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24/05/2016
Imagem retirada de http://vida-estilo.estadao.com.br/blogs/comportamento-animal/qual-a-alimentacao-ideal-para-caes-e-gatos/ Imagem retirada de http://vida-estilo.estadao.com.br/blogs/comportamento-animal/qual-a-alimentacao-ideal-para-caes-e-gatos/

Você está com um cãozinho novo, adotou um gatinho ou simplesmente acabou a ração? E agora, qual alimento escolher? Se você for a uma grande loja de ração, ficará perdido de tantas opções. Mas qual é a melhor alimentação para o seu peludo? Será que você está oferecendo a melhor alimentação para ele?

Assim como para seres humanos, a alimentação dos pets passa por frequentes mudanças e modas. Na minha última visita aos EUA com meu cachorro, em agosto de 2015, a febre nutricional era a eliminação de grão das rações e alimentação natural. Esse tema chegou a pouco tempo no Brasil e culminou com o lançamento de uma ração sem grão (grain free) no Congresso Brasileiro da Anclivepa (específico para médicos veterinários de pequenos animais, que ocorre de 12 a 14 de maio).

Basta entrar no perfil de algumas celebridades mães de cachorro, que você descobrirá infinitas receitas caseiras, que prometem melhorar a vida dos pets. Essa é a moda da alimentação natural (AN). Famosa no Brasil há pelos menos dois anos, a alimentação saudável e natural para cães e gatos ganha adeptos diariamente.

Mas os especialistas alertam: dar alimentação inadequada pode trazer diversos riscos à saúde de cães e gatos. Você sabe o que é mito e o que é verdade quando o assunto é o que colocar na tigela do peludo?

Arroz integral, frango cozido e cenoura são frequentemente receitados pelos proprietários adeptos da alimentação natural. Mas não é algo simples assim. Dar alimentos feitos em casa pode ser extremamente prejudicial ao pet e, como consequência, gerar doenças devido à desnutrição.

O médico veterinário nutrólogo Allan Juliani é adepto da AN, mas é categórico ao dizer “cozinhar alimentos em casa e dar para os cães não é sinônimo de boa alimentação. É preciso preparar uma refeição balanceada, prescrita por um médico veterinário nutrólogo, com base em exames. Dar alimentação caseira, sem orientação médica é um erro. É preferível oferecer uma ração de qualidade, com os nutrientes balanceados”.

Já o médico veterinário endocrinologista Alan Gomes Poppl , diretor do Hospital da UFRGS, alerta para os riscos: “Com o tempo, alguns tutores deixam de seguir a risca as recomendações do veterinário, suprimindo certos ingredientes, ou eventualmente os substituindo sem orientação profissional. A médio-longo prazo, pode provocar desequilíbrios nutricionais importantes. Além disso, há risco de contaminação do alimento, se servido crú”. Ele ainda complementa que a questão do tempo para preparo dos mesmos e a necessidade de cozimento, tornam os alimentos comerciais mais seguros com respeito a manutenção de um adequado equilíbrio nutricional do animal.

10 alimentos proibidos para cães e gatos

Se você quer optar por um estilo de vida mais saudável para o seu pet, seja ele cachorro ou gato, busque o médico veterinário, que irá indicar empresas especializadas na confecção de dietas naturais, com suplementação de nutrientes.

Dicas para escolher a ração mais adequada
“Dê ração!”. Fácil falar, né?! Como escolher a melhor ração entre as infinitas opções que tem no mercado?

Veja as dicas dos especialistas, na hora da escolha da ração ideal.
- Busque uma ração de qualidade. Dê preferência por alimentos tipo premium ou super premium, que indica a utilização de insumos de melhor qualidade (por isso, mais caros).
- Evite ração colorida. Os cães não são estimulados a comer pela visão, mas pelo olfato. As cores são para atrair a atenção dos proprietários.
- Atente às características do animal, como porte, idade, estilo de vida e doenças pré-existentes. Quanto mais específica for a ração, maior a chance do seu pequeno se adaptar e estar saudável.
- Faça uma avaliação geral com o médico veterinário, para a escolha do alimento ideal para o seu pet, especificamente.

Mas será que a ração é segura mesmo?
Para responder a essa pergunta, fui visitar a fábrica de uma grande marca de ração, localizada no interior de São Paulo. Pude acompanhar os critérios de seleção e análise dos ingredientes, confecção dos grãos de ração, até chegar ao estoque para distribuição. O cuidado é enorme, principalmente em relação à contaminação. A qualquer possibilidade de ingrediente com características diferentes da exigida, o caminhão todo é rejeitado e enviado de volta ao produtor.

Mesmo com tantos cuidados, alguns questionamentos ainda pairam. Durante a visita à fábrica, perguntei à médica veterinária, mestre em nutrição de cães e gatos, Carolina Padovani Pires, se é recomendável dar só ração a vida inteira dos cães e gatos. A dra Padovani explicou que não há problemas em ofertar alimentos naturais como petiscos. “O grande problema é, ao liberar frutas e verduras, os proprietários extrapolam e acabam oferecendo alimentos que fazem mal, como salsichas, pão e pizza”.

Dar ração todos os dias pode fazer mal?
O Dr Juliani conta que a ração é o fast food dos animais. “Mesmo com ingredientes de boa qualidade, há grandes quantidades de conservantes nos alimentos industrializados. Em longo prazo, há possibilidade de desenvolver problemas de saúde, como tumores e doenças no trato urinário, principalmente de gatos”. Esse panorama é ainda pior se for ofertada uma ração de baixa qualidade. Por isso, é muito importante fazer visitas frequentes ao médico veterinário e garantir uma alimentação adequada ao seu animal de estimação.

E a moda da alimentação sem grãos (grain free)?
A Dra Padovani lembra que muito se questiona e se argumenta sobre o uso de carboidratos nos alimentos industrializados para gatos e cães, pois são espécies carnívoras. “A ciência sinaliza que o consumo de carboidratos não é essencial para cães e gatos, uma vez que, a partir dos aminoácidos, estes animais conseguem auto produzir os carboidratos que necessitam. Porém, o consumo de amidos e fibras (carboidratos) favorece o funcionamento do organismo, tanto como fonte de energia quanto colaborando com o trânsito e equilíbrio da microbiota intestinal” aponta.

Atualmente, encontramos no mercado inúmeras ofertas de alimentos, incluindo os livres de grãos. De fato, estas formulações não apresentam cereais, ou trazem uma quantidade reduzida, mas não são isentas de carboidratos (amidos e fibras). Segundo a médica veterinária Patrícia Padovez, a ração grain free respeita a natureza carnívora dos cães e gatos. “Esses animais não possuem a enzima amilase na saliva, o que faz com que eles demorem mais tempo para digerir o amido e, por isso, esse amido se acumula no organismo em forma de triglicérides. A importância da ração grain free, portanto, é justamente oferecer uma alimentação adequada aos cães e gatos, ou seja, uma alimentação rica em proteína e lipídios e com baixo teor de carboidrato, uma alimentação em que a absorção dos nutrientes é máxima e adequada àquelas espécies” indica.

Independente da oferta e alegações comerciais é importante que o alimento respeite as necessidades do animal. Fazer a mudança brusca da ração comum para a grain free pode causar diarreia em cães. Porém, o excesso de grão de baixa qualidade, como o milho, pode facilitar as inflamações de pele.

O que acontece se meu cão/gato estiver com alimentação errada?
Quem responde essa pergunta é o Dr Alan Gomes Poppl: “A alimentação inadequada pode gerar uma série de transtornos. Os mais frequentes são os desequilíbrios nutricionais. Outra complicação comum devido a carência nutricional é a maior predisposição a formação de cálculos urinários, conforme o tipo de alimentos que estão sendo oferecidos. Além disso, uma alimentação inadequada promove ganho de peso e obesidade, em virtude de haver uma sobrecarga alimentar por parte dos tutores”.

Pode não parecer, mas algumas dietas são pobres em nutrientes e ricas em carboidratos, o que facilita o aumento de peso. “Muitas vezes por desinformação, donos de pets fornecem um aporte de calorias muito maior que o necessário para manutenção do animal. Isto, associado ao sedentarismo, evolui indubitavelmente para excesso de peso” alerta Dr Poppl.

Mas como saber se meu pet está com a alimentação inadequada?
O principal fator a ser observado é o peso. “Ganho ou perda de peso sem causa aparente ou ainda aumento de apetite eventualmente também pode sinalizar a existência de algum desequilíbrio alimentar” afirma Dr Poppl. Por isso, a avaliação criteriosa de um veterinário, anualmente, associada à realização de exames gerais laboratoriais e de imagem, é fundamental para avaliar como está a alimentação do peludo.