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ARTIGOS TÉCNICOS

Revista feed&food – edição 23 – Anuário
Editoria – Feed – Mercado de rações

AS OPORTUNIDADES E PREÇO DA GLOBALIZAÇÃO

O mundo está apático e assustado com a crise econômica, todavia, o Brasil tem tudo para se destacar na produção de alimentos para o mundo
 
Por Arthur Rodrigo Ribeiro, de Jundiaí (SP)
 
De acordo com o diretor executivo do Sindirações, Ariovaldo Zanni, entidade sediada em São Paulo (SP) e representante do setor Brasileiro de nutrição animal, é necessário considerar diversos elementos para encontrar o equilíbrio, agravado pela atual turbulência financeira que acomete diversos setores, incluído o setor de alimentação animal.

Para ele, os diversos representantes da indústria de proteína animal devem ajustar-se ao compasso da cadeia de produção e justifica afirmando que o discurso das entidades é comum, falta, contudo, diálogo entre elas.

A especulação financeira prejudicou sobremaneira o desempenho do agronegócio global. Atualmente, a amplitude da variação cambial tem atrapalhado as negociações entre quem compra e quem vende. “A indefinição do câmbio atrasa o desenvolvimento dos negócios”, define.

Não o bastante, Zanni enfatiza outras razões que tem prejudicado o bom desempenho e lista: a escassez perene dos insumos agropecuários; as barreiras ao fluxo de mercadorias; o crescente protecionismo de países que fecham fronteiras comerciais; o ressurgimento da xenofobia, gerando aversão aos estrangeiros por conta da diminuição da oferta de emprego local, dentre outros.

Outro alerta do executivo é a flagrante divergência nas ações da iniciativa privada e o setor público. Ele crê que o caminho mais curto seria ambos investirem nas discussões com objetivo de convergir interesses comuns, ou seja, criar mecanismos não burocráticos para fomento da segurança alimentar no mercado doméstico e garantir a competitividade do Brasil no cenário internacional.

Ademais, o contingenciamento orçamentário do governo represa os recursos necessários à fiscalização eficiente que pode incentivar práticas informais por parte dos oportunistas.

No tocante ao consumidor final, ele acredita que a cada dia este estará mais seletivo diante da eventual diminuição da renda.

Mesmo diante dos tantos desafios, Zanni informa que em 2008 o setor produziu 59 milhões de toneladas, crescimento de 10,2% comparado com o ano anterior, quando a indústria registrou 53,5 milhões de toneladas. (Confira a produção por segmento na tabela abaixo).

 
PRODUÇÃO DE RAÇÃO 2008
 
  milhões de toneladas
  2007 2008 %
AVICULTURA 29704 3287 10,
corte 25568 2821 10,
postura 4136 465 12,
SUINOCULTURA 14195 15310 7,9
BOVINOCULTURA 6458 732 13,3
leite 4419 505 14,4
corte 2039 2264 11,0
CÃES e GATOS 1849 203 10,
EQUINOCULTURA 441 49 13,2
AQUICULTURA 225 245 9,0
peixes 168 185 10,0
camarões 57 60 5,0
OUTROS 682 72 5,6
TOTAL 53554 59002 10,
       
SUPLEM. Bovinos 1,8 1,9 5,6
ESTIMATIVA PARA 2010 = 70 milhões de toneladas
 
Simulação de cenários

Segundo Zanni a indústria de ração pode crescer 5% em 2009 e produzir cerca de 62 milhões de toneladas, caso o esforço coletivo das nações reflita recrudescimento econômico. “O sistema financeiro público e privado precisa direcionar o crédito ao destino adequado”, diz. “Ao contrário, a economia mundial continua desaquecida e possivelmente a produção de ração em 2009 permaneça sem crescimento”.
 
Consumo de rações em 2008 – milhões por tonelada

Fonte: Sindirações
Olho: “As pessoas não devem ser pessimistas, porém cautelosas. O setor agropecuário não pode desesperar-se”

Olho: O setor de alimentação global – humana e animal – deve ser o último a sofrer conseqüências desta crise de liquidez e confiança

Olho: Existe mais de 1 bilhão de famintos no mundo. A obrigação das autoridades é encontrar o ponto de equilíbrio entre a segurança alimentar e o combate à fome

 
DESAFIOS À SUSTENTABILIDADE

Alimentação Animal - Global

Tendência de queda nos estoques globais de grãos
População mundial continua crescendo
PIB crescendo em paises em desenvolvimento
Escassez de terra e água – desafio a produção de proteína
Reservatórios naturais de peixes, quase extintos
Etanol e biodiesel competindo pelos grãos
Forte impacto das alterações climáticas


Alimentação Animal - Brasil

Descompasso nos elos da cadeia de produção
Escassez financiamento para capital de giro
Ciclotimia do câmbio
Escassez de insumos pecuários
Barreiras ao fluxo comercial
Protecionismo e xenofobia
Seletividade do Consumidor
Dificuldade na implementação da inovação
Antagonismo entre iniciativa privada & poder público
Fonte: Sindirações

Cenários

Em 2030 os 9,1 bilhões de habitantes demandarão 50% mais alimento
Fonte: Ban Ki Moon – SG ONU

Mais de 80% da população mundial vive com menos de US$ 3mil/ano, mais de 1 bilhão de famintos e 1,3 bilhão de gordos/obesos – Fonte: FAO

CHINA
Aumento de 142% no consumo de carnes, enquanto a população cresceu 16%, de 1990 a 2008

Produzirá mais de 150 milhões de toneladas de ração em 2008
Fonte: CFIA statistics

MUNDO (produção de alimentação animal)
EUA e UE estável (sem crescimento nos últimos 10 anos)
Brasil crescendo 10% a.a. e China 5% a.a., apesar dos custos dos insumos
Fonte: IFIF

BRASIL (consumo de milho e farelo de soja)
2008 – 59 milhões de tons ração = 34 milhões de tons (milho) + 10 milhões tons farelo soja
2010 – 70 milhões de tons ração = 40 milhões de tons (milho) + 12 milhões tons farelo soja
Fonte: Sindirações

Observadores da União Européia prevêem que o Brasil consolidará seu status como “exportador gigante” de produtos agrícolas até 2017; vai passar os Estados Unidos como maior produtor de óleo de soja em 2016/2017; terá 60% do mercado mundial de açúcar até 2017; domínio nas exportações de etanol e EUA como importador; poderá exportar 13 bilhões de litros etanol dentro de dez anos; ganhará mais da metade do crescimento do mercado com 30% das exportações globais de carnes em 2017; continuará dominando o comércio de carne bovina, com 47% das exportações mundiais; poderá mais que dobrar suas exportações de carne de porco; será o único país onde a produção de carne de frango deve aumentar mais rápido do que o consumo, consolidando sua posição de maior exportador, à frente dos Estados Unidos; o consumo doméstico de milho será maior que a produção.

O que vem por aí (simulações)

Produção agrícola mundial em 2009 pode sofrer quebra de safra por carência de crédito face à crise global;
Estoques mundiais de grãos baixos ao lado de demanda por alimentos nos emergentes e restrição de oferta tende a recuperar cotações de commodities agrícolas ao longo de
2009;
Cotações das commodities minerais terão recuperação mais lenta por depender de oferta de crédito ao consumo;
Cenário de estagnação e/ou recessão nos desenvolvidos e desaceleração nos emergentes, com possível inflação de alimentos (stagflação mundial);
Perda de oportunidade para o Brasil por quebra de safra;
Aquecimento Global e riscos ambientais na produção agrícola mundial não podem ser descartados.