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04/07/2016
Imagem retirada de http://cliquetando.xpg.uol.com.br/2015/06/veja-como-tratar-resfriados-em-seus-animais-domesticos.html Imagem retirada de http://cliquetando.xpg.uol.com.br/2015/06/veja-como-tratar-resfriados-em-seus-animais-domesticos.html

Ricardo S. Vasconcellos; Aline Uemoto; Mônica E. Z. Merenda

O efeito da castração em cães e gatos sobre a predisposição ao ganho de peso já tem sido estudado há algumas décadas. Sabe-se que poucos dias após a castração os animais, quando não sofrem algum tipo de restrição energética, tornam-se predispostos ao ganho de peso e consequentemente, obesidade. Por este motivo a obesidade em animais castrados é ainda mais comum. No entanto a castração é uma medida necessária de controle populacional em cães e gatos. Desta forma, encontrar alternativas de manejo e nutricionais, que favoreçam a manutenção do peso dos animais após a castração, tem sido um dos objetivos nas pesquisas nas recentes décadas.

Dentre as alternativas para conter o ganho de peso em cães e gatos, nesta edição iremos abordar o uso das isoflavonas da soja e seus possíveis efeitos benéficos na manutenção do peso. No entanto, não são encontrados estudos em cães ou gatos castrados com o uso das isoflavonas, mas apenas em mulheres pós-menopausa e animais de laboratório. Recentemente conduzimos um estudo em gatos, após a castração, e os resultados também serão compartilhados abaixo.

As isoflavonas são compostos flavonoides presentes nos vegetais, os quais no organismo animal apresentam efeito estrogênico, devido à sua semelhança estrutural com hormônios estrogênicos. As principais isoflavonas são a daidzeína e a genisteína e o consumo de ambas tem sido implicado em alguns benefícios a saúde, tais como manutenção da massa óssea pós-menopausa, controle do peso corporal, redução nas concentrações de LDL e do risco de desenvolvimento de câncer pulmonar. Todos estes benefícios são estudados em humanos. Os mecanismos de ação ainda são pouco conhecidos, assim como os riscos à saúde que decorrem do uso crônico destas substâncias ou da superdosagem. No entanto são muitas as evidências científicas de benefícios à saúde com o uso de isoflavonas, as quais fazem com que seja importante o estudo de seus efeitos também na nutrição de animais de companhia, visto que possuem, além dos efeitos de reposição hormonal, propriedades antioxidantes importantes.

Nesta edição foram selecionados dois estudos com isoflavonas, sendo o primeiro sobre ingestão energética em ratos gonadectomizados e o segundo sobre o efeito da extrusão na estabilidade das isoflavonas, considerando que sua forma de aplicação industrial é importante, visando manter sua bioatividade no produto comercial. Também aproveitamos para expor um resultado de estudo em gatos com o uso das isoflavonas daidzeína e genisteína, após a castração, sobre a manutenção do peso corporal.

 

Journal of Nutrition, 136, 409-414, 2006 .

GENISTEÍNA DIMINUI A INGESTÃO DE ALIMENTOS, PESO CORPORAL, E CAMADA DE GORDURA E CAUSA APOPTOSE DO TECIDO ADIPOSO EM CAMUNDONGOS GONADECTOMIZADOS

Hye-Kyeong Kim, Cassandra Nelson-Dooley, Mary Anne Della-Fera, Jeong-Yeh Yang, Wei Zhang,y Jiuhua Duan, Diane L. Hartzell, Mark W. Hamrick, and Clifton A. Baile

Resumo: A genisteína, uma isoflavona de produtos de soja, tem atividade estrogênica e é usado como um substituto natural para a terapia de reposição hormonal em mulheres na pós-menopausa. A genisteína também tem demonstrado reduzir a camada subcutânea de gordura em ratos do sexo feminino. O objetivo primário deste estudo foi determinar o efeito da genisteína sobre a apoptose do tecido adiposo in vitro e in vivo.

Linhagem de pré-adipócitos 3T3-L1 foram tratados com 0, 1, 10, 100, e 400 mmol / L de genisteína e, em seguida, testados quanto a apoptose. Adipócitos maduros, tratados com genisteína demonstraram um aumento relacionado com a dose na apoptose. camundongos fêmeas ovariectomizadas (9 meses de idade) receberam 0, 150, ou 1500 mg/kg de genisteína na dieta à base de caseína semi-purificada livre de fitoestrógeno durante 3 semanas (n=10).

Depois de eutanasiados, a composição corporal foi determinada por análise absorciometria de raio-X de dupla energia (DXA), e a gordura parametrial (PM), inguinal (ING), e a retroperitoneal (RP) foram pesadas e analisadas quanto à apoptose (% fragmentação do DNA). A genisteína (1500 mg/kg) reduziu a ingestão de alimentos (FI) em 14% (P, 0,01) e o peso corporal (BW) 9% (p=0,01). Composição corporal não foi significantemente afetada, mas os pesos das gorduras PM e ING foram reduzidos em 22% (p=0,05) e 19% (p=0,07), respectivamente, na mesma concentração dietética de genisteína. Apoptose no tecido adiposo ING foi aumentado em 290% (p=0,05) na dose de 1.500 mg/kg de genisteína. Estas constatações mostram que o tratamento por via oral a genisteína pode reduzir o peso corporal, mobilizar gordura corporal, e induzir a apoptose de tecido adiposo em ratas ovariectomizadas. Assim, a genisteína pode ser útil no tratamento ou prevenção de adiposidade aumentada após a menopausa. 

J. Agr. Food Chem., 2003, 51(15), 4394-4399

ESTABILIDADE TÉRMICA DA GENISTEÍNA E DAIDZEÍNA E SEU EFEITO NA ATIVIDADE ANTIOXIDANTE

Autores: Yael Ungar , Oluwatooyin F. Osundahunsi , and Eyal Shimoni

Resumo: As isoflavonas de soja, presentes em muitos alimentos processados à base deste vegetal, são conhecidas por seus efeitos fitoestrogênicos e atividades antioxidantes. O objetivo deste trabalho foi estudar a cinética da degradação da genisteína e daidzeína nas diferentes mudanças de temperatura e acompanhar mudanças em sua atividade antioxidante. Daidzeína e de genisteína em soluções padrão (pH entre 7 e 9) foram tratadas termicamente a 120 °C ou incubadas a 70, 80, e 90 °C. A degradação das isoflavonas foi observada em todas as temperaturas, com aparente cinética linear de degradação entre 70-90 °C, sendo respectivamente de 8,4 e 11,6 kcal/mol em pH 9, respectivamente. Os testes microcalorimétricos de estabilidade mostraram um padrão semelhante de degradação, no entanto, com maior cinética de degradação, de 73,7 kcal/mol para a genisteína e 34,1 kcal/mol para a daidzeína que pode ser atribuída às condições anaeróbias deste teste. A atividade antioxidante das soluções de isoflavonas incubadas, seguido pelo teste de ABTS, diminuiu rapidamente em pH 9 para a genisteína, ao passo que se observou apenas uma redução moderada para a daidzeína nesta mesma condição de pH, assim como para a mesma solução de genisteína em pH=7. Isto pode indicar diferentes mecanismos de degradação de genisteína e daidzeína. 

De acordo com os resultados demonstrados de ambos os estudos é possível verificar um efeito importante das isoflavonas sobre a redução do tecido adiposo e ganho de peso em ratos. Porém, as doses efetivas são relativamente elevadas, como pode ser visto no primeiro estudo. Outro fator importante é a perda destes compostos em temperaturas próximas a 100 oC e isto pode comprometer o uso destes compostos bioativos em alimentos extrusados, os quais são submetidos a temperaturas ainda mais elevadas, além de oxigênio, pressão e mudanças drásticas na umidade do kibble. Nestes casos se torna interessante a proteção da molécula pra aumentar sua estabilidade térmica ou sua adição após a extrusão, por cobertura.

Somente para finalizar, nós realizamos um estudo em gatos com isoflavonas e os resultados estão descritos abaixo (Figura 1). Neste estudo, 12 gatos (n=6 fêmeas e n=6 machos) foram distribuídos em dois grupos experimentais com três animais de cada sexo por grupo. Os gatos haviam sido castrados há 60 dias e durante um período de 30 dias, receberam uma dieta Controle, visando estabilizar a ingestão energética de todos para a manutenção do peso corporal. Após 30 dias recebendo a dieta Controle, um grupo (n=6) continuou recebendo a mesma dieta e outro grupo (n=6), esta mesma dieta, porém, adicionada de 1% de isoflavonas (38,6% de Daidzeína; 0,2% de Genisteína; 41% de isoflavonas totais), por um período adicional de 60 dias. Os animais foram pesados semanalmente visando a manutenção do peso corporal, para que fosse determinada a Necessidade energética de Manutenção em cada um dos tratamentos. 

Estes resultados sugerem um possível efeito metabólico das isoflavonas também em gatos castrados. Outros estudos são importantes para determinar os efeitos da ingestão de isoflavonas em longo prazo pelos animais. 

PUBLICAÇÃO EXCLUSIVA REVISTA PET FOOD - ED. MARÇO/ABRIL 2016