Os
gatos possuem determinadas necessidades de nutrientes
obrigatórios que não são
essenciais para outros mamíferos, devido
ao seu metabolismo característico de carnívoro
estrito.
Alguns proprietários alimentam os gatos
com alimentos formulados para cães que,
do ponto de vista nutricional, são inadequadas
para o crescimento, a manutenção
e a reprodução dos felinos. Os alimentos
completos para cães são deficientes
em proteína, taurina, metionina, niacina,
vitamina B6 e colina, nutrientes de grande importância
para a alimentação dos gatos.
Os gatos foram domesticados por um período
muito menor do que os cães e consequentemente
possuem hábitos mais semelhantes aos seus
ancestrais selvagens. O hábito do gato
de ingerir pequenas quantidades de alimentos reflete
um padrão de caçadas que é
observado em seu ancestral. Normalmente, os gatos
ingerem de dez a vinte pequenas refeições
durante o dia inteiro.
A preferência alimentar dos felinos por
alguns aminoácidos (alanina, prolina, lisina
e histidina), encontrados em abundância
no tecido muscular de suas presas, confirma a
característica carnívora dessa espécie.
A amilase não é encontrada na saliva
do gato; essa particularidade fisiológica
é o reflexo da composição
nutricional da dieta desses animais, isto é,
alimentação composta por pequena
quantidade de amido. A capacidade de absorção
do gato é 10% menor que a do cão;
dessa forma, os cães estão mais
adaptados a dietas variadas, ingerindo alimentos
que necessitam de digestão mais elaborada
do que os tecidos de origem animal.
Os aminoácidos que não são
produzidos em quantidades suficientes para suprir
as necessidades metabólicas do organismo
são classificados como aminoácidos
essenciais e aqueles que são sintetizados
em quantidades suficientes são denominados
aminoácidos não essenciais. Em algumas
circunstâncias fisiológicas ou de
doença, certos aminoácidos não
essenciais passam a ser indispensáveis,
quando não são sintetizados em quantidades
suficientes. Os aminoácidos essenciais
são utilizados para a síntese protéica,
para o crescimento e o reparo de tecidos e como
fonte de nitrogênio.
Os felinos necessitam de onze aminoácidos
essenciais, dos quais a arginina, a taurina e
a metionina são especialmente necessárias.
A cisteína e tirosina são essenciais
apenas quando a dieta é deficiente em metionina
e fenilalanina que são, respectivamente,
seus precursores. A felinina, isovaltina e isobuteína
são aminoácidos sintetizados exclusivamente
pelos gatos.
A pouca flexibilidade e a exigência nutricional
características dos carnívoros tornam
os felinos dependentes de fontes de proteínas
de alta qualidade, nas quais podem ser encontrados
os aminoácidos essenciais para as atividades
metabólicas vitais. A formulação
dos alimentos completos industrializados deve
levar em consideração as exigências
nutricionais peculiares da espécie, especificamente
em relação aos aminoácidos
essenciais. O fornecimento de um alimento equilibrado
e completo em termos nutricionais é importante
para promover as condições necessárias
para a síntese protéica, essencial
para a manutenção e a longevidade
do felino.
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