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07/02/2017

Em 2016, grande parte das pesquisas sobre nutrição animal concentraram-se em trending topics, incluindo o uso de proteínas em alimentos para animais de estimação e obesidade em animais de estimação.

Alguns temas tiveram maior destaque em nutrição para animais de estimação em 2016 – em especial qualquer coisa relacionada com proteínas (proteínas low-fat, dietas high-protein, proteínas alternativas) e a busca continua da indústria para atender as necessidades de saúde de um mercado pet food cada vez mais diversificado (obesidade e outros problemas de saúde, fórmulas especializadas baseadas em necessidades individuais de animais). Sem surpresa, esses temas foram refletidos em pesquisa publicada, à medida que cientistas e outros especialistas em saúde animal e nutrição continuam a procurar respostas e refinar o conhecimento que conduzirá a indústria pet food à 2017.

Proteínas em alimentos para animais

Dois estudos diferentes publicados na edição de setembro de 2016 do Journal of Animal Science destacaram a proteína nas dietas de cães. O primeiro, “Protein and amino acid bioavailability of extruded dog food with protein meals of different quality using growing mink (Neovison vison) as a model”, tendo o vison-americano como modelo de análise para avaliação da qualidade da proteína dietética dos alimentos proteicos utilizados em alimentos extrusados para cães. O estudo também analisou cães. A digestibilidade da proteína bruta e a composição de aminoácidos foram dois dos pontos chaves do estudo, que utilizaram três diferentes alimentos proteicos de qualidade variável: farinha de cordeiro (baixa qualidade proteica), farinha de aves (qualidade intermediária) e farinha de peixe (alta qualidade).

Na análise com os visons-americanos, a dieta de farinha de cordeiro apresentou os menores valores de balanço de nitrogênio, ganho de peso corporal e taxa de eficiência proteica, desviando-se das outras duas dietas. Todas as três dietas diferiram na digestibilidade aparente total da proteína bruta disponível, bem como dos aminoácidos, com a dieta de farinha de cordeiro mostrando as menores taxas (66,8 por cento de digestibilidade para proteína bruta contra 73,8 por cento para farinha de aves e 82,1 por cento para farinha de peixes). O grupo dos cães apresentou resultados semelhantes, com a digestibilidade ideal padronizada tanto de proteína bruta quanto de aminoácidos, diferindo entre as três dietas na mesma ordem (71,5 por cento de proteína bruta na dieta de farinha de cordeiro; 80,2 por cento para farinha de frango e 87 por cento para farinha de peixe).

No geral, além de mostrar que o uso de visons-americanos em estudos de crescimento pode realmente fornecer informações valiosas na avaliação da qualidade da proteína de alimentos extrusados para cães, este estudo mostra que a composição e a digestibilidade dos aminoácidos são componentes vitais para garantir a nutrição adequada e comparar a qualidade  proteica desses alimentos. Essas conclusões expandem as possibilidades de pesquisa de proteínas e aprimoram as peças necessárias dessa pesquisa, ambas necessárias já que as proteínas em suas várias formas, tornam-se um foco crescente nas formulações de alimentos para animais de estimação.

Outro componente do foco da proteína em alimentos para animais de estimação tem sido as fontes de proteínas alternativas ou não. Um segundo estudo no Journal of Animal Science pesquisou a qualidade nutricional e digestibilidade da proteína de soja bioprocessada. "A digestibilidade aparente total de macronutrientes, as características fecais e as concentrações fermentativas fecais do produto final de cães adultos saudáveis alimentados com proteína de soja bioprocessada", tiveram como objetivo avaliar os efeitos da proteína de soja (um produto processado, à base de soja, com baixas concentrações de fator antinutricional e alta qualidade proteica) em cães e determinar se poderia ser um substituto viável para farinha de subprodutos de aves em alimentos para cães.

No estudo, 48 cães da raça Beagle foram tratados com seis dietas com porcentagens variáveis de proteína de soja. Em termos de palatabilidade, o melhor dos três níveis de inclusão testados (0, 12 ou 48 por cento) foi o de 12 por cento, preferido pelos cães em relação aos outros dois. A digestibilidade da matéria seca, da matéria orgânica e da energia não diferiu do controle em nenhuma taxa de inclusão, com exceção de uma redução em 48 por cento de proteína de soja e a digestibilidade aparente total de proteína bruta não foi significativamente afetada (variando de 82,9 a 86,2 por cento). Os resultados do estudo sugerem que a proteína de soja é um substituto adequado para farinha de subprodutos de aves em alimentos para cães, até um nível de inclusão de 24 por cento - algo que vale a pena notar ou expandir para qualquer um que considere formas alternativas de proteínas em suas fórmulas já que as necessidades do consumidor continuam a se diversificar.

Desafios sobre a obesidade em animais de estimação

A obesidade em animais de estimação é certamente um tema bastante debatido na indústria pet food, ainda mais neste momento em que os consumidores se esforçam com seus animais de estimação cada vez mais acima do peso. Um estudo de junho de 2016 publicado no Jornal de Fisiologia e Nutrição Animal, “Obese mice on a high-fat, alternate-day fasting regimen lose weight and improve glucose tolerance”, focado na possibilidade de jejum em dias alternados com dieta de alto teor de gordura para ratos obesos, como possibilidade para perda de peso.

De acordo com o estudo, os ratos obesos induzidos pela dieta perderam um terço do seu peso corporal de antes da dieta, que consistia em alimentos ricos em gordura, durante dez semanas. O protocolo do jejum também melhorou a tolerância à glicose e a sensibilidade à insulina, embora os camundongos em dias de jejum fossem menos tolerantes à glicose do que em dias de alimentação. Coletivamente, o regime de jejum com uma dieta rica em gordura em camundongos obesos resultou em perda de peso e melhor controle de glicose no sangue e flutuações diárias em parâmetros fisiológicos e bioquímicos selecionados nos camundongos. É possível que estudos como este, sobre arranjos alternativos de alimentação, possam fornecer opções tanto a veterinários quanto a formuladores de alimentos para animais de estimação ao recomendar medidas de perda de peso ou dietas.

Outro estudo, publicado em setembro de 2016, estudou os efeitos da esterilização sobre a ingestão alimentar de fêmeas, no contexto do teor de gordura e carboidratos na dieta. A esterilização animal foi sugerida por promover o consumo excessivo de alimentos, o que pode facilmente levar à obesidade, mas não se sabe se o efeito é mediado por variações nos hormônios relacionados à saciedade. "Efeito da esterilização, teor de gorduras e carboidratos na ingestão de alimentos, nível de atividade e hormônios relacionados com a saciedade em cães do sexo feminino", todos esses componentes foram examinados conforme publicado no Journal of Animal Science.

As fêmeas da raça Beagle (um grupo intacto e outro grupo esterilizado) foram alimentadas com uma dieta rica em carboidratos e uma dieta rica em gorduras, ambas ricas em fibras, durante duas fases. A esterilização dos cães não afetou a ingestão voluntária de matéria seca, nem desafio da ingestão alimentar (usado como índice do estado de saciedade dos cães) ou hormônios sanguíneos, mas levou a um nível de atividade reduzido em comparação com cães do grupo de controle. Em resumo, a esterilização de cães não foi associada a um controle de apetite prejudicado. Alimentar os cães com uma dieta rica em gordura levou a um consumo excessivo de energia e a uma elevação sanguínea inferior da colecistocinina e do peptídeo total YY, mas não foi associada a um efeito saciante mais fraco em comparação com a dieta rica em carboidratos. Estes dados também podem ser úteis tanto para veterinários como para formuladores de dietas especiais, quando sugerem ou determinam tamanhos de porções e restrições alimentares para animais esterilizados.

À medida que as tendências continuam a evoluir, cabe à indústria permanecer no topo das pesquisas - e realizar a sua própria - a fim de garantir que as necessidades dos consumidores sejam satisfeitas, mantendo a integridade nutricional dos alimentos que os animais de estimação dependem como parte de sua saúde e bem-estar.