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ARTIGOS TÉCNICOS |
POLICULTIVO
DE TILÁIAS E CAMARÕES MARINHOS
Parte 2 |
| Consolidando
um Pacote Tecnológico Modelo para o Brasil |
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por
Giovanni Lemos de Mello¹, Alvaro Pestana
de Farias², Clemilson de Andrade Francisco²,
Felippe Teixeira Serafim², Bruna Crescêncio
Neves², Alexandre de Aguiar³ e Rodolfo
Luís Petersen4 |
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Como
vimos na primeira parte deste artigo, publicado
na edição anterior da Aquicultura
& Pesca, o sucesso econômico
desta atividade depende da sobrevivência
dos camarões cultivados simultaneamente
às tilápias. Segundo Velasco (2008),
no Equador, os camarões são estocados
nos viveiros de engorda em densidades de 4-9 pós-larvas/m2,
alimentando-se da produtividade natural, sendo
despescados com até 20 g de peso médio,
e atingindo 60-70% de sobrevivência. Nesse
modelo, obtêm-se, pelo menos, duas colheitas
anuais de camarão.
De acordo com o autor acima e, considerando um
povoamento de 9 pós-larvas/m2, camarões
com 20 g de peso médio e 50% de sobrevivência
na engorda, chegar-se-ia a uma produtividade de
900 kg/hectare/ciclo, ou 1.800 kg/ha/ano. Se os
crustáceos fossem vendidos a R$ 13,00/kg
(R$ 0,65/g), o resultado econômico seria
de R$ 23.400,00/ha/ano. Esse valor pode ser considerado
como lucro líquido, haja vista que a venda
das tilápias cobre os custos de produção.
A pergunta introdutória deste artigo é
a seguinte: “a monocultura tradicional do
Litopenaeus vannamei praticada no Brasil e em
vários outros países, focada na
produção de um camarão “commodity”
– com 12 g de peso médio e preço
de venda dolarizado – permite um retorno
líquido de até R$ 23.400,00/ha/ano?”.
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| Situação
atual em Santa Catarina |
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As
propriedades catarinenses que praticam o policultivo
ainda estão muito longe da rentabilidade
comentada na introdução deste artigo.
Algumas fazendas, inclusive, amargaram substanciais
prejuízos econômicos por um ou até
dois anos, e se encontram fechadas nos dias atuais.
Existem, atualmente (abril de 2009), 201,42 hectares
de policultivo no Estado, o que representa apenas
12,59% da área construída para a
carcinicultura.
O clima subtropical da Região Sul do Brasil
permite apenas um ciclo anual de produção
de camarão e de tilápia (reduz-se
pela metade as projeções mais otimistas
de retorno líquido) e, para dificultar
ainda mais, o vírus da Síndrome
da Mancha Branca (WSSV na sigla em inglês)
não tem permitido que as fazendas obtenham
produtividades acima de 500 kg/ha/ano até
o momento (longe dos 1.800 kg/ha/ano estimados
para o Equador), embora já existam resultados
de produtividades acima de 400 kg/ha/ano em algumas
propriedades.
Pelos motivos expostos acima, o modelo atual de
policultivo ainda não se mostrou atrativo
economicamente o suficiente para muitos produtores,
que aguardam melhores resultados do ponto de vista
econômico para reabrirem seus empreendimentos.
Por outro lado, quem está produzindo/apostando
no momento, espera colher os frutos do pioneirismo,
incluindo o domínio do pacote tecnológico
e a construção de canais de comercialização
que viabilizem a venda do peixe inteiro (in natura)
e industrializado (filés frescos e congelados)
em grandes quantidades, e por preços que
remunerem os investimentos, compensando as inevitáveis
“frustrações de safra”
inerentes ao desenvolvimento de qualquer novo
agronegócio.
Na safra atual (2008-2009), os povoamentos de
camarão atrasaram, iniciando-se apenas
no mês de novembro e, intensificando-se
em dezembro de 2008 e janeiro de 2009. As pós-larvas
utilizadas são da geração
F-2 de camarões resistentes ao WSSV, oriundas
de um Programa de Prevenção de Enfermidades
e Melhoramento Genético, que contemplou
a certificação de 100% do plantel
de reprodutores do Litopenaeus vannamei para
quatro vírus de alto impacto econômico,
a saber: WSSV, IMNV (vírus da mionecrose
muscular), IHHNV (infecção viral
na hipoderme e necrose do tecido hematopoético)
e TSV (vírus da síndrome de Taura).
Neste ano, as fazendas envolvidas no projeto esperam
atingir o patamar de 400 kg/ha de camarão
produzido, o que tornaria a atividade economicamente
rentável. Em média, os camarões
do policultivo atingem o tamanho de 20 g e são
comercializados a R$ 13,00 por kg (R$ 0,65/g),
o que significaria, no caso da meta estipulada
pelos produtores, um rendimento líquido
de R$ 5,2 mil por hectare. Fazendas de 20 hectares
poderiam ter um retorno líquido de até
R$ 104.000,00/ano.
Na safra anterior, alguns viveiros foram despescados
somente após cinco meses de engorda do
camarão e, apesar da sobrevivência
comprovadamente mais baixa após 100-120
dias de cultivo, os crustáceos foram despescados
com até 37 g de peso médio, sendo
comercializados a R$ 24,00/kg. Mesmo para um viveiro
que gerou apenas 150 kg/ha, a venda à R$
25/kg significa uma margem líquida de R$
3,6 mil/ha.
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Tabela
1 – Cenário econômico simplificado
para a monocultura do Litopenaeus vannamei
(mostrando dois sistemas de produção)
versus o policultivo entre tilápias e camarões
marinhos |
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Projeções para 1 hectare
|
Monocultura
Semi-intensiva
Camarão
25/m²
|
Monocultura
Intensiva
Camarão
50/m²
|
Policultivo
Tilápia 1,5/m²
Camarão 8/m²
|
| Tilápia |
Camarão |
| Número
de animais |
250.000 |
500.000 |
15.000 |
80.000 |
| Peso final
(g) |
12 |
10 |
750 |
20 |
| Sobrevivência
(%) |
70 |
60 |
85 |
50 |
| Produção
(kg) |
2.100 |
3.000 |
9.562,50 |
800 |
| Produtividade
(kg/ha) |
2.100 |
3.000 |
9.562,50 |
800 |
| Preço
de venda (R$) |
7,80 |
6,50 |
2,70 |
13,00 |
| Receita
bruta (R$) |
16.380,00 |
19.500,00 |
25.818,75 |
10.400,00 |
| Preço
médio ração (R$) |
1,80 |
1,80 |
1,20 |
- |
| Preço
médio pós-larvas/alevinos (R$) |
12,00 |
12,00 |
70,00 |
12,00 |
| FCA (Fator
de Conversão Alimentar) |
1,2: 1 |
1,4:1 |
1,3:1 |
- |
| Total despesa
ração (R$) |
4.536,00 |
7.560,00 |
14.917,50 |
- |
| Total despesa
pós-larvas/alevinos (R$) |
3.000,00 |
6.000,00 |
1.050,00 |
960,00 |
| Custo (ração
+ pós-larvas/alevinos) (R$) |
7.536,00 |
13.560,00 |
15.967,50 |
960,00 |
| Margem
descontando ração e pós-larvas/alevinos
(R$) |
8.844,00 |
5.940,00 |
19.291,25 |
| Ciclos/ano |
2 |
2 |
1 |
| Margem
anual descontando ração e pós-larvas/alevinos
(R$) |
17.688,00 |
11.880,00 |
19.291,25 |
|
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|
A
visão dos produtores que transformaram
suas monoculturas em policultivos, de que o retorno
financeiro do policultivo é superior à
monocultura tradicional do Litopenaeus vannamei,
pode ser observada na última linha da Tabela
1, que mostra as margens anuais de cada sistema
de produção (R$ 19.291,25 contra
R$ 17.688,00 por hectare). A questão sine
qua non é a sobrevivência dos camarões,
indispensável para o sucesso econômico
dos policultivos. Vale ressaltar a importância
de um desses primeiros visionários, o produtor
Luiz Alberto Brandão de Mello, da Fazenda
Camaruí (Imaruí/SC).
Um dado que pode causar dúvida aos leitores
é a produtividade do sistema de policultivo
apresentando na Tabela 1, de 10.362,50 kg/ha (somando-se
peixes e camarões), em face de 2,1 mil
kg/ha e 3 mil kg/ha no caso dos ensaios de cultivo
único de camarão. A produtividade
3 ou 4 vezes maior poderia representar um aumento
considerável no custo de energia elétrica,
com a necessidade de acionamento de um número
significativamente maior de aeradores e bombas.
Na prática, isso não ocorre. A demanda
de oxigênio no cultivo de tilápias
é substancialmente menor, conforme visto
na prática pelas fazendas catarinenses,
que não utilizam mais do que 6 HP/ha de
forma emergencial, mesmo nos casos de produtividades
acima de 10 mil kg/ha.
Com relação aos demais custos de
produção (além da ração
e das pós-larvas e alevinos, que representam,
em média, 70-75% dos custos totais), pode-se
considerar a utilização de 50% menos
de funcionários nos policultivos, uma vez
que as tilápias são alimentadas
com o uso de ração a voleio, no
máximo três vezes ao dia, operação
expressivamente mais rápida do que o fornecimento
de ração em bandejas, como na carcinicultura
marinha. Também são utilizados menos
fertilizantes inorgânicos, como nitrato
de cálcio/sódio ou superfosfato
triplo, em razão das altas taxas de arraçoamento
para as tilápias, em que as “sobras”
de ração atuam como fertilizantes
para o florescimento de fitoplâncton nos
viveiros. Em Santa Catarina, há três
anos, não são utilizados fertilizantes
inorgânicos nos policultivos, sendo que
também, historicamente, nunca foram utilizadas
fontes orgânicas. |
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|
| Projeções
financeiras para o Nordeste (dois ciclos anuais) |
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|
A
segunda pergunta que fazemos é de como
seriam os policultivos no nordeste do Brasil,
principal área de cultivo de camarão
branco da Costa Leste da América do Sul,
com mais de 16 mil hectares de viveiros construídos,
considerando seu clima tropical (o que permitiria
dois ciclos anuais) e tendo em vista não
haver mortalidades severas nos cultivos devido
a enfermidades?
Para efeito de cálculos, foi considerada
uma fazenda hipotética de 21,4 hectares,
com cinco viveiros, seis funcionários e
um gerente técnico, produzindo tilápias
e camarões marinhos em sistema intensivo
(> 10 mil kg/ha). A análise financeira
estimou um preço de venda abaixo do mercado
para as tilápias (R$ 2,70) e, da mesma
forma, uma sobrevivência inferior à
média da carcinicultura do nordeste do
Brasil para os camarões, com intuito de
verificar a viabilidade econômica do negócio
em cenários desfavoráveis.
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| Tabela 2
– Projeção de receita para o
policultivo de tilápias e camarões
marinhos em sistema intensivo, em um ciclo de seis
meses de engorda, na Região Nordeste do Brasil |
| |
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|
| |
Tilápia |
Camarão |
| Área (ha) |
21,4 |
21,4 |
| Densidade (animais/m2) |
1,50 |
8,00 |
| Quantidade de alevinos/pós-larvas |
321.000 |
1.712.000 |
| Peso médio (g) |
750 |
20 |
| Sobrevivência (%) |
85 |
40 |
| Biomassa final (kg) |
204.637,50 |
13.696,00 |
| Produtividade (kg/ha) |
9.562,50 |
640,00 |
| Total de ração
(kg) |
266.028,75 |
0 |
| FCA |
1,30 |
0 |
| Preço/kg (R$) |
2,70 |
13,00* |
| Receita bruta (R$) |
552.521,25 |
178.048,00 |
|
| * R$ 0,65/g
de camarão |
| |
|
|
| Tabela 3
– Resumo das receitas para o policultivo de
tilápias e camarões marinhos em sistema
intensivo |
| |
|
|
| Receita
bruta tilápia/ciclo |
R$
552.521,25 |
| Receita bruta camarão/ciclo |
R$ 178.048,00 |
| Receita bruta total (tilápia
+ camarão)/ciclo |
R$ 730.569,25 |
| Receita bruta total (tilápia
+ camarão)/ano |
R$ 1.461.138,50 |
| Receita bruta total/ha/ano |
R$ 68.277,50 |
|
|
|
|
| Custos
de produção |
| |
|
|
As
planilhas de custos de produção
estimados estão subdividas em custos fixos,
custos variáveis diretos e indiretos. O
custo por quilo apurado na última coluna
de cada elemento de despesa é a relação
de cada item dividida pela biomassa total de tilápia
comercializada. Dessa forma, fica evidenciado
que os custos fixos totais representam R$ 0,32
no quilo da tilápia, enquanto os custos
variáveis totais (diretos + indiretos)
somam R$ 2,15, totalizando um custo total de R$
2,47. |
| |
|
|
| Tabela 4
– Custos fixos totais para o policultivo de
tilápias e camarões marinhos em sistema
intensivo, na Região Nordeste do Brasil |
| |
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|
| |
| Custos
fixos |
| Custos |
Quantidade |
Custo unitário (R$) |
Custo mensal (R$) |
Custo anual (R$) |
Custo por ciclo (R$) |
% custo |
Custo/kg |
| Salários (c/encargos) |
6 |
1.000,00 |
6.000,00 |
72.000,00 |
36.000,00 |
7,36 |
0,18 |
| Gerente técnico |
1 |
3.320,00 |
3.320,00 |
39.840,00 |
19.920,00 |
4,07 |
0,10 |
| Contador |
1 |
200,00 |
200,00 |
2.400,00 |
1.200,00 |
0,25 |
0,01 |
| Despesas de escritório |
1 |
400,00 |
400,00 |
4.800,00 |
2.400,00 |
0,49 |
0,01 |
| Pesquisas e experimentos |
1 |
1.000,00 |
1.000,00 |
12.000,00 |
6.000,00 |
1,23 |
0,03 |
| Total |
|
|
10.920,00 |
131.040,00 |
65.520,00 |
13,40 |
0,32 |
|
|
| |
|
|
| Tabela 5
– Custos variáveis diretos para o policultivo
de tilápias e camarões marinhos em
sistema intensivo, na Região Nordeste do
Brasil |
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|
|
| Custos
variáveis diretos |
| Custos |
Quantidade |
Custo unitário (R$) |
Custo mensal (R$) |
Custo anual (R$) |
Custo por ciclo (R$) |
% custo |
Custo/kg |
| Ração (kg) |
532.058 |
1,20 |
53.205,75 |
638.469,00 |
319.234,50 |
63,13 |
1,56 |
| Alevinos (milheiro)* |
835 |
80,00 |
5.564,00 |
66.768,00 |
33.384,00 |
6,60 |
0,16 |
| Pós-larvas (milheiro) |
3.424 |
7,00 |
1.997,33 |
23.968,00 |
11.984,00 |
2,37 |
0,06 |
| Energia elétrica |
12 |
2.000,00 |
2.000,00 |
24.000,00 |
12.000,00 |
2,37 |
0,06 |
| Funrural |
1 |
33.606,19 |
2.800,52 |
33.606,19 |
16.803,09 |
3,32 |
0,08 |
| Combustível |
12 |
600,00 |
600,00 |
7.200,00 |
3.600,00 |
0,71 |
0,02 |
| Refeições |
572 |
7,00 |
333,67 |
4.004,00 |
2.002,00 |
0,40 |
0,01 |
| Calcário (ton) |
60 |
70,00 |
350,00 |
4.200,00 |
2.100,00 |
0,42 |
0,01 |
| Análises de água |
12 |
400,00 |
400,00 |
4.800,00 |
2.400,00 |
0,47 |
0,01 |
| Insumos em geral |
12 |
2.000,00 |
2.000,00 |
24.000,00 |
12.000,00 |
2,37 |
0,06 |
| Diaristas |
572 |
40,00 |
1.906,67 |
22.880,00 |
11.440,00 |
2,26 |
0,06 |
| Taxas em geral |
1 |
2.500,00 |
208,33 |
2.500,00 |
1.250,00 |
0,25 |
0,01 |
| Total |
|
|
71.366,27 |
856.395,19 |
428.197,59 |
84,67 |
2,09 |
|
| |
|
|
*
São comprados 30% a mais de alevinos do
que a demanda anual, devido à mortalidade
esperada nos berçários e ao descarte
de juvenis com baixo desempenho de crescimento. |
| |
|
|
Tabela
6 – Custos variáveis indiretos para
o policultivo de tilápias e camarões
marinhos em sistema intensivo, na Região
Nordeste do Brasil |
| |
|
|
| Custos
variáveis indiretos |
| Custos |
Quantidade |
Custo unitário (R$) |
Custo mensal (R$) |
Custo anual (R$) |
Custo por ciclo (R$) |
% custo |
Custo/kg |
| Investimentos |
12 |
500,00 |
500,00 |
6.000,00 |
3.000,00 |
0,59 |
0,01 |
| Manutenções |
12 |
1.500,00 |
1.500,00 |
18.000,00 |
9.000,00 |
1,78 |
0,04 |
| Total |
|
|
2.000,00 |
24.000,00 |
12.000,00 |
2,37 |
0,06 |
|
| |
|
|
Tabela
7 – Resumo das receitas e custos totais
para o policultivo de tilápias e camarões
marinhos em sistema intensivo, na Região
Nordeste do Brasil |
|
|
|
| Resumo
das receitas e custos totais |
| Receita (R$) |
CF (R$) |
CVD (R$) |
CVI (R$) |
CT (R$) |
| 1.461.138,50 |
131.040,00 |
875.655,19 |
24.000,00 |
1.030.695,19 |
|
| |
|
|
CF:
Custo fixo
CVD: Custo variável direto
CVI: Custo variável indireto
CT: Custo total |
| |
|
|
| Lucro
Anual (R$) |
430.443,31 |
| Lucro Mensal (R$) |
35.870,28 |
| TIR (%) |
41,76 |
|
|
|
|
| TIR: Taxa
interna de retorno |
| |
|
|
| Análise
de sensibilidade |
| |
|
|
Para
assegurar a viabilidade técnica e econômica
do policultivo de tilápias e camarões
marinhos, foram calculadas três análises
de sensibilidade, a primeira baseada na queda
do preço de venda da tilápia, a
segunda, no aumento do fator de conversão
alimentar e a terceira, na redução
da sobrevivência do camarão, conforme
Tabelas 8, 9 e 10. |
| |
|
|
| Tabela 8
– Análise de sensibilidade considerando
variação do preço de venda |
| |
|
|
| Preço
de venda (R$) |
Receita
(R$) |
Custo
total (R$)* |
Lucro
(R$) |
TIR
(%) |
| 2,70 |
1.461.138,50 |
1.030.695,19 |
430.443,31 |
41,76 |
| 2,50 |
1.379.283,50 |
1.028.812,52 |
350.470,98 |
34,07 |
| 2,30 |
1.297.428,50 |
1.026.929,86 |
270.498,64 |
26,34 |
| 2,10 |
1.215.573,50 |
1.025.047,19 |
190.526,31 |
18,59 |
| 1,90 |
1.133.718,50 |
1.023.164,53 |
110.553,97 |
10,81 |
|
| |
|
|
*
O custo total reduz-se moderadamente, tendo em
vista que quanto menor o preço de venda,
menor o valor do imposto Funrural. |
| |
|
|
| Tabela 9
– Análise de sensibilidade considerando
variação do fator de conversão
alimentar |
| |
|
|
| Conversão
alimentar |
Receita
(R$) |
Custo
total (R$) |
Lucro
(R$) |
TIR
(%) |
| 1,3:1 |
1.461.138,50 |
1.030.695,19 |
430.443,31 |
41,76 |
| 1,4:1 |
1.461.138,50 |
1.079.808,19 |
381.330,31 |
35,31 |
| 1,5:1 |
1.461.138,50 |
1.128.921,19 |
332.217,31 |
29,43 |
| 1,6:1 |
1.461.138,50 |
1.178.034,19 |
283.104,31 |
24,03 |
| 1,7:1 |
1.461.138,50 |
1.227.147,19 |
233.991,31 |
19,07 |
| 1,8:1 |
1.461.138,50 |
1.276.260,19 |
184.878,31 |
14,49 |
| 1,9:1 |
1.461.138,50 |
1.325.373,19 |
135.765,31 |
10,24 |
|
| |
|
|
| Tabela 10
– Análise de sensibilidade considerando
redução da sobrevivência do
camarão |
| |
|
|
| Sobrevivência
do camarão |
Receita
(R$) |
Custo
total (R$) |
Lucro
(R$) |
TIR
(%) |
| 40 |
1.461.138,50 |
1.030.695,19 |
430.443,31 |
41,76 |
| 35 |
1.416.626,50 |
1.030.695,19 |
385.931,31 |
37,44 |
| 30 |
1.372.114,50 |
1.030.695,19 |
341.419,31 |
33,12 |
| 25 |
1.327.602,50 |
1.030.695,19 |
296.907,31 |
28,81 |
| 20 |
1.283.090,50 |
1.030.695,19 |
252.395,31 |
24,49 |
| 15 |
1.238.578,50 |
1.030.695,19 |
207.883,31 |
20,17 |
| 10 |
1.194.066,50 |
1.030.695,19 |
163.371,31 |
15,85 |
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| Conclusões |
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A
análise de sensibilidade projetada mostra
que existe uma margem de segurança para
o policultivo, mesmo com variações
adversas no preço de venda, no fator de
conversão alimentar e na sobrevivência
dos camarões.
Com relação ao preço de venda,
dificilmente o valor de mercado para um peixe
de 750 g de peso médio chegará a
um patamar inferior a R$ 1,90/kg, valor que ainda
resultaria em uma Taxa Interna de Retorno (TIR)
de 10,81%. Atualmente, o mercado paulista oferece
acima de R$ 3,00 por quilo da tilápia in
natura, enquanto que, nos Estados do Rio Grande
do Norte e Ceará, o valor pode ultrapassar
R$ 4,50/kg.
Diferentemente do mercado, a conversão
alimentar é um fator zootécnico
que pode ser controlado pelo produtor, desde que
sua produção tenha o devido acompanhamento
técnico, que inclui o rígido controle
no fornecimento de ração, avaliações
periódicas de crescimento (no mínimo
quinzenais) e o monitoramento constante da qualidade
de água e solo do ambiente de cultivo,
além da utilização de uma
ração balanceada de qualidade assegurada,
composta por ingredientes de alta digestibilidade.
Em vários Estados brasileiros existem exemplos
de produtores de tilápias acima de 700
ou 800 g, com conversões alimentares inferiores
a 1,2:1 (em viveiros de terra). Na análise
de sensibilidade, mesmo para um FCA de 1,9:1,
a Taxa Interna de Retorno calculada ficou em 10,24%.
A sobrevivência dos camarões é
o divisor de águas para o sucesso dos policultivos,
conforme observado in loco em Santa Catarina e,
da mesma forma, citado em diversos relatos científicos
dos policultivos no Equador e em países
asiáticos. Se as taxas de sobrevivência
forem baixas, igualmente será pequeno o
rendimento líquido do produtor. Na análise
de sensibilidade apresentada, mesmo com uma sobrevivência
de 10% nos camarões, a Taxa Interna de
Retorno ainda ficou em 15,85%.
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| Perspectivas
futuras |
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-
No caso do desenvolvimento em larga escala
do policultivo na Região Nordeste
do Brasil, um gargalo pode estar relacionado
à alta salinidade das fazendas, comumente
acima de 30 ppt, o que inviabilizaria o
emprego das linhagens “cinzas”
tradicionais. Em Santa Catarina, experiências
com 27 ppt comprovaram o baixo crescimento,
alta mortalidade, além de ocasionar
severas lesões na pele de parte dos
peixes sobreviventes. É necessário
avaliar a introdução de linhagens
vermelhas, as quais toleram salinidades
acima de 30 ppt ou 35 ppt, crescendo bem
nestes ambientes. Especializar-se na produção
de tilápias vermelhas trará
vantagens também no âmbito
comercial, tendo em vista que as linhagens
vermelhas são, em média, 30%
mais valorizadas no mercado.
-
Um impasse em Santa Catarina é
a questão dos licenciamentos ambientais
dos policultivos em águas salobras.
Pelo fato de não haver nenhum impedimento
legal para a introdução das
tilápias nos viveiros de camarão,
a atividade não pode ser considerada
como ilegal, embora esteja irregular, por
ainda não estar licenciada pelo órgão
ambiental competente. Apesar de o Conselho
Estadual de Meio Ambiente – Consema/SC
ter criado um Grupo de Trabalho que estudou
o caso e deu parecer favorável ao
policultivo (entre 2007 e 2008), aprovado
em Reunião Ordinária deste
Conselho, os produtores aguardam há
mais de um ano a sua licença ambiental
de operação. No município
de Laguna, a Fundação Lagunense
de Meio Ambiente (Flama), habilitada para
licenciar inúmeras atividades agroindustriais,
estuda a viabilidade do licenciamento municipal
para a atividade.
-
Além da questão do licenciamento
ambiental, o policultivo catarinense se
tornará atrativo economicamente no
momento em que os camarões atingirem
patamares de sobrevivência que permitam,
ao menos, produtividades ao redor de 500
kg/ha a 600 kg/ha. O programa de prevenção
de enfermidades e melhoramento genético,
iniciativa dos próprios produtores
catarinenses, parece ser uma luz no fim
do túnel, uma vez que camarões
resistentes ao WSSV estão na segunda
geração (F-2), apresentando
melhores resultados, ano após ano
-
A diversificação da produção
permite, além de reduzir os altos
riscos mercadológicos e sanitários
associados às monoculturas, aproveitar
melhor os diferentes nichos alimentares
disponíveis em um viveiro de aquicultura.
Diariamente, uma quantidade incalculável
de biomassa fitoplanctônica é
descartada pelas fazendas de camarão,
que têm de renovar a água dos
viveiros em virtude do acesso de algas,
já que os camarões não
aproveitam diretamente esta biomassa. Introduzir
organismos que aproveitem esse nicho que
é “jogado fora” é
uma solução inteligente econômica
e ambientalmente. De acordo com Valente
(2008), a inclusão de uma nova espécie
no cultivo, que aproveite os resíduos
alimentares da espécie principal,
leva a uma dramática redução
na conversão alimentar real em biomassa
produzida (somando as duas espécies)
por si só. Portanto, os sistemas
multitróficos precisam receber mais
atenção dos pesquisadores.
-
No caso dos policultivos equatorianos,
as sobrevivências finais de 60% a
70% nos camarões devem-se, em parte,
ao cultivo bifásico realizado. Da
fase de PL10 até 1 g (20-30 dias),
os animais são cultivados em raceways,
em um sistema intensivo com uso de bioflocos
bacterianos (sistemas heterotróficos).
O povoamento nos viveiros definitivos com
1 g de peso médio confere aos camarões
uma maior resistência face às
adversidades climáticas, ambientais
e patogênicas, características
de um sistema aberto de cultivo em grandes
viveiros. O resultado é um incremento
na sobrevivência final. Os povoamentos
com camarões de 1 g também
dificultam o canibalismo pelas tilápias,
que confundem as pós-larvas de camarão
com zooplâncton.
No Brasil, apesar dos cultivos superintensivos
em bioflocos bacterianos ainda não
terem sua viabilidade econômica estudada,
cultivar camarões até 1 g
de peso médio nestes sistemas pode
ser um avanço tecnológico
que permitirá o incremento das sobrevivências
finais nos policultivos e, até mesmo,
nas monoculturas de camarão. A Fazenda
Modelo, em Laguna (SC), está testando
o sistema para produção de
juvenis de Litopenaeus vannamei de 0,5 a
1,5 g.
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| Contatos:
giovannimello@epagri.sc.gov.br;
alvaropfarias@gmail.com;
clemilson.andrade@gmail.com;
felippeserafim@gmail.com;
aquicultura.meioambiente@gmail.com;
alexandre_aguiar78@hotmail.com;
rodolfopetersen@hotmail.com |
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1.
Centro de Desenvolvimento em Aquicultura e Pesca
– Cedap/Epagri
2. Aquaconsult – Projetos e Serviços
em Aquicultura e Meio Ambiente Ltda.
3. Mar do Brasil – Alimentos Ltda.
4. Universidade do Sul de Santa Catarina –
Unisul |
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