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12/07/2016
Imagem: Lúcio Távora | Ag. A TARDE Imagem: Lúcio Távora | Ag. A TARDE

 Cristina Brizeno organizou tudo para o primeiro aniversário de seu único filho. Painel, toalhas de mesa coloridas, pipoca, bolas de assoprar, convidados, petiscos de vários sabores e bolo. A mãe garante que ele, vestido em um mini smoking e de gravata vermelha, ficou extasiado com a surpresa. Assim foi a festa de Lupy, um yorkshire de 1 ano e dois meses, chamado de filho por Cristina e seu marido.

É claro que, nesse aniversário tão especial,  os quitutes encomendados foram feitos especialmente para animais de estimação. "O bolo dele foi um cupcake, que comprei em um pet shop, tem de coco, laranja e chocolate. Ele adorou, comeu tudo".    Não foi a primeira vez que Lupy ganhou petiscos especiais em datas comemorativas. Para celebrar a última Páscoa em família, por exemplo, ele comeu um ovo de chocolate para pets. Já no Natal, aproveitou a ceia com um panetone inteiro só para ele.

O mercado de produtos e serviços para animais de estimação vem crescendo, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet). Em 2015, o setor faturou R$ 18 bilhões, o que representou um crescimento de 7,6% em relação ao ano anterior. Desse total,  cerca de R$ 12 bilhões vieram apenas do segmento alimentício, o mais lucrativo da área.

A gerente do pet shop Planeta Animal, Carolina Lima, percebe o interesse pelos petiscos de perto. "As pessoas chegam aqui e veem muffin, sorvete, picolé, cupcake para os animais, e logo compram para ver como é. Existe uma curiosidade. A gente até conversa, avisa que não pode dar para os bichos comerem todos os dias, não pode exagerar". Em datas festivas, a saída é ainda maior. "A verdade é que os donos gostam de dividir os momentos com os bichinhos. A Páscoa, o Natal, os aniversários, por isso o panetone e o ovo de chocolate são bastante procurados também".

Ana Gabriela Paschoal, dona da shih-tzu Lila, também é uma consumidora assídua desses produtos. Além de comemorar o aniversário de 1 ano com um bolo em formato de osso, feito para Lila e seus convidados de quatro patas, ela compra biscoitos de fígado e maçã e já preparou até sorvete caseiro. "É bem simples. Faz um suco de alguma fruta  mesmo, depois coloca em formas de gelo. É muito bom, com esse calor todo. As pessoas têm feito isso muito", ensina.

Ressaca Canina
Mas chega o final de semana e tudo o que você quer é comer alguma coisa, descansar com a família e, quem sabe, beber uma cervejinha. Você olha para o seu cachorro, mas não quer deixar ele de lado, claro. Foi com essa ideia que o Senai de Vassouras, no Rio de Janeiro, criou a Dog Beer, a primeira marca de cerveja para animais de estimação do Brasil. "Foram oito meses de pesquisas entre mestres cervejeiros e veterinários no Centro de Tecnologia de Alimentos e Bebidas.  Não foi uma coisa que um maluco decidiu criar sozinho em casa", explica Lucas Marques Bueno, dono da marca.   

Na verdade, de cerveja mesmo a Dog Beer só tem o nome, o malte e a embalagem, já que a bebida não é alcoólica. "A ideia mesmo foi investir em um petisco líquido, percebi que era uma coisa ainda não muito difundida. E algo que reforçou minha vontade de adquirir a marca foi saber que muitos donos colocavam a saúde do próprio pet em risco por oferecerem a ele da própria cerveja no calor da descontração".

O processo de produção da cerveja, vendida em pet shops com os sabores carne ou frango, é feito em três etapas. " Ela é feita à base de água, malte e extrato de carne ou frango, sem  álcool nem gás carbônico, substâncias que prejudicam a saúde dos animais. Primeiro, ela passa pelo processo de fervura da água, onde retiramos todas as impurezas. Depois, passamos pelo processo de mistura dos ingredientes, descanso, e, após essas etapas, o produto vai para linha de produção do envase. Uma das diferenças dessa e a cerveja  é que ela não passa pelo processo de fermentação, por isso não é alcoólica".

Na rede de pet shop Cão Q Ri, não só a Dog Beer desperta a curiosidade dos clientes, mas também as linhas de petiscos e rações light, feitas especialmente para animais com problemas de saúde. "Normalmente, quem procura esses produtos mais naturais, petiscos artesanais feitos em casa ou rações específicas, são donos de animais que estão com problemas de peso", disse Daniela Barreto, proprietária da loja. "As pessoas têm mostrado mais preocupação com o bem-estar dos seus  pets, porque eles são como parte da família mesmo, por isso acho que o mercado têm crescido".

Alimentação Natural
Além dos petiscos gourmet, que fazem um imenso sucesso no mercado,  um  outro segmento têm ganhado a atenção dos criadores de animais de estimação: a alimentação natural. Em São Paulo, o site Cachorro Verde ensina, de acordo com o perfil de cada pet, como fazer comida para o seu  bichinho e substituir a ração. As consultas com a veterinária podem ser feitas pessoalmente ou por skype, para quem mora longe.

E tem delivery para a pet também. Com a ajuda do  marido, Maria Oliveira criou a PetGula, empresa caseira de produção e distribuição de marmitas para animais domésticos em Aracaju. Cada dia, um cardápio diferente, feito especialmente para eles: fígado, frango, verdura e alimentos integrais, preparados com ingredientes que não fazem mal à saúde.  "A alimentação dos animais de estimação  tem que ser balanceada, como a nossa também é. Por isso, a marmita tem que conter tudo o que o animal precisa, não é resto de comida. Há  temperos, por exemplo, que eles não podem comer. Alimentação natural não é o nosso almoço, tem que ser uma coisa especialmente feita para eles".

Maria também defende que as marmitas, entregues diariamente na casa dos clientes, substituam por completo a ração industrializada, pela riqueza de ingredientes e nutrientes absorvidos. O valor das marmitas varia de acordo com a idade e peso do animal, mas a média é de R$ 300 mensais. Este serviço ainda não é oferecido em Salvador, já que os pratos são diários e ainda não há revendedores físicos na cidade. Já os petiscos e biscoitos naturais, também preparados por Maria, podem ser encomendados e chegam via Correios.

Em casa
Ainda assim, você pode fazer a sua  marmita em casa. Para a chef pet e nutricionista Wania Moreira, o que afasta as pessoas da alimentação natural é a correria do dia a dia. "Mas os benefícios são muitos. Muito mais saúde, o pelo e a pele ficam melhor, evita a pressão alta, eles ficam menos doentes e mais dispostos. Só que não pode, de jeito nenhum, dar a mesma comida que você come. Sal e açúcar, por exemplo, são verdadeiros venenos para os pets".

Para quem quer investir na alimentação natural, a nutricionista dá algumas dicas: "Não pode dar feijão. Também tem que evitar lactose e sódio". Mas os alimentos permitidos são muitos: grãos, como aveia, chia e linhaça, frutas como goiaba, morango banana e kiwi, um pouco de arroz integral, carne magra e vísceras são aconselhados. "As vísceras são cheias de proteínas, muito saudáveis".

Mas, caso não sobre tempo, Wania deixa outra dica: você pode colocar um pouco e azeite de oliva extravirgem no pote de ração do seu animal. "Filtra tudo aquilo que não é bom, é um regulador natural do intestino. Ele não vai mais ter problemas de flatulência e, deixa eu te falar... Fica bem mais fácil de limpar o que sai depois".