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06/07/2021

Um problema que ganhou força ao longo da pandemia do Corona vírus e ameaça globalmente o desempenho das empresas produtoras de aves e suínos disparada nos preços de diversas matérias-primas utilizadas em rações. No Brasil, a alta dos preços das matérias-primas ocorreu de forma ainda mais brusca por conta da desvalorização cambial. Parte da matéria-prima produzida no país foi direcionado para o mercado internacional, que oferecia maior rentabilidade para os produtores, gerando um aumento expressivo no custo das rações. A demanda está aquecida nos países afetados por condições climáticas desfavoráveis ou pela própria pandemia, empurrando as cotações de commodities para cima. A China, por exemplo, vem recompondo seus estoques e pressionando os preços de commodities como a soja. Os Estados Unidos em entre safra importam soja brasileira.

Os últimos levantamentos de preços das matérias-primas mostram um aumento drástico. Em comparação com o preço na mesma época do ano passado, temos cerca de + 95% no milho (figura 1), +48% na soja (figura 2) e + 41% na carne bovina (figura 3), os preços batem recordes em vários momentos, nos portos e no mercado interno. O grão mais caro vira ração mais cara, que vira carne mais cara. Desta forma, tudo vai na mesma direção e sinaliza mais inflação à frente, e a pergunta que fica é: como os produtores devem lidar com os altos preços da matéria-prima? Vamos propor nas seções seguintes algumas soluções práticas que ajudarão a reduzir, tanto quanto possível, o impacto destes altos preços.

Possíveis estratégias para reduzir o custo da ração

Durante os períodos em que os custos das matérias-primas aumentam desproporcionalmente, é hora de ter certeza que estamos extraindo o máximo da formulação da ração, de olhar mais profundamente para o valor nutricional desses ingredientes, de procurar novos ingredientes e de ajustar os níveis nutricionais, para reestabelecer uma nova relação custo/benefício da ração que será consumida.

Este também é um bom cenário para procurar novas estratégias nutricionais, como níveis mais baixos de proteína bruta nas fórmulas de ração, usar o sistema de energia líquida em caracterização de ingredientes, usar o valor máximo de seus aditivos, e focar nos aspectos fundamentais da digestibilidade das rações. Nesse período, é comum ver empresas em busca de produtos de baixo custo e alternativas aos aditivos padrões. Entretanto, não é o momento de arriscar; um erro pode custar muito caro. É hora de adotar novas tecnologias, baseadas em conceitos confiáveis já demonstrados por ensaios científicos em condições semelhantes.

Garanta o equilíbrio dos aminoácidos digestíveis e evite excessos

Durante anos, as dietas das aves foram formuladas com base na proteína bruta.  Esta formulação pode resultar em uma oferta excessiva de aminoácidos devido à falta de correlação estrita entre a proteína e os aminoácidos digestíveis. É importante ressaltar que a oferta de aminoácidos em níveis acima do requerido pelo animal não trará valor extra, e esse excesso será catabolizado. Consequentemente, altos níveis de proteína bruta na dieta invariavelmente levam a alto custo da fórmula e não necessariamente refletem em melhor desempenho das aves e suínos.

Desta forma, é importante ter um entendimento claro sobre os valores de digestibilidade inerentes dos aminoácidos na ração, e formular dietas com base nos aminoácidos digestíveis e não nos valores totais. Dados confiáveis sobre a digestibilidade de aminoácidos não só permitirão uma formulação de ração mais eficiente e econômica, como também reduzirão o impacto das fórmulas de ração no meio ambiente pela redução da excreção de nitrogênio.

A escolha de usar esses valores de digestibilidade de aminoácidos é impulsionada principalmente pelo método de formulação de dietas. Formular dietas com o menor custo possível, usando programação linear e valores de aminoácidos digestíveis, é o método mais adequado para garantir o fornecimento de aminoácidos limitantes ao crescimento animal e, portanto, diminuir os custos com proteínas. Lembre-se de que 0,1% de metionina digestível de um farelo de soja a US$ 507/tonelada custaria US$ 99, em comparação com aproximadamente US$ 3 formulando com uma das fontes de metionina sintética mais disponíveis no mercado

O conhecimento da composição da matéria-prima, incluindo os aminoácidos digestíveis deve ser completado aplicando-se uma avaliação precisa das necessidades do animal na formulação da ração. Substituir a proteína bruta de farelo de soja por aminoácidos cristalinos 100% digestíveis é uma boa estratégia para reduzir o impacto no custo da matéria-prima.

Em 2002, a equipe de P&D da Adisseo propôs uma abordagem inovadora de modelo fatorial para determinar as necessidades de aminoácidos de acordo com o ganho de peso de animais em crescimento ou massa de ovos de galinhas poedeiras. O mesmo tipo de modelagem está disponível para o crescimento de suínos do desmame ao abate. Esses modelos foram obtidos a partir de uma extensa pesquisa na literatura publicada sobre os requisitos de aminoácidos. O banco de dados e os modelos foram atualizados em 2013, considerando os últimos requisitos de aminoácidos de aves, suínos e espécies aquáticas. O Rhodimet® Nutrition Guide (RNG) propõe modelos dinâmicos que permitem ajustes específicos em relação aos objetivos de desempenho (ou seja: ganho de peso; conversão alimentar ou rendimento de peito). Mais importante ainda, esta abordagem dinâmica permite ajustar as necessidades de acordo com os períodos de crescimento específicos, permitindo maior precisão na disponibilidade de nutrientes, e assim, evitando o desperdício.

Economize usando uma fonte de metionina líquida (OH-Met), como Rhodimet® AT88

Os aminoácidos sulfurados totais (TSAA), como outros aminoácidos, estão diretamente envolvidos na síntese de proteínas. Eles servem como blocos de construção importantes para as proteínas do tecido e seu suprimento insuficiente invariavelmente leva à redução da síntese proteica. A metionina é, por exemplo, o primeiro aminoácido limitante nas dietas clássicas a base de milho e farelo de soja usadas para o crescimento de frangos, principalmente devido ao baixo teor de metionina no farelo de soja e ao alto requerimento de TSAA, seja para deposição de penas, musculo, ou metabolismo basal. Globalmente, para atender às necessidades de metionina das aves, fontes sintéticas de metionina são comumente adicionadas às dietas.

No mercado há diferentes fontes de metionina disponíveis, de L-Met a OH-Met, também conhecida como HMTBA. Vários estudos comparando fontes de metionina apresentam números diferentes que podem confundir os nutricionistas, mas várias evidências também são fatos:

1) As maiores integrações do mundo usam a OH-Met;

2) Resultados recentes obtidos em condições comerciais envolvendo mais de um milhão de aves demonstram claramente a equivalência das fontes (Tabela 2).

Este ensaio de campo confirma os resultados obtidos e publicados pela Schothorst Feed Research, de Agostini et al., em 2016.