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ARTIGOS TÉCNICOS |
EFEITO
DA PELETIZAÇÃO DAS RAÇÕES
SOBRE O DESEMPENHO DAS AVES E SUÍNOS
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Apesar
dos inúmeros benefícios à
produção animal intensiva, a melhoria
da qualidade do peletizado é uma meta a
ser perseguida e alcançada pela indústria
brasileira de alimentação animal. |
Por
Walter de Albuquerque Araújo D.V.M. –
Membro Emérito do Colégio Brasileiro
de Nutrição Animal – CBNA;
Diretor Técnico da WS – Consultoria
& Nutrição Científica
S/C Ltda.; Consultor Técnico da Melbar
Produtos de Lignina Ltda.
As referências deste artigo estão
no site: www.suinoculturaindustrial.com.br
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A
despeito dos seus 93 anos de história e
do formidável acervo de resultados de pesquisas,
o processamento industrial da peletização
das rações animais ainda é
considerado mais arte que ciência (MOMMER,
1991).
A peletização da ração
exerce um efeito dramático no desempenho
dos animais, que, com ela são alimentados.
Por outro lado, admite-se que o custo deste processamento,
por demandar equipamentos complexos, energia e
capital, eleva o custo da ração
em torno de 2% (MEINERZ, 2001).
O mundo globalizado exige que a produção
atenda ao binômio qualidade e competitividade
e quando falamos sobre este binômio nesta
fala incluímos tanto os fabricantes de
alimentos animais como os seus clientes, os criadores.
A indústria de ração animal
necessita investir em equipamentos mais eficientes
e que propiciem uma maior produtividade industrial.
Por sua vez, o criador deve se assegurar que:
instalações sejam construídas
dentro das normas de conforto animal, que a linhagem
selecionada para criação tenha a
máxima produtividade aliada a um sistema
imune competente que propicie resistência
às doenças e aos fatores estressantes,
que garanta maior viabilidade e finalmente que
seja respeitado o meio ambiente tratando os efluentes
convenientemente para que não cause danos
ambientais. Partindo desta premissa, consideramos
que o aumento propiciado pela peletização
da ração sobre a digestibilidade
e conseqüente eficiência alimentar,
gera uma carga menor de dejetos minimizando os
danos ambientais. WONDRA et al. (1995) relata
que nas regiões de criação
intensiva há redução de 23%
na excreção de matéria seca
e 22% na excreção de nitrogênio
como resultado da peletização. Como
podemos ver, a peletização das rações
de aves e de suínos nos municípios
sede das grandes integrações contribui
para reduzir a poluição ambiental.
Entretanto, a melhoria da qualidade do peletizado
é uma meta a ser perseguida e alcançada
pela indústria brasileira de alimentação
animal. Para tanto, falta ainda ao órgão
oficial fiscalizador fixar o padrão mínimo
de qualidade do pelete para que as rações
peletizadas tenham no máximo 1% de finos
e quebrados ou que exibam em seus rótulos
o índice de durabilidade do peletizado
(PDI). A qualidade do peletizado torna-se muito
importante para a indústria avícola
e suinícola e os integradores reconhecem
o valor da alimentação com rações
peletizadas de boa qualidade. Sabendo ainda que
a ração é responsável
por cerca de 60 a 70% do custo da produção
das aves e dos suínos e que o processo
de peletização exerce efeitos dramáticos
sobre o ganho de peso e a conversão alimentar,
a qualidade do peletizado é fundamental.
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TABELA 1: Efeito das
formas físicas e níveis energéticos
das rações no desempenho dos frangos
de corte de 21 a 42 dias de idade
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Forma física das rações |
Energia metabolizável (kca/kg) |
Ganho diário de peso (g) |
Consumo de ração (g) |
Conversão alimentar |
Peso corporal (g) |
Peso da carcaça (g) |
| Farelada |
2900 |
1280 |
2745 |
2,15:1,00 |
2096 |
169 |
| peletizada |
2900 |
1646 |
3357 |
2,04:1,00 |
2340 |
1894 |
| triturada |
2900 |
1566 |
3242 |
2,07:1,00 |
2236 |
1802 |
| pel + tritu |
2900 |
1617 |
3302 |
2,05:1,00 |
2257 |
1785 |
| farelada |
3200 |
1442 |
2830 |
1,96:1,00 |
2223 |
1809 |
| peletizada |
3200 |
1703 |
3130 |
1,84:1,00 |
2303 |
1886 |
| triturada |
3200 |
1632 |
3083 |
1,89:1,00 |
2271 |
1853 |
| pel + tritu |
3200 |
1646 |
3091 |
1,88:1,00 |
2366 |
1941 |
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| Fonte: Klein, C. H.
et al. Comunicado Técnico – Embrapa
– Suínos e Aves 1999 |
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TABELA
2: Efeito da peletização das rações
sobre o desempenho dos frangos de corte |
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Referência |
Ração farelada ganho de peso diáriomédia (g) |
Conversão alimentar |
Ração peletizada
Ganho de peso diáriomédia (g) |
Conversão alimentar |
Comentários |
| Hussar
e Robblee (1962) |
18,8 |
2,17:1,00 |
23,6
21,2 |
1,98:1,0
2,0:1,0 |
peletes
peletes remoídos |
| Hull (1968) |
18,9 |
1,56:1,00 |
19,3
18,3 |
1,48:1,0
1,61:1,0 |
peletes
peletes remoídos |
| Runnels
et al. (1976) |
42,0 |
2,14:1,00 |
47,0
44,9
44,5
44,7 |
2,10:1,00
2,11:1,00
2,12:1,00
2,12:1,00 |
peletes (não peneirados)
peletes (peneirados)
triturados
½
peletes ½ triturados |
Proundfoot
and Hulan (1982)
experimento 1 |
34,0 |
2,10:1,00 |
33,6
35,3
35,5
35,6
35,8
36,5
36,4 |
2,09:1,00
2,02:1,00
2,02:1,00
2,03:1,00
2,01:1,00
2,04:1,00
2,01:1,00 |
100%
de finos
45%
de finos
35%
de finos
25%
de finos
15%
de finos
5
% de finos
%
de finos |
Proundfoot
and Hulan (1982)
experimento 2 |
39,2 |
2,11:1,00 |
38,7
39,3
40,5
40,9
41,6 |
2,11:1,00
2,06:1,00
2,06:1,00
2,05:1,00
2,04:1,00 |
100%
de finos
80%
de finos
60%
de finos
40%
de finos
0%
de finos |
| Choi et
al. (1986) |
35,1 |
2,69 |
39,3 |
2,67 |
|
| Scheidler
(1991) |
- |
- |
45,3
42,2 |
2,08:1,00
2,13:1,00 |
25%
de finos
75%
de finos |
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| Fonte: Behnke, K. C.
e Beyer, R. S. – Kansas State University |
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TABELA 3: Efeito da peletização
das rações sobre o desempenho dos
suínos*
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Referências |
Peso dos suínos (kg) |
Número de animais |
Ração farelada
Ganho de peso diáriomédia (g) |
Ganho/
consumo |
Ração peletizada
Ganho de peso diáriomédia (g) |
Ganho/
consumo |
| Comitê
sobre nutrição de suínos – 42 nrc (1969) |
20 a 91 |
556 |
770 |
0,31 |
780 |
0,32 |
| Hanke et
al. (1972) |
58 a 99 |
379 |
750 |
0,29 |
800 |
0,31 |
| Baird (1973) |
15 a 100 |
120 |
690 |
0,27 |
720 |
0,29 |
| Tribble
et al. (1975) |
29 a 100 |
192 |
660 |
0,26 |
680 |
0,29 |
| Harris
et al. (1979) |
70 a 100 |
98 |
610 |
0,26 |
660 |
0,28 |
| Tribble
et al. (1979) |
59 a 98 |
144 |
620 |
0,24 |
700 |
0,27 |
| Skoch et
al. (1983) |
49 a 98 |
60 |
770 |
0,32 |
840 |
0,34 |
| Wondra
et al. (1995) |
55 a 115 |
160 |
960 |
0,29 |
1,00 |
0,31 |
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| * Todas as rações
foram baseadas em milho, menos as usadas pro tribble
et al. (1975, 1979) e Harris et al. as rações
eram baseadas em sorgo. |
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TABELA
4: Lignosulfonato de cálcio % |
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Itens |
Controle |
0,5 |
1,0 |
2,0 |
| Produção
média, kg/h |
1031 |
1097 |
1183 |
1289 |
Consumo
de energia
elétrica kwh/ton |
9,7 |
9,3 |
8,6 |
7,9 |
| Índice
de durabilidade do pelete (pdi) |
53,1 |
66,8 |
73,3 |
80,0 |
| Finos % |
25,7 |
17,4 |
13,5 |
9,5 |
|
| |
| Relatório ainda
não publicado (Starkey and Handcock). |
| |
Por
outro lado, se considerarmos que uma centena de
experimentos indicam que a peletização
tem como resultado de 0% a 12% de melhora na conversão
alimentar, que o preço da ração
constitui-se numa substancial porção
do custo de produção da carne, ovos,
etc, bastará apenas um “pequeno”
incremento na conversão alimentar, para
resultar em um maior retorno econômico que
premie a esperada competitividade. |
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JUSTIFICATIVA
PARA PELETIZAÇÃO DOS ALIMENTOS PARA
ANIMAIS |
| AVES |
As
pesquisas sobre os efeitos da peletização
concentram-se historicamente na comparação
entre os benefícios da alimentação
com dietas peletizadas versus fareladas.
Segundo uma das que foi feita na Embrapa Suínos
e Aves, extraímos os resultados da Tabela
1 que mostram que os frangos alimentados com rações
que foram submetidas ao processo de peletização,
independente do nível de energia obtiveram
melhores ganhos de peso comparados com aqueles
alimentados com a mesma ração na
forma farelada (KLEIN 1999).
A dieta peletizada (BEHNK 1992) melhora o desempenho
dos frangos de corte tanto em ganho de peso como
em conversão alimentar (Tabela 2).
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| SUÍNOS |
No
Comunicado Técnico da Embrapa Suínos
e Aves, de março de 1983, BELLAVER et al.
relata o resultado de pesquisa destinada a avaliar
as perdas de ração em comedouros
e tipos de rações.
Na comparação das formas de ração,
observou-se que as perdas foram de 2,31% na farelada
e 0,56% na peletizada, mostrando assim a vantagem
da peletização em relação
a rações fareladas.
Uma revisão bibliográfica feita
por HANCOCK et al. (1995) sumariza as informações
sobre o desempenho dos suínos comparando
rações para suínos fareladas
e peletizadas (Tabela 3).
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A
QUALIDADE DOS PELETES PODE SER MELHORADA |
Para
melhorar a qualidade do peletizado são
utilizadas muitas substâncias com propriedades
aglutinantes e, entre elas, destacamos o lignosulfato
de cálcio, que permite um melhor desempenho
da peletizadora e índices de durabilidade
do pelete (Tabela 4). |
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FATORES
QUE AFETAM A QUALIDADE DO PELETIZADO |
Resultado
de pesquisa publicado por REIMER em 1992 concluiu
que os seguintes fatores são os mais importantes:
formulação 40%, tamanho da partícula
20%, condicionamento 20%, especificações
do anel de prensa 15%, resfriamento e secagem
5%. |
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
|
1)
Segundo informações do Sindirações
no “Perfil 2004 da Indústria Brasileira
de Alimentação Animal”, o
Brasil é hoje o terceiro produtor mundial
de rações. Em 2003, produziu 40,8
milhões de toneladas ficando atrás
apenas dos Estados Unidos e China.
2) Infelizmente, tanto o órgão oficial
de classe da indústria de rações
como o fiscalizador, desconhecem o volume de ração
que é peletizada no País.
3) Fica aqui consignada nossa sugestão
de que estes órgãos que recebem
dos fabricantes de rações, relatórios
mensais de produção tão sofisticados
que inclusive revelam sua destinação
por Estados, onde a ração foi vendida,
além disto indiquem qual volume de ração
é peletizado.
Esta providência analisada estatisticamente
será benéfica para que a indústria,
ao vender uma ração que passa realmente
por um processamento industrial que lhe agrega
valor, possa estabelecer com mais objetividade
suas estratégias de vendas e logística.
Bibliografia: Revista suinoculturaindustrial,
nº 06/2004
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