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ARTIGOS TÉCNICOS |
FARELO DE GLÚTEN DE MILHO 21
NA ALIMENTAÇÃO DE CÃES
Iris Mayumi Kawauchi, Aulus Cavalieri Carciofi,
Nilva Kazue Sakomura
Faculdade de Ciências Agrárias
e Veterinárias, Unesp, Jaboticabal.
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Em
2007 foram produzidos no Brasil 1,8 milhões
de toneladas de alimentos para cães e gatos,
com faturamento de US$ 3,07 bilhões. No
entanto, acredita-se que apenas 45% dos 31 milhões
de cães e 15 milhões de gatos domiciliados
no Brasil se alimentem com alimentos industrializados,
recebendo o restante sobras de mesa. A maior penetração
dos alimentos industrializados nas faixas com
menos poder aquisitivo da sociedade depende de
se reduzir custos mantendo a qualidade do produto,
um grande desafio para a indústria. Para
possibilitar o atendimento desta demanda, a utilização
de coprodutos agrícolas em alimentos de
cães e gatos tem sido uma alternativa viável,
diminuindo a dependência por cereais que
possam servir para a alimentação
humana e reduzindo o custo total de produção.
Embora estas matérias primas sejam menos
ricas em nutrientes, elas podem suprir, ao menos
em parte, as necessidades energéticas dos
animais, sendo geralmente abundantes em fibra
e ricas em lignina e sílica.
Dois coprodutos da refinação de
milho, o farelo de glúten de milho 21 e
o farelo de glúten de milho 60 têm
sido amplamente empregados, apesar de muito pouco
estudados para cães e praticamente não
estudados para gatos. Estes apresentam composição
química distinta, principalmente, quanto
ao teor protéico e fibroso. O farelo de
glúten de milho 21 (FGM) possui menos proteína
e mais fibra em sua composição.
Estima-se no Brasil disponibilidade de aproximadamente
230 mil toneladas deste coproduto, obtido pelo
processo de moagem úmida do milho (Figura
1). O FGM é composto pelas estruturas que
sobram do grão após extração
da maior parte do amido, glúten e gérmen.
Compreende dois terços de conteúdo
fibroso e um terço de líquido concentrado
de maceração, de modo que sua composição
final pode variar em função das
condições de processamento. Apresenta
teor protéico mediano e elevada fibra,
abundante em hemicelulose e com baixa de celulose
e lignina. Nas formulações para
cães, o FGM tem sido utilizado para se
complementar, a um menor custo, os teores nutricionais
da ração. Uma vantagem de sua utilização
em relação ao farelo de trigo, por
exemplo, seria a ausência de fatores anti-nutricionais
presentes no último, como o fitato.
Em estudo desenvolvido na UNESP de Jaboticabal
(KAWAUCHI, 2008) determinaram-se a composição
química, digestibilidade e energia metabolizável
do FGM para cães. O farelo de glúten
de milho avaliado foi produzido pela Corn ProductsBrasil,
Mogi Guaçú - SP. Caracterizou-se
por possuir reduzido teor de amido e gordura,
ser rico em fibra dietética insolúvel
e por apresentar concentração intermediária
de proteína (Tabela 1). Em função
de sua composição química
e digestibilidade, trata-se de ingrediente de
baixo valor energético, interessante para
alimentos de baixa caloria como os destinados
a cães idosos, obesos ou que realizam reduzida
atividade física, como os confinados ao
interior de casas ou apartamentos. Por diluir
calorias do alimento, o uso de fibra é
uma solução atrativa quando se deseja
prevenir o ganho de peso em cães e gatos.
Além disso, acredita-se que esta fração
possua propriedades que favoreçam a manutenção
do peso por meio da regulação do
apetite, interferência mecânica simples
e complexa interação hormonal.
No mesmo estudo anteriormente citado, foram estudadas
dietas contendo 0% (basal), 7%, 14% e 21% de FGM
(Tabela 2). A adição de FGM resultou
em redução dos coeficientes de digestibilidade
aparente dos nutrientes e da energia metabolizável
das dietas. No entanto, para proteína,
amido e gordura esta diminuição
na digestibilidade não ocorreu de forma
pronunciada. Além disso, os valores de
digestibilidade não estiveram fora do padrão
de alimentos secos para cães adultos. Não
houve, também, alteração
importante na qualidade das fezes que, apesar
de aumentarem em quantidade e teor de umidade,
mantiveram consistência adequada. Verificou-se,
ainda, redução no pH da urina dos
cães com a utilização do
FGM, o que o torna um potencial agente modulador
do equilíbrio ácido-básico.
Esta redução de pH é explicada
pela predominância de ânions no ingrediente,
com excesso de bases negativo (Tabela 1). Isto
é importante quando se considera que a
composição dos alimentos secos tende
a impor uma carga catiônica aos animais,
que induz cães e gatos a produzir urina
neutra ou mesmo alcalina, predispondo-os à
urolitíase por estruvita.
Assim, o FGM mostrou-se alternativa nutricional
interessante e viável, com bom potencial
de emprego do ponto de vista nutricional. Sua
adição em até 7% não
provocou alteração significativa
na energia metabolizável do produto e sua
inclusão em até 14% manteve as digestibilidades
da proteína, gordura e amido das dietas.
Seu principal emprego, no entanto, parece ser
em produtos destinados a cães com distúrbios
metabólicos como obesidade, que afeta de
forma negativa a longevidade e qualidade de vida
dos cães.
FONTE: Kawauchi, I. M. Farelo de glúten
de milho 21 na alimentação de cães
adultos. Faculdade de Ciências Agrárias
e Veterinárias – UNESP, campus de
Jaboticabal. Dissertação (Mestrado
em Zootecnia). 2008. 71p.
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| Figura 1. Fluxograma
do processo de maceração dinâmica
do milho. Adaptado de LOPES FILHO et al. (1997). |
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| Tabela 1. Composição
química, coeficientes de digestibilidade
aparente (CDA), energia metabolizável e excesso
de bases do farelo de gluten de milho 21 para cães
(média ? erro padrão da média). |
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| Item |
Composição
química (%) |
CDA
(%) |
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| Matéria seca |
89,43 |
52,73+3,05 |
| Matéria orgânica |
93,32 |
52,41+2,22 |
| Proteína bruta |
24,91 |
68,84+3,08 |
| Extrato etéreo ácido |
4,50 |
74,38+1,25 |
| Fibra bruta |
7,88 |
54,75+10,92 |
| Fibra dietética total |
42,72 |
-36,40+6,52 |
| Amido |
12,54 |
99,80+0,09 |
| Energia bruta (kcal/kg MS) |
4413 |
54,46+2,46 |
|
| Energia metabolizável
(kcal/kg MS) |
2023,03+230,68 |
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| Excesso de bases (mEq/kg) |
-180,8 |
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| Tabela 2. Coeficientes
de digestibilidade aparente, energia metabolizável,
produção e fezes e pH da urina de
cães mediante consumo de dietas com diferentes
inclusões de farelo de glúten de milho
21. |
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