos não estão sendo potencialmente utilizadoS.

Nos últimos 20 anos, o mercado de petfood alavancou pesquisas e estudos na busca de novas alternativas para alimentação de cães e gatos, principalmente quanto a ingredientes funcionais como fontes de fibras. No passado, todos os tipos de fibra dietética assumiam ter efeito similar no trato gastrointestinal. Entretanto, a classificação de fibra de acordo com sua viscosidade, solubilidade e fermentabilidade, tem resultado em mudanças

quanto à opinião deste tópico. 

A inclusão de fibra nas dietas, de acordo com esses autores encontrados na literatura, têm diversas finalidades, tais como: reduzir a energia dieta e facilitar o ajuste entre consumo e gasto energético (Bissot et al. 2010); influenciar na manutenção da saúde do trato gastrintestinal  

(Reinhart; Sunvold, 1996); propiciar formação e consistência das fezes  (Burkhalter et al.  2001); regular o apetite e saciedade (Bosch et al. 2009) e alterar tempo de retenção da digesta (Fahey et al. 1992).


Atualmente, as empresas têm dado atenção ao aproveitamento de fibras de frutas e vegetais para alimentação pet para não somente agregar valor nutricional ao alimento através de compostos bioativos, aroma e sabor, mas também considerando o elevado potencial de mercado e apelo para os tutores de cães e gatos.

O guia nutricional do NRC (2006), não aborda a recomendação sobre requerimento nutricional mínimo de fibra para ser utilizada em formulações para caninos e felinos por não tratar de um nutriente essencial. Entretanto, a maioria dos alimentos comerciais disponíveis apresenta um teor de fibra compreendido entre 1% e 4% da matéria seca além de encontrarmos disponíveis para venda uma variedade de produtos alta fibra com finalidades terapêutica como, por exemplo, para obesidade, light ou com reduzida quantidade de energia.  Para cães, dados na literatura demonstram que a cada ponto percentual de fibra adicionada ao alimento ocasiona redução de 1,43% da digestibilidade da energia da ração.

Exemplo típico de ingrediente fibroso comumente utilizados pelas indústrias de petfood é a fibra de cana. A cana-de-açúcar (Saccharum officinarum L.) é uma das espécies mais cultivadas no Brasil. Do bagaço da cana, co-produto da indústria sucroalcooleira, por meio de processos de lavagem, purificação e micromoagem extrai-se a fibra de cana. Com cerca de 90% de fibra alimentar, a fibra de cana possui praticamente 100% de fibra insolúvel (Monti, 2015). Com o objetivo de encontrar mais opções disponíveis de fibra insolúvel, a fibra de goiaba foi estudada com o intuito de se aproveitar além das propriedades funcionais, as características organolépticas do ingrediente, não presentes em outras fontes, resultando em bom odor e aceitação do alimento.   

Fibra de goiaba 

A fibra de goiaba é uma inovação em petfood, e foi proposta pelo empresário Luíz Guilherme Marcondes, proprietário da empresa Dilumix como fonte insolúvel de fibra alimentar para utilização em alimentos extrusados para cães, ao projeto de mestrado da Médica Veterinária Mariana Monti, atual pesquisadora da Premier Pet, realizado no Laboratório de Nutrição de Cães e Gatos da UNESP de Jaboticabal, coordenado pelo Prof. Dr. Aulus C. Carciofi. Validou-se nesse projeto a fibra de goiaba como novo ingrediente fibroso insolúvel para cães, podendo ser seguramente utilizado até o nível de inclusão de 12% na dieta. A fibra de goiaba apresentou 70% de fibra dietética alimentar e reduziu a digestibilidade dos nutrientes e energia a partir de 6% de inclusão.

As fibras insolúveis são geralmente pouco fermentáveis e são eliminadas nas fezes praticamente em sua forma intacta, aumentando o volume fecal. Apesar disso, a fibra de goiaba não alterou o número de defecações por animal por dia e preservou o escore e pH fecal. Manteve também a saúde do trato gastrointestinal dos cães preservada através da manutenção da concentração de butirato (ácido graxo volátil preferível como “combustível” aos enterócitos, importante para integridade intestinal) e da estimulação do peristaltismo, poupando desta forma o organismo de toxinas nocivas que irritam, inflamam e colaboram para o congestionamento do cólon. 

Fibras e o processo de extrusão 

Devido ao fato da escassez de estudos que envolvam os efeitos das fibras no processo de fabricação de alimentos para cães, foi verificado no trabalho que a inclusão de fibras limita o cozimento do amido e provoca alterações importantes nos parâmetros de processo, que por sua vez exigem importantes tomadas de decisões técnicas momentâneas como controle de adição de água, energia mecânica e térmica específicas, para o kibble obter formatação, gelatinização e expansão adequadas e o custo de processamento não extrapolar.

 Diferentemente das outras fontes de fibras insolúveis, a fibra de goiaba diminuiu a capacidade de absorção de vapor na massa “expulsando-o para fora do canhão” e interferindo na umidade e

 MS do produto. Durante o processo, não se manteve intacta, demonstrando ser uma fibra insolúvel, mas degradável, ou seja, capaz de gerar viscosidade no processo de extrusão por suas características eletroquímicas com baixa termo estabilidade. O estudo, que verificou o efeito das fibras sob o processo de extrusão também demonstrou que a adição de fibras no processo causou interferência em toda macroestrutura do alimento, e dependendo do tamanho de partícula que está, ocasiona modificações na textura e aparência, interferindo desta forma na cinética de mastigação do animal, aceitação e consequente consumo.  

Além de todos os benefícios fisiológicos, a utilização de novos co-produtos têm se destacado por inserirem as empresas em um modelo de ecologia industrial, pois estes não competem com a alimentação humana.

Ademais, para superar os desafios de novos projetos e formulações com fibra de frutas e vegetais no Brasil, que devem ser atendidos para o lançamento de um produto não apenas como apelo ao consumidor de ser “saudável”, mas reconhecendo verdadeiros benefício aos animais, futuras pesquisas ainda são necessárias nesse contexto.

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Agradecimentos

À Dilumix Ltda    

Ao Prof. Dr. Aulus Cavalieri Carciofi e ao Laboratório de Nutrição de Cães e Gatos – UNESP, Jaboticabal.

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Mariana Monti

Pesquisa e Desenvolvimento

mmonti@premierpet.com.br