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ARTIGOS TÉCNICOS |
Série Técnica
IPEF, Piracicaba, v.1, n.2, p.C.1 – C.9,
Jul.1980.
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DESINFICAÇÃO
DE BIOMASSA FLORESTAL |
Antonio
José Migliorini* |
| 1. INTRODUÇÃO |
Todas
as industrias que utilizam a madeira como matéria-prima,
têm ao final do processamento uma grande
quantidade de resíduos, tanto na industria
como na floresta.
Na maioria das vezes esses resíduos industriais,
constituem-se num grave problema,
devido à quantidade, dispersão e
dificuldade de manuseio que os mesmos apresentam.
Por outro lado, exigem grandes áreas para
armazenamento ou simplesmente são queimados
ou incinerados sem que haja aproveitamento da
energia neles contida.
Fatos semelhantes acontecem na floresta, onde
os resíduos da exploração
são deixados nas áreas exploradas
sem qualquer aproveitamento, causando muitas vezes
problemas nos tratos culturais subseqüentes.
De uma maneira geral, tanto os resíduos
industriais como os florestais, comumente chamados
de biomassa florestal, até recentemente
não possuiam qualquer utilidade.
No entanto, com os crescentes aumentos verificados
nos preços dos combustíveis de
origem fóssil, a biomassa florestal, devido
as suas características, passou a ser encarada
não como um material indesejável,
mas sim como uma fonte de energia, principalmente
por parte das industrias que utilizam a madeira
como matéria-prima.
Dentre as formas de se utilizar a biomassa florestal
como fonte de energia, a sua densificação,
compactação, ou aglomeração
proporciona uma série de vantagens, quando
comparada a sua utilização no estado
natural, principalmente no tocante ao armazenamento,
manuseio, aumento da densidade e poder calorífico. |
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| 2. CARACTERÍSTICAS
DA BIOMASSA FLORESTAL COMO FONTE DE ENERGIA |
Quando
se pretende utilizar a biomassa florestal, como
fonte de energia, deve-se conhecer todas as suas
características, de modo a se aproveitar
todas as vantagens e eliminar os incovenientes.
As principais características que a biomassa
apresenta são a grande quantidade e a
disponibilidade para uso imediato.
Segundo avaliações efetuadas por
BRITO et alii (1979), os resíduos florestais
representam cerca de 30% do total de matéria-seca
produzida por 1 ha de floresta de eucalipto.
Os resíduos das indústrias que tem
a madeira como materia-prima de acordo com estimativas
efetuadas por CASTRO (1978),
atingirão 9,8 milhões de m3 em 1985**.
As outras vantagens são:
- baixo teor de enxofre, portanto não necessita
de processos para controle de emissões;-
baixo teor de cinzas;
- a biomassa e renovável e se distribui
por todo o país, bastando apenas um
programa de florestamento ou reflorestamento. |
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* Engo Ftal. –
Técnico do IPEF – INSTITUTO DE PESQUISAS
E ESTUDOS FLORESTAIS
** Valor correspondente às indústrias
de painéis de partículas e fibras,
compensados, laminados e serrarias. |
Série
Técnica IPEF, Piracicaba, v.1, n.2, p.C.1
– C.9, Jul.1980. |
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| Mas apesar das vantagens,
apresenta as seguintes desvantagens: |
- baixa densidade;
- grande volume;
- alto teor de umidade;
- dimensões heterogêneas;
- é de difícil coleta, armazenamento
e transporte. |
Os
resíduos industriais apresentam maior potencialidade
para uso imediato, devido ao fato de estarem concentrados
em áreas junto às indústrias,
podem ser coletados com facilidade, tornando assim
uma importante e econômica fonte de matéria-prima
para produção de combustível
densificado.
Os resíduos florestais, apesar de serem
mais difíceis de se coletar, não
devem ser desprezados, pois eles poderão
contribuir quando os resíduos industriais
não forem suficientes para satisfazer às
necessidades energéticas ou poderão
diversificar as fontes de renda da empresa, através
da venda do excedente energético. |
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| 3. DENSIFICAÇÃO
DA BIOMASSA FLORESTAL |
Uma maneira de se eliminar
os inconvenientes que a biomassa florestal apresenta
é
através do processo de densificação.
Com esse procedimento pode-se obter: |
- combustível
uniforme;
- limpo;
- maior densidade;
- umidade uniforme;
- poder calorífico elevado;
- queima uniforme;
- maior rendimento na eficiência de queima
e liberação de calor |
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| 4. PROCESSOS
DE DENSIFICAÇÃO DE BIOMASSA |
Basicamente os processos de densificação
de biomassa consistem na aplicação
de
pressão a uma massa de partículas
com ou sem a adição de ligantes
ou tratamento térmico.
Os processos comerciais de densificação
de biomassa são:
- Peletização - (usado
na manufatura de rações), emprega
uma matriz de aço perfurada com um denso
arranjo de orifícios de 0,3 a 1,3 cm
de diâmetro (Fig. l). A matriz gira e
a pressão interna dos cilindros forçam
a passagem da biomassa através dos orifícios
com pressões de 7,0 kg/mm3.
O pelete então formado é cortado
por facas ajustadas ao comprimento desejado.
- Cilindros ou cubos - e uma modificação
da peletização, a qual produz
grandes cilíndros ou cabos de 2,5 a 5
cm de diâmetro.
- Briquetagem - compacta a biomassa entre
cilindros com cavidades, produzindo formas como
o carvão briquetado. As dimensões
variam de 15-250 mm de comprimento, com diâmetro
de 50 mm.
- Extrisão – usa uma rosca
para forçar a biomassa sob alta pressão
contra uma matriz, formando grandes cilindros
de 2,5 a 10 cm de diâmetro. Agentes ligantes
como piche ou parafina são freqüentemente
adicionados para aumentar a força estrutura
e o poder calorífico. Material extrudado,
é amplamente disponível nos supermercados
americanos, eles têm uma gravidade específica
de 1,0. (Figura 2).
Embora as técnicas de densificação
sejam largamente praticadas, poucas informações
sobre o mecanismo pela qual a biomassa atinge
altas densidades são disponíveis.
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Figura 1. Processo
de peletização
Fonte: REED (1978) |
Série
Técnica IPEF, Piracicaba, v.1, n.2, p.C.1
– C.9, Jul.1980. |
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Figura 2. Processo
Extrusão
Fonte: REED (1978) |
Série
Técnica IPEF, Piracicaba, v.1, n.2, p.C.1
– C.9, Jul.1980. |
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De
uma maneira geral, as principais diferenças
entre os processos consistem no tamanho do material
densificado, equipamento utilizado, grau de moagem
de matéria-prima, temperatura e pressão
utilizadas.
A Figura 3 apresenta a sequência básica
do processo de densificação. |
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| A Figura 4 apresenta
uma típica unidade de densinficação. |
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| 5. BALANÇO
ENERGÉTICO |
A
energia requerida para a densificação
dependerá do conteúdo de umidade,
tamanho e tipo do material densificado, equipamento
usado, etc.
O consumo de energia oscila entre 10 a 20% do
conteúdo energético do material.
Assim uma matéria-prima que contém
100 unidades de energia ao final do processo apresenta
80 a 90 unidades, pois o restante foi consumido
pelo processo.
A maior parte da energia necessária é
utilizada para a secagem do material.
A Tabela 1 apresenta o balanço de energia
de uma indústria com capacidade de produção
de 300 t. de pelete/dia. |
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Série
Técnica IPEF, Piracicaba, v.1, n.2, p.C.1
– C.9, Jul.1980. |
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Figura 4. Unidade típica
de peletização (produção
de 120 t. de pelete/dia).
Fonte: REED (1978) |
Série
Técnica IPEF, Piracicaba, v.1, n.2, p.C.1
– C.9, Jul.1980. |
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Tabela 1. Balanço
de energia* para a produção de 300
t./dia de pelete.
Fonte: REED, (1978)
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| Energia contida na biomassa
540 t. casca (50% U) |
1.076.544.000 |
Necessidade de energia do processo
Pulverização: 6 moinhos (50hp
cada) |
14.868.000 |
Secagem: evaporação de 203
t. água
Secadores, 50 hp |
182.952.000 |
Peletização: (337
t. casca 20% U)
2 moinhos peletizadores 600 hp |
29.736.000 |
| Total de energia pra o processo: |
227.556.000 |
Entrada total de energia:
(biomassa + processo) |
1.304.100.000 |
| Produto: 300 t. (10% U): |
1.209.600.000 |
| Eficiência energética do processo: |
92,7% |
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| * Em kcal |
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| 6. CONCLUSÕES |
Todas
as vezes que houver resíduos florestais
ou industriais é preferível densificálos
que utilizá-los no estado natural. Essa
medida facilita o transporte, uniformiza o material,
favorece a estocagem pelo aumento da densidade
e poder calorífico e reduz substancialmente
a ação poluidora.
A utilização da biomassa como matéria-prima
para a produção de combustíveis
densificados, elimina áreas de estocagem
de resíduos nas indústrias e facilita
as operações dos tratos culturais
na floresta.
O combustível densificado pode-se tornar
uma fonte de rendimentos para a empresa, através
da venda do seu excedente. |
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| 7. REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS |
BLACKMAN,
T. – Bark pellets are high energy fuel for
coal, gas aplication, forest industries,
San Francisco: 48-9, fev.1978.
BRITO, J.O. et alii – Avaliação
das características dos resíduos
da exploração florestal do eucalipto
para fins energéticos. Circular técnica,
Piracicaba, (62): 1-8, ago.1979.
CASTRO, R. de F. – Participação
do sub-setor florestal no balanço energético
brasileiro, In: Diagnóstico da participação
do sub-setor florestal na economia brasileira.
Brasília, IBDF/COPLAN, 1978. p.73-109.
MORAES, M.A. – Centralização
da produção de carvão de
madeira. Metalurgia-ABM São Paulo
35(264): 791-4, nov.1979.
REED, T. Densified biomass a new from of solid
fuel. Golden, Solar Energy Research
Institute, 1978. 30p.
SALEME, J.E.F. – Estudo básico
para briquetagem do carvão vegetal.
OuroPreto, Escola de Minas e Metalúrgica
s.d. 19p. |
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