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ARTIGOS TÉCNICOS |
INFLUÊNCIA DO PROCESSAMENTO DA RAÇÃO
NO
DESEMPENHO E SOBREVIVÊNCIA DA TILÁPIA
DO NILO
DURANTE A REVERSÃO SEXUAL
|
R. Bras. Zootec., v.32, n.2, p.262-267,
2003
Fábio Meurer1
*,
Carmino Hayashi2,
Wilson Rogério Boscolo3 |
RESUMO - Este
experimento foi realizado no Laboratório
de Aquicultura da Universidade Estadual de Maringá,
objetivando avaliar rações com diferentes
formas de processamento sobre o desempenho e sobrevivência
de larvas de tilápia do Nilo durante a
fase de reversão sexual. Foram utilizados
540 larvas distribuídos em 18 aquários
de 54 L em um delineamento completamente casualizado,
com três tratamentos e seis repetições.
O período experimental foi de 28 dias a
uma temperatura média de 21,9 ±
0,10C de manhã e 22,7 ± 0,30C à
tarde. Foi formulada uma ração (38,6%
de proteína digestível e 3800 kcal/kg
de energia digestível) diferindo quanto
à forma de processamento (farelada (RF),
pastosa (RP) e micropeletizada (RM)). Não
foram observadas diferenças (P>0,05)
quanto ao peso final e a condição
corporal, entretanto a biomassa final das larvas
alimentadas com RF foi superior, em relação
aos que receberam RP e RM.
A sobrevivência das larvas que receberam
RP e RF respectivamente, foram semelhantes e superiores
àquelas alimentadas com RM.
Portanto, conclui-se que utilizando-se a moagem
dos ingredientes da ração em peneira
de 0,5 mm, para larvas de tilápia do Nilo
durante a reversão sexual, a forma farelada
de ração é a mais adequada.
|
| Palavras-chave: larvicultura,
processamento, ração farelada, ração
icropeletizada, ração pastosa, tilápia
do Nilo |
| |
Influence
of Diet Processing Form on Performance and Survival
of Nile Tilapia During Sex Revert Phase |
| |
ABSTRACT
- This work was carried out at Aquicultura Laboratory
of Maringá State University, to evaluate
the different processing form of diets on Nile
tilapia fry performance and survive, during sexual
revert phase. Was utilized 540 fry distributed,
on completely randomized design with three treatments
and six replications, in eighteen 54 L aquarium
and one aquarium with 30 Nile tilapia fry was
considered an experimental unit. The experimental
period was 28 days with average temperatures of
21.9 ± 0.10C in the morning and 22.7 ±
0.30C in the afternoon. The diet was formulated
(38.6% of digestible protein and 3800 kcal/kg
digestible energy) differing only about processing
form (crumble [MD], meal [ND] and pasty [PD]).
No difference was observe to final weight and
body condition, but to biomass production, the
fry submitted of ND treatment was higher than
MD and PD treatments, that were equal. To survive
ND and PD were equal and higher than MD treatment.
It was concluded that, with 0.5 mm of mealling
degree, the meal diets was most adequa to Nile
tilapia fry, during sex revert phase.
|
Key
Words: diet processing, fry, Nile tilapia,
meal ration, crumble ration, pasty ration |
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Introdução |
A tilapicultura vem se mostrando uma ótima
alternativa para a piscicultura de água
doce e estuarina.
A expansão do cultivo da tilápia
do Nilo (Oreochromis niloticus), deve-se ao
ótimo desempenho, alta rusticidade, facilidade
de obtenção de alevinos, adaptabilidade
aos mais diversos sistemas de criação,
grande aceitação no mercado de
lazer (pesque-pague) e alimentício (frigoríficos),
pelas qualidades nutritivas e organolépticas
do seu filé.
A etapa de larvicultura é de fundamental
importância para a obtenção
de animais em quantidade e de qualidade, para
as fases posteriores de criação,
sendo que a nutrição adequada
exerce grande influência e é pré-requisito
básico para o sucesso da criação
(Hayashi et al., 2001). Um dos principais entraves
da atividade é justamente a alimentação
nesta fase, pois para a maioria das espécies
está relacionada ao fornecimento de organismos
planctônicos (Cestarolli et al., 1997;
Galvão et al., 1997; Soares et al., 1997;
Radünz-Neto, 1999; Soares et al., 2000).
A utilização de dietas artificiais
como única fonte de alimento não
tem resultado em sucesso para a maioria das
espécies, porém o seu consórcio
com o alimento vivo tem sido mais eficiente
(Fermin & Recomenta, 1988; Ajah, 1997; Quin
et al; 1997; Di
Lauro & Krise, 1998; Hayashi et al., 2001).
Entretanto, a tilápia do Nilo, não
depende deste consórcio, pois aceitam
e desenvolvem-se bem no período larval
alimentando-se de ração (Santiago
et al., 1987; Meurer et al., 2002). De acordo
com Souza et al. (2000) podem ser utilizados
os farelos de soja, girassol e canola como fonte
de 50% da proteína da dieta, fatores
estes que contribuem para o baixo custo na produção
de seus alevinos (Lahav & Ra’nam,
1997).
De acordo com Kubitza (1997), a vantagem das
larvas da tilápia do Nilo é que
estas possuem o trato digestivo completo, com
capacidade de digestão enzimática,
portanto com potencial para a utilização
de rações artificiais. Ao contrário
de espécies como pacu (Piaractus mesopotamicus)
e tambaqui (Colossoma macropomum), entre outros,
as quais necessitam de alimentos vivos, pois
nesta fase possuem um trato digestivo bastante
rudimentar, não possuindo capacidade
de digestão enzimática, sendo
dependentes das enzimas exógenas (contidas
nos alimentos vivos) para a sua digestão.
No caso específico da tilápia,
a forma de alimentação na fase
larval é bastante importante, pois é
durante este período que se faz a reversão
sexual, geralmente pela adição
de um hormônio masculinizante (17-a-metil-testosterona)
à ração, a qual é
fornecida para os animais durante o primeiro
mês de vida (Santiago et al., 1987; Phelps
et al., 1995, Carrasco et al., 1999).
Um fator bastante questionado atualmente na
piscicultura é o processamento da ração,
onde se tem dado bastante atenção
às rações extrusadas para
juvenis e adultos (Carneiro et al., 1995; Furuya
et al., 1997, Kubitza, 1997; Booth et al., 2000),
porém de acordo com Lovshin (1997) evidências
sugerem que as tilápias utilizam rações
fareladas tão eficientemente quanto as
peletizadas, em tanques quando estocadas de
1 a 2 indivíduos por m2.
No entanto, para larvas, o problema aumenta,
tendo em vista que nesta fase estes indivíduos
têm o tamanho bastante reduzido, necessitando
de uma ração com tamanho de partícula
adequado ao da sua boca (Kubitza, 1997) e a
obtenção de extruders de tamanhos
adequados a larvas é difícil,
além do que o benefício advindo
da gelatinização do amido ser
de pequena importância visto a pequena
quantidade
deste nutriente neste tipo de ração.
Portanto, durante a larvicultura da tilápia
do Nilo, utiliza-se principalmente a ração
farelada, podendotambém utilizar-se rações
pastosas (Ensminger & Olentine, 1980) ou
micropeletizadas (Santiago et al., 1987). Vale
ressaltar que apenas um trabalho foi encontrado
na literatura sobre comparação
do processamento de rações para
larvas de tilápia do Nilo feito por Santiago
et al. (1987).
O objetivo do presente trabalho foi o de comparar
o efeito de uma ração de mesma
composição bromatológica,
porém processada de três modos
diferentes, sendo uma
farelada, uma pastosa e outra micropeletizada,
sobre itens de desempenho produtivo como o peso
final médio, comprimento final médio,
biomassa total final, sobrevivência e
condição corporal de larvas de
tilápia do Nilo, durante a fase de reversão
sexual.
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1
Zootecnista, M.S., Professor
Assistente do curso de Medicina Veterinária
da Pontifícia Universidade Católica
do Paraná (PUCPR), Campus de Toledo, Av.
da União, 500, Jardim Coopagro, CEP: 85902-532,
Toledo – PR. E.mail: fabiomeurer@pop.com.br;
fmeurer@rla01.pucpr.br
2
Prof. Titular do Depto de Biologia - UEM. E.mail:
chayashi@uem.br
3
Zootecnista, Msc., Prof. de Eng. de Pesca/UNIOESTE,
doutorando/PPZ/UEM. E.mail: wrboscolo@bol.com.br
*
Parte da dissertação de
mestrado do primeiro autor. |
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Materiais
e Métodos |
O
presente experimento foi realizado no Laboratório
de Aqüicultura, do Departamento de Biologia
na Universidade Estadual de Maringá, durante
o período de 23 de outubro a 19 de novembro
de 2000.
Foram utilizadas 540 larvas de tilápia
do Nilo (Oreochromis niloticus), com dois dias
de idade, distribuídas num delineamento
completamente casualizado, com três tratamentos
e seis repetições, em 18 aquários,
onde foi considerado, como unidade experimental,
um aquário com 30 larvas.
Os aquários de vidro, apresentavam capacidade
total de 57,6 L, entretanto o volume de água
utilizado neste experimento foi de 54 L. Possuíam
aeração constante por pedra microporosa
ligadas por meio de uma tubulação
de PVC, a um soprador elétrico monofásico
com potência de 1/4 cv.
A ração experimental (Tabela 1)
foi formulada de acordo com exigências propostas
por Hayashi et al. (2002) para a tilápia
do Nilo durante a fase de reversão sexual,
sendo de 38,6% de proteína digestível
e 3800 kcal/kg de energia digestível. Foi
feita a inclusão de hormônio masculinizante
(17-a-metiltestosterona) na quantidade de 60 mg/kg
de ração (Hayashi, 1995).
Para a elaboração das rações,
os ingredientes foram triturados, utilizando-se
peneira de 0,5 mm segundo Hayashi et al. (1999).
Devido à alta concentração
de gordura na farinha de vísceras e de
peixe, antes da moagem, os alimentos foram peneirados
manualmente, em malha de 0,5 mm e em seguida a
fração retida foi moída e
posteriormente misturado as duas frações.
No momento da elaboração das rações
foi feita a adição do hormônio
masculinizante, de acordo com Hayashi (1995).
Posteriormente, o total de ração
foi dividida em três partes. A ração
farelada foi considerada como a ração
obtida depois dos processos anteriormente descritos.
A ração pastosa foi considerada
como sendo a ração idêntica
à farelada, porém no momento do
arraçoamento esta era umedecida, misturando-se
de 1,3 a 1,5 partes de água para uma parte
de ração seca (Ensminger & Olentine,
1980) e fornecida na forma de uma “bolinha”
de cerca de 0,5 cm de diâmetro. A ração
micropeletizada foi obtida com o umedecimento
da ração farelada com água
a 50oC e peletizada manualmente, os peletes então
foram moídos e separados do pó e
de peletes maiores por passagens em peneiras de
diversas malhas (Lovell, 1988), sendo utilizado
para as larvas os peletes que passavam na peneira
com 1 mm de abertura e foi considerado pó
a fração que passou pela peneira
de 0,5 mm.
Os tratamentos constituíram-se do fornecimento,
à vontade, de ração na forma
farelada, pastosa e micropeletizada, cinco vezes
ao dia, às 8h, 10h30, 13h30, 15h30 e 17h30.
Os aquários foram sifonados, para a retirada
das fezes e restos de ração, duas
vezes ao dia, uma durante a manhã (7h00)
e outra à tarde (14h30) com a remoção
de cerca de 10% da água nos primeiros dez
dias, 20% até o vigésimo dia e 30%
até final do período experimental.
A temperatura da água foi aferida diariamente
pela manhã e à tarde; outros parâmetros
como o pH, oxigênio dissolvido e condutividade
elétrica da água foram quantificados
semanalmente pela manhã sempre antes da
sifonagem.
Após o término do período
experimental os alevinos foram abatidos por imersão
em água gelada (cerca de 2oC), pesados
e medidos individualmente para avaliação
do peso final médio, comprimento final
médio, biomassa final total e fator de
condição (obtido através
da expressão wt/lt3 x100, sendo wt = peso
total e lt = comprimento total). |
| |
Tabela
1 - Fórmula e composição
química da ração básica
utilizada nos diferentes processamentos
Table 1 - Formula and chemical composition
of diets used for different processing
|
Alimento1
Food1 |
Quantidade
(%)
Amount (%) |
Componente
Compound |
Quantidade
(%)
Ammount (%) |
|
Farinha de vísceras |
29,58 |
Proteína digestível |
38,60 |
| Poultry by-products |
|
Digestible protein |
|
| Farelo de soja |
30,00 |
Energia digestível3 |
3800 |
| Soybean meal |
|
Digestible energy3 |
|
| Milho |
5,69 |
Gordura total |
19,08 |
| Maize |
|
Total fat |
|
| Farinha de peixe |
18,22 |
Cálcio |
2,00 |
| Fish meal |
|
Calcium |
|
| Óleo de soja |
9,01 |
Fósforo |
1,20 |
| Soybean oil |
|
Phosphorus |
|
| Levedura spray-dried |
6,00 |
Fibra bruta |
2,26 |
| Spray-dried yeast |
|
Crude fiber |
|
| Suplemento vit. min. 2 |
1,00 |
Lisina |
2,77 |
| Min. vit. supplement2 |
|
Lysine |
|
| Sal |
0,50 |
Metionina + Cistina |
1,81 |
| Salt |
|
Methionine + Cystine |
|
| Antioxidante (BHT) |
0,01 |
Ácido linoléico |
6,21 |
| Antioxidant (BHT) |
|
Linoleic acid |
|
| Total |
100,0 |
|
|
|
|
1
De acordo com os dados de digestibilidade apresentados
por Boscolo et al. (2002) para farelo de soja,
milho e óleo de soja; e Meurer et al. (2000)
para farinha de vísceras, farinha de peixe
e levedura seca por spray dry.
1
According with digestible data present from Boscolo
et al. (2001) for soybean meal, maize, and soybean
oil; and Meurer et al. (2000) for poultry by-products
meal, fish meal, and spay-dried yeast.
2
Níveis de garantia por quilograma do produto:
Vit. A,1.200.000 UI; Vit. D3, 200.000 UI; Vit.
E, 12.000 mg; Vit. K3, 2.400 mg; Vit. B1, 4.800
mg; Vit. B2, 4.800 mg; Vit. B6, 4.000 mg; Vit.
B12, 4.800 mg; Ác. fólico, 1.200
mg; Pantotenato Ca, 12.000 mg; Vit. C, 48.000
mg; Biotina, 48 mg; Colina, 65.000 mg; Niacina,
24.000 mg; Ferro, 10.000 mg; Cobre, 6.000 mg;
Manganês, 4.000 mg; Zinco, 6.000 mg; Iodo,
20 mg; Cobalto, 2 mg; Selênio, 20 mg.
2
Levels by kilogram of product: Vit. A, 1,200,000
UI; Vit. D3, 200,000 UI; Vit. E, 12,000 mg; Vit.
K3, 2,400 mg; Vit. B1, 4,800 mg; Vit. B2, 4,800mg;
Vit. B6, 4,000 mg; Vit. B12, 4,800 mg; Folic acid,
1,200 mg; Pantotenato Ca, 12,000 mg; Vit. C, 48,000
mg; Biotin, 48 mg; Colin, 65,000 mg; Niacin, 24,000
mg; Fe, 10,000 mg; Cu, 6,000mg; Mn, 4,000 mg;
Zn, 6,000 mg; I, 20 mg; Co, 2 mg; Se, 20 mg.
3
kcal/kg. |
| |
| O modelo estatístico utilizado
foi: |
|
| |
em que Y ij
é observação do grupo de
larvas j submetidos à ração
com processamento i; 
constante inerente às observações;
T i,
efeito da ração com processamento
i; e ij,
erro aleatório associado a cada observação.
De posse dos dados de desempenho, os mesmos foram
submetidos à análise de variância
e os contrastes entre médias comparados
pelo teste de Newman- Keuls a 5% de probabilidade,
utilizando-se o programa computacional SAEG -
Sistema de Análises Estatísticas
e Genéticas (UFV, 1997). |
| |
| Resultados e Discussão |
Os parâmetros físico-químicos
da água pH, condutividade (mS/cm) e oxigênio
dissolvido (mg/L), foram de, respectivamente,
6,9 ± 0,2; 161,2 ± 15 e 4,6 ±
0,5, mantiveram-se dentro dos padrões
recomendados para a aquicultura (Boyd, 1990;
Popma & Phelps, 1998). A temperatura da
água foi de 21,9 ± 0,1oC de manhã
e 22,7 ± 0,3oC à tarde, abaixo
do recomendado por Popma & Phelps (1998)
para o bom desempenho da espécie, entretanto,
mesmo com a baixa temperatura da água,
o desempenho apresentado pode ser considerado
bom.
Os resultados finais médios de peso,
comprimento, condição corporal,
sobrevivência e biomassa, das larvas de
tilápia do Nilo submetidas às
rações com diferentes processamentos
estão apresentados na Tabela 2.
O peso final e a condição corporal
médias das larvas de tilápia do
Nilo não foram influenciados peloprocessamento
da ração (P>0,05), estando
os dados de peso final médio de acordo
com os resultados apresentados por Santiago
et al. (1987), que trabalharam com a comparação
de dietas fareladas e micropeletizadas para
larvas de tilápia do Nilo e com Hayashi
et al. (2001) comparando a influência
do processamento da ração no desempenho
de larvas de carpa cabeça grande (Aristichthys
nobilis).
As larvas submetidas ao tratamento com ração
farelada apresentaram o comprimento final médio
superior (P<0,05) aos das larvas alimentadas
com a ração micropeletizada, entretanto
os resultados do tratamento com ração
pastosa foram semelhantes aos demais tratamentos.
Resultado que descorda dos apresentados por
Santiago et al. (1987) e Hayashi et al. (2001),
onde o processamento da ração
não influenciou este parâmetro.
A sobrevivência das larvas alimentadas
com as rações farelada e pastosa
apresentaram uma sobrevivência semelhante,
porém superior (P<0,05) em relação
às larvas submetidas a ração
micropeletizada, o que descorda de Santiago
et al. (1987), que apresentaram uma situação
inversa, onde a sobrevivência das larvas
submetidas a ração micropeletizada
foi superior ao da farelada. Tal resultado também
não está de acordo com os resultados
apresentados Hayashi et al. (2001), onde a ração
pastosa levou a uma sobrevivência superior
à da ração micropeletizada,
entretanto a sobrevivência das larvas
submetidas à ração farelada
não diferiu das demais.
A biomassa total produzida foi superior (P<0,05)
para as larvas alimentadas com as dietas fareladas
em relação aos tratamentos com
ração pastosa e micropeletizada,
que foram semelhantes entre si.
Resultados que não concordam com os apresentados
por Hayashi et al. (2001), para a carpa cabeça
grande, onde o melhor resultado de biomassa
final foi alcançado no tratamento com
ração pastosa e o pior com a ração
farelada, sendo que a ração micropeletizada
não diferiu destes dois tratamentos.
|
| |
Tabela
2 - Valores de desempenho e sobrevivência
das larvas de tilápia do Nilo submetidas
à rações com diferentes
processamentos
Table 2 - Performance and survival values
of Nile tilapia fry submitted to different
processing diets
|
Resultados
Results |
Farelada
Meal |
Pastosa
Pasty |
Micropeletizada
Crumble |
CV
(%) |
|
Peso final médio(g) |
0,51 |
0,43 |
0,41 |
19,74 |
| Final weight (g) |
|
|
|
|
| Comp. final médio(cm) |
2,92a |
2,80ab |
2,68b |
5,52 |
| Final length (cm) |
|
|
|
|
| Condição corporal |
2,04 |
1,97 |
2,08 |
6,10 |
| Corporal condition |
|
|
|
|
| Sobrevivência (%) |
97,77a |
96,86a |
86,66b |
7,02 |
| Survival rate (%) |
|
|
|
|
| Biomassa final (g) |
15,09a |
12,05b |
10,48b |
17,55 |
| Final biomass (g) |
|
|
|
|
|
Número seguido de letra
na mesma linha demonstra diferença
(p>0,05) pelo teste Newman-Keuls. Number
following of a letter at same line show difference
(p>.05) by Newman-Keuls test. |
|
| |
Ao relacionar
os dados obtidos neste experimento pode ser notado
o melhor desempenho geral das larvas obtidas com
a dieta farelada em relação aos
demais tratamentos, demonstrado principalmente
pela maior biomassa final, parâmetro este
que relaciona o peso final médio com a
sobrevivência final, sendo de grande importância
prática pois é o resultado final
esperado em uma criação comercial.
Pezzato (1999) cita que um dos problemas da ração
farelada é a separação dos
seus ingredientes quando fornecida aos animais,
podendo possibilitar a seletividade por parte
das larvas, entretanto parece haver uma baixa
capacidade de seletividade desta espécie
nesta fase.
Já Lovell (1988) cita que as dietas fareladas
permanecem por mais tempo na superfície
da água diminuindo a lixiviação
dos seus nutrientes quando comparada a rações
com partículas que afundam quando em contato
com a água; este fato pode ter sido importante
nos resultados obtidos neste experimento pois
a ração farelada realmente ficava
na superfície da água, enquanto
as rações micropeletizadas e pastosa
afundavam rapidamente.
Contrapondo-se às citações
de Kubitza (1997) que uma das vantagens das rações
peletizadas é a menor perda de nutrientes
solúveis (como vitaminas e minerais), e
Dupree (1984) citando que a lixiviação
dos nutrientes é muito rápida e
intensa em rações fareladas, devido
à sua alta relação entre
a área superficial e o volume, citações
estas que, com certeza, aplicam-se melhor a animais
adultos que a larvas.
A ração farelada é a de processamento
mais simples e barato, dentre os testados, pois
envolve apenas a moagem e a mistura dos alimentos,
sendo necessário apenas um aparelho de
moagem e um misturador. A ração
pastosa é um processamento quase tão
simples quanto o anterior; utiliza a mesma aparelhagem,
porém envolve um pequeno aumento de mão
de obra para o umedecimento da mesma. Já
a micropeletização é um processamento
mais complicado e caro que os anteriores, pois
exige uma peletizadora, além dos demais
equipamentos de moagem e mistura. Outro fator
que onera o processo é a necessidade da
diminuição do tamanho dos peletes,
para que estes se adeqüem ao tamanho da boca
das larvas, que é feito pela quebra dos
peletes e a passagem deste material através
de peneiras com malhas de diversos tamanhos.
Um fator importante na formulação
das rações artificiais para larvas
é o grau de moagem do alimento e também
do grânulo do micropelete, onde deve ser
dada preferência para tamanhos menores que
0,5 mm (Lovell, 1988; Kubitza, 1997). Porém,
quanto mais fina a moagem, mais caro fica o processo,
pois aumenta-se o tempo gasto, consequentemente
o gasto com mão-de-obra e energia.
Considerando os resultados apresentados por Santiago
et al. (1987) em relação aos do
presente experimento, notam-se resultados contraditórios,
que podem ser explicados pela diferença
no tamanho da partícula do alimento e do
micropelete utilizados pelos autores anteriormente
citados (0,25 mm para a ração farelada
e a micropeletizada entre 0,25 a 0,35 mm) e os
do presente experimento. Isto nos leva a pressupor
que obtêm-se melhores resultados com rações
micropeletizadas em comparação à
farelada quando se utiliza uma moagem mais fina
(0,25 mm) e quando se faz uso de uma moagem mais
grosseira (0,5 mm) a ração farelada
apresenta melhores resultados. |
| |
| Conclusões |
De
acordo com os resultados apresentados neste experimento,
utilizando-se a moagem dos ingredientes da ração
em peneira de 0,5 mm, para larvas de tilápia
do Nilo durante a reversão sexual, recomendase
a utilização de ração
na forma farelada, pois esta promove melhor sobrevivência
e biomassa final. |
| |
Literatura
Citada |
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA - UFV. SAEG
Sistema para análises estatísticas
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MG. 150p. (Manual do usuário). |
Recebido
em: 16/04/02
Aceito em: 16/09/02 |
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