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28/06/2016
Imagem retirada de https://www.portalaz.com.br/blogs/animais/374327_pets_naturebas Imagem retirada de https://www.portalaz.com.br/blogs/animais/374327_pets_naturebas

No nosso dia-a-dia percebemos claramente a mudança nos hábitos alimentares das pessoas. Nas gôndolas dos supermercados, nas novas opções de cardápios do setor alimentício, na abertura crescente de lojas voltadas a alimentação saudável... Parece que a explosão de produtos saudáveis e funcionais veio mesmo para ficar. Está cada vez mais crescente o número de pessoas vegetarianas (em diversos níveis), as que optam por alimentos sem lactose e sem glúten (por opção ou por questão de sensibilidade ou intolerância), dentre tantas outras possíveis mudanças de hábitos alimentares em busca de uma vida mais saudável e mais conectada com nossa essência natural.

Assim, muitos dos papais de peludos têm nos procurado para conversar sobre a alimentação e o estilo de vida de seus pimpolhos. E certas perguntas têm sido cada vez mais frequentes no consultório, tipo: “Drª, posso dar comida para o meu animal?” ou “Dra, é verdade que as rações causam câncer e problema urinário/renal nos pets?” Então vamos conversar um pouquinho sobre a comida ideal para os nossos animais de estimação.

Bom, no meu ponto de vista, ter saúde é ter equilíbrio. Sou avessa a extremismos, em especial quando estamos falando da mãe Natureza (no caso, os animais), já que no mundo urbanizado as coisas parecem ser bem diferentes, não é mesmo? Por isso, quando nossos clientes perguntam no consultório qual a melhor opção: alimentação natural (AN) ou alimento industrializado (rações)? Sempre respondo que é muito relativo. Vai depender de muitos fatores.

 Primeiro precisamos entender um pouco mais sobre o organismo dos pets. Nossos cães e gatos, por exemplo, tão lindos e fofinhos, na natureza são fabulosos predadores! Sim, eles são predominantemente carnívoros, quer aceitemos ou não. E não há riqueza de nutrientes maior para um animal carnívoro que comer uma presa fresquinha, bem carnuda e suculenta. Então, não é a toa que a presa é tão apetitosa aos carnívoros, com este alimento é suprido todas as suas necessidades energéticas e nutricionais de forma balanceada e ideal, além de boa parte de sua necessidade hídrica (ingestão de água). Já animais como os cavalos, coelhos e ruminantes (bovinos, caprinos, ovinos) são herbívoros, se alimentado exclusivamente de vegetais e para isto, possuem um sistema digestivo bem complexo. Nós, humanos, assim como o urso, o rato e o porco conseguimos digerir bem tanto matéria vegetal quanto animal e participamos de outro grupo privilegiado, o dos onívoros.

Com o estreitar do relacionamento entre homens, cães e gatos, os hábitos alimentares desses animais foram se adaptando ao estilo de vida das pessoas. A proteção de um lar contra predadores maiores e contra os eventos da natureza (frio, chuva, sol...), além da fartura de alimentos disponíveis (mesmo sendo algumas vezes as sobras da comida) fez com que esses pequenos carnívoros se adaptassem “forçadamente” a digerir alguns tipos de alimentos, como por exemplo, os grãos (arroz, feijão, milho, soja).

Até um dia desses, boa parte dos cães e gatos só tinham acesso ao quintal das casas, ou no máximo até a cozinha. Alimentavam-se das nossas sobras ou de angús, e o seus principais papéis na família, eram de combater os ratos (em especial no caso dos gatos) e proteger a família de predadores ou ladrões (no caso dos cães). Esses animais viviam, em média, cerca de nove anos de vida até 1980.

Com o evoluir do relacionamento entre as pessoas e seus animais de estimação, foram sendo necessários maiores cuidados com sua alimentação, comportamento e saúde. E num piscar de olhos, aqueles que ontem habitavam o quintal hoje coabitam o mesmo espaço (muitas vezes a mesma cama)! E toda essa atenção em prol de melhor qualidade de vida, dobrou a expectativa de vida dos cães e gatos, que agora se transformaram em membros ilustres das famílias!

Por isso, temos que ter muita cautela para não entrarmos em extremismos quanto à escolha do melhor alimento para o nosso cão ou gato.    

Perguntas e Respostas:
Pergunta 1: “Posso dar comida para o meu cão ou gato?”

Primeiro precisamos entender que tipo de comida: a nossa comida de panela? Ou as sobras da nossa comida? Ossos de alimentos que foram cozidos ou assados?...  Definitivamente, essa não é a alimentação recomendada para os animais. Muitos dos alimentos e condimentos que digerimos com facilidade para eles podem ser perigosos (em breve postaremos uma lista). Além do risco de ingerir ossos de alimentos que foram aquecidos, que podem trazer consequências sérias como obstrução ou perfuração no trato gastrointestinal, que normalmente levam a procedimentos cirúrgicos e que podem ter consequências fatais.

Podemos fornecer sim, uma alimentação natural, preparada em casa, adequada para cada espécie, atendendo plenamente os requerimentos nutricionais dele com uma dieta fresca, variada e natural! Isso é possível seguindo sempre as orientações de um profissional preparado, o médico veterinário ou zootecnista nutrólogo. Médicos veterinários, grandes autores de livros consagrados (no final da matéria temos as referências), recomendam três opções de dietas (ANs): crua com ossos, crua sem ossos ou cozida, que devem ser seguidas à risca e acompanhadas pelo profissional habilitado. Importante também a disponibilidade de tempo para preparo desses alimentos e de espaço na geladeira/freezer para armazenamento dos mesmos.
            
Então, se você quer fornecer alimentação natural para o seu animal fica o nosso conselho, procure um médico veterinário ou zootecnista capacitado (nutrólogo) para acompanhar a dieta do seu companheiro.

Pergunta 2: “É  verdade que as rações são a causa do aumento do número de câncer e problema urinário/renal nos pets?”
Gente, vamos pensar um pouquinho... Até 1980 a expectativa de vida de cães e gatos era de nove anos, em média. Atualmente essa expectativa de vida dobrou! Antes eles comiam restos da nossa comida e não tinham acesso aos cuidados de saúde. Hoje eles comem ração e cuidam de sua saúde e bem estar. Então, como vamos culpar as rações pelo surgimento de doenças que afetam mais animais com o decorrer da idade? Na verdade, essas doenças vêm sendo cada vez mais diagnosticadas devido ao avanço da própria medicina veterinária e do envelhecimento dos nossos animais. A culpa não é da ração.

Hoje temos no mercado rações super premium, minunciosamente balanceadas de acordo com a necessidade de cada animal (espécie, idade, porte, raça e até mesmo rações para específicas para cada tipo de doença...). Essas indústrias investem fortunas em pesquisa e possuem formulações adequadas, seguras e atualizadas, visando à saúde, longevidade e bem estar dos animais. Mas fique atento! O mesmo não podemos afirmar de rações standards, aquelas mais baratas, que são vendidas a granel  e em supermercados.

A principal desvantagem das rações é a questão de ser um alimento seco. Em especial para os gatos, isso pode vir a se tornar um problema... Os gatos são meio chatos na ingestão de água. Alguns só bebem água corrente (vão para a pia ou fonte) e outros só por oportunidade (temos que espalhar potes de água pela casa). Por isso, muitos proprietários de gatos e até mesmo alguns veterinários culpam as rações pelo constante aparecimento de problemas urinários nos gatos. Assim sendo, em especial no caso dos felinos, é importante desde cedo optarmos por alimentos mais úmidos (se não for alimentação natural, existem rações úmidas no mercado para gatos com essa proposta). Por isso, se seu animal come ração fique bem atento à ingestão hídrica, tanto para cães quanto gatos, vamos ficar atentos em fornecer sempre água limpa (filtrada ou fervida) e fresca (trocar a água várias vezes por dia).

Pergunta 3: “Qual a melhor opção: ANs ou Rações?”
Sinceramente, depende.  

Em termos nutricionais, precisamos pensar na qualidade de nutrientes oferecidos aos nossos peludos, ou seja, a resposta desta pergunta está na alimentação funcional. Conhecer os nutrientes, seu metabolismo e as necessidades do animal, de acordo com seu estilo de vida para desenvolver um cardápio ideal para cada indivíduo.

Nas ANs as dietas devem ser feitas e acompanhadas por profissional capacitado regularmente. O proprietário tem papel de fundamental importância para o sucesso das dietas caseiras, pois desde a seleção de alimentos frescos, ao preparo e até mesmo à estocagem dessas refeições são de responsabilidade dos tutores, além de seguir à risca e com muita disciplina o cardápio indicado pelo medico veterinário, informando sempre que houver necessidade de mudanças. A grande maioria dos problemas que temos com paciente que se alimentam com AN está na mudança constante no cardápio feita pelos proprietários, sem acompanhamento do profissional, o que pode trazer distúrbios nutricionais devido à carência ou excesso de nutrientes.

Indico rações também! E confio bastante em certas indústrias. Mas indico apenas em rações da categoria super premium. Rações “medianas” ou escolhidas pelo preço normalmente não possuem o balanceamento ideal de nutrientes, além de sua baixa biodisponibilidade devido à baixa qualidade de matéria prima. Recomendo a ração principalmente quando não há disponibilidade por parte da família em seguir as recomendações necessárias para oferecer alimentação natural. E a grande maioria das famílias ainda prefere oferecer aos seus cães e gatos os alimentos industrializados. Os meus filhos peludos se alimentam de ração e são animais muito saudáveis. Em vista que tenho pacientes adeptos à alimentação natural extremamente saudáveis também ;)

Então, se você quer que seu pet se alimente de forma saudável, caso opte pelas ANs (alimentações naturais) procure um nutrólogo veterinário ou zootecnista (abaixo segue uma seugestão dos profissionais habilitados no Piauí) para acompanhar a dieta de seu peludo. E caso prefira as rações, escolha uma ração super premium adequada para o seu animalzinho e fuja das rações vendidas em supermercados e à granel em estabelecimentos veterinários.