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10/05/2019
Imagem retirada de https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2019/05/03/internas_economia,752853/software-escaneia-reacoes-para-identificar-preferencias-de-pets.shtml Imagem retirada de https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2019/05/03/internas_economia,752853/software-escaneia-reacoes-para-identificar-preferencias-de-pets.shtml

O reconhecimento fácil por meio da biometria, auxiliado por recursos da inteligência artificial, vem ganhando terreno em diferentes frentes. Já é usado por bancos digitais, por universidades na hora de liberar acesso, para check-in de companhia aérea, para acionar eletrônicos, como celulares, e em uma série de atividades que querem aumentar a segurança das pessoas, como o monitoramento por meio de câmeras — o que ainda é considerado um tema controverso.

Estudo da consultoria americana Tractica aponta que o mercado de biometria apresentará uma receita acumulada em 10 anos (no período entre 2016 e 2025) de US$ 69,8 bilhões, com uma taxa de crescimento anual de 22,9%.

O principal impulso, mostra a pesquisa, virá da região Ásia-Pacífico, graças a “uma combinação de alto volume populacional, várias economias fortes ou fortemente em crescimento e uma demanda crescente por soluções biométricas para gerenciar grandes iniciativas, como programas nacionais de identificação”, informa o relatório da companhia. A receita global total no último ano do período de previsão, 2025, alcançará US $ 15,1 bilhões.

No Brasil,  há startups desenvolvendo novas aplicações para o reconhecimento facial, mas ainda não é o tipo de recurso plenamente popularizado. Uma rede de lojas de produtos para animais domésticos decidiu usar a tecnologia para alavancar a venda on-line de seus produtos. No caso, em vez de a identificação ser feita a partir do rosto do dono, o escaneamento tem como alvo o animal.

O bichinho escolhe
A rede Petz está lançando um e-commerce ativado pelo reconhecimento fácil para os cachorros, batizado de Pet-Commerce. Eles vão escolher os brinquedos que serão incluídos na cesta de compras graças ao recurso de inteligência artificial (AI, na sigla em inglês) que permite mapear e interpretar as expressões do animal e de qual produto ele mais gostou.

O primeiro passo é posicionar o cão em frente à tela (computador, tablet ou smartphone) para que ele seja fotografado. Quando o dono for fazer a compra, o animal será posicionado novamente diante da tela e exposto a vídeos de brinquedos e ossinhos. A câmera capta a reação do pet e o sistema de inteligência artificial mapeia o nível de interesse de compra dos produtos, identificado em um gráfico de ossinhos.

O projeto surgiu da agência Ogilvy Brasil e o desenvolvimento foi feito pelas empresas D2G Tecnologia e Hogarth. Da ideia à conclusão, foram necessários cerca de nove meses.

Para chegar ao produto final, passaram pelo sistema de AI milhares de fotos de cachorros, com variação de raças (inclusive os sem raça definida). “O olhar, as orelhas apontando em direção à câmera, um animal sem medo e sem desconfiança, que não recue ao ver o site, sinalizam que o cão gostou da brincadeira e se interessou pelo produto mostrado”, relata Leonardo Ogata, adestrador e profissional que participou do treinamento da inteligência artificial.

Foi preciso ainda pensar na melhor experiência de navegação (UX) não para os humanos, como de costume, mas para os pets. Para isso, levou-se em consideração, por exemplo, a visão do cachorro, que enxerga em uma escala de amarelos e azuis, além de não prestarem atenção em imagens estáticas. O problema foi resolvido com a apresentação dos produtos em vídeo e na paleta de amarelos e azuis. Foi preciso ainda ajustar o áudio dos filmes, já que a audição dos cachorros é muito potente.

Se a reação captada pela AI é positiva, o produto é pré-selecionado para o carrinho de compras do site. Mas o negócio só é concluído quando o proprietário do animal preenche seus dados. Por enquanto, o Pet-Commerce é exclusivo para cães.

Além da parte de petshop, a empresa lançou no fim do ano passado a bandeira Seres, de centros veterinários, voltada à saúde animal. A companhia tem ainda a unidade Petz Garden, com plantas, flores e material para jardinagem e piscina. Uma das propostas da nova ferramenta é aumentar a ligação entre o cachorro e seu dono, mas um incremento na receita do canal de vendas do e-commerce, que hoje responde por 5% do faturamento da Petz, será bem-vindo.

A empresa tem atualmente 86 lojas, distribuídas por oito estados — entre eles, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul —, além do Distrito Federal. Os planos para este ano são de chegar a outros estados e pela primeira vez passar da casa de R$ 1 bilhão de faturamento, como conta o presidente, Sergio Zimerman.

fonte: Correio Braziliense

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