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02/03/2016



Na crise, o brasileiro tem feito malabarismo em casa para tentar manter as contas em dia. Deixar de comprar um alimento supérfluo aqui, uma ida a menos ao shopping ali, uma apertada de cinto acolá e a população vai dando um jeito de “segurar as pontas”. Contudo, quando o assunto são os gatos ou os cachorros, muitos não medem esforços para manter o bichano saudável e fazer com ele tenha uma vida mais longa. E isso tem se refletido nos bons números exibidos pelo setor.

De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), o mercado movimentou, em 2015, R$ 16 bilhões de reais. Também ano passado, as empresas do setor tiveram um crescimento de 15%, se comparado a 2014, segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Saúde Animal (Sindan). Não existem dados específicos para o estado da Bahia nas referências apresentadas.

Mas, em alguns Petshops de Salvador, o movimento nos locais teve um acréscimo, no mês de janeiro, de 20% em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com a Abinpet, dois fatores foram primordiais para esse crescimento no segmento. O primeiro deles é a valorização dos bichos de estimação como membros da família, e o reconhecimento dos benefícios da interação entre o animal e o ser humano.

Já o segundo fator leva em conta a alimentação, que é parte essencial para a saúde dos animais e não pode ser dispensado no orçamento das pessoas. Ainda segundo a Associação, a composição da ração deles é composta por 95% de matéria-prima agropecuária, com elementos como milho, soja, arroz, trigo e carnes de aves, bovinos e peixes.

“O aumento do preço dessa matéria-prima acaba impactando diretamente no custo do produto, que precisa ser repassado ao consumidor final. A partir daí, pode-se dizer que o crescimento do faturamento do setor reflete uma pesada carga tributária e um aumento do custo da matéria-prima, que são repassados ao consumidor, especialmente após o enquadramento da ração como um item supérfluo, sendo tributado como o cigarro, o sorvete e o chocolate”, informou a instituição, em comunicado.

Dentre os itens que mais movimentaram o setor ano passado estão os de Pet Food (alimentação, snacks e bifinhos) – que este ano deve chegar a pouco mais de 67% –, seguido pelo setor de serviços a animais (17%), cuidados e produtos de higiene e limpeza (8%) e medicamentos veterinários (7,7%).

CUIDADOS
Contudo, até mesmo todo esse amor tem um custo. Segundo a médica veterinária, Gabriela Azevedo, que também é sócia na clínica Planeta Animal, o gasto mensal para manter o pet saudável pode chegar a R$ 300, se for levado em conta alguns itens como ração, vacinas, exames, consultas ao especialista, banhos, tosas, dentre outros.

O local, que funciona próximo a Avenida Centenário, dispõe de algumas especialidades como cardiologia, exames como raio-x, além de um petshop que funciona 24 horas. Por lá são atendidos cães, gatos, pequenos roedores e até mesmo cobras. “Os animais ‘falam’ com os olhos e seus donos tem uma superproteção com eles. Com isso, acabam sempre buscando o melhor, mesmo quando não tem condições financeiras para tal”, pontuou Gabriela.

Contudo, ela salienta que, para a manutenção dos bons números do setor, é necessária uma gerência adequada dos recursos disponíveis. “As pessoas tem de estar preparadas por que é um segmento em que a gente lida não apenas com as emoções do animal, mas também dos donos. Aqui mesmo, nós apostamos em um treinamento de pessoal para fazer o mesmo trabalho com menos gente”, contou.

Amor e cuidados com os animais
Para àqueles que são donos de animais, não há como pensar crise diante da cena em ver o animal de estimação com saúde e feliz. Mesmo dona de duas cadelas, Walessca Góes não se furtou em procurar ajuda médica para Vitória, animal resgatado por ela na última sexta-feira e que foi levada à clínica para ser internada.

Atualmente desempregada, ela abriu uma conta em uma rede social para arrecadar fundos para ajudar na melhora dos animais que ela recolhe nas ruas. “Ao todo, acho que gasto um cinco mil por ano. Mas não sei como faria se não fossem as doações”, contou.

Já o amor pelos dois gatos que possui é tão grande que a jornalista, Rayllanna Lima, contou que até já chegou a ficar todos os 15 dias de férias só para cuidar de um deles, que estava doente. “Gastei, à época, cerca de R$ 300. Só de xampu especial foram R$ 90”.

Atualmente, o gasto é aproximadamente de R$ 100, o que envolve alimentação e a caixa de areia. “Acho que vale muito a pena, principalmente após um dia estressante de trabalho. Quando você chega em casa, sem vontade de nada, eles se aproximam da gente com um jeito todo especial. Aí não tem como você não relaxar”, relatou.